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Lucro sobre a morte

Em leilão, arma usada para matar estudante negro atinge US$ 65 mi nos EUA

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O caso Trayvon Martin, sobre um estudante negro de 17 anos que foi morto por um vigilante condomínio na Flórida, correu o mundo, em 2012. O autor do disparo, George Zimmerman, homem branco de descendência hispânica, foi absolvido neste ano da acusação de crime de segundo grau, porque prevaleceu no julgamento a tese da legítima defesa.

Na manhã desta sexta-feira (13/5), praticamente todos os jornais dos Estados Unidos anunciaram que a pistola 9 mm Kel-Tec PF-9 foi a leilão na Internet e já atingiu o valor de US$ 65 milhões. As notícias previam que o ex-vigilante iria faturar alto com a morte de Trayvon.

A história do leilão é verídica. Mas o valor do leilão é parte verídico, parte ficção. Isto é, o leilão realmente atingiu valores muito altos, graças ao interesse de ardorosos defensores da Segunda Emenda da Constituição dos EUA, que permite ao cidadão possuir e portar armas (desde que respeitadas algumas condições, sendo a mais importante é a de não ter uma condenação criminal).

Trayvon Martin foi morto em 2012, por um vigilante que alegou legítima defesa.
Reprodução

No entanto, o valor “astronômico” de US$ 65 milhões para uma pistola, por mais que ela tenha história, não pode ser para valer, dizem os jornais, entre eles USA Today, The Huffington Post, Los Angeles Times e New York Post.

Muitas pessoas revoltadas com o fato de Zimmerman querer faturar em cima da morte de um adolescente e do consequente infortúnio de uma família reagiram com uma forma de desmoralizar o leilão: registraram-se no site e fizeram lances seguidos, sempre muito altos, para inflacionar o leilão a ponto de as ofertas se tornaram ridículas.

Por exemplo, um dos últimos lances, na sexta-feira, foi de uma pessoa que usou o nome de “Racist McShootface” (algo como “face do McTiro racista”). Outros nomes “suspeitos” foram Donald Trump (nome do candidato republicano à Presidência da República), “shaniqua bonifa” e “Tamir Rice”, este o nome de uma criança de 12 anos que foi morta pela Polícia em Cleveland, quando portava uma arma de brinquedo.

Capuz
A morte de Trayvon Martin despertou paixões nos EUA, contra e a favor do vigilante. Estavam em debate o racismo, o direito de portar armas e a “Stand your ground law” – uma lei que permite a uma pessoa atirar para matar, em qualquer lugar (não só em sua casa), quando se sente ameaçada. Trayvon estava desarmado. De qualquer forma, a lei ajudou a garantir a liberdade ao vigilante, pois a defesa alegou que o estudante atacou fisicamente o réu.

Zimmerman não foi preso inicialmente, porque a polícia concordou que estava protegido pela lei “Stand your ground”. Mas diversos movimentos populares, incluindo a “Marcha de um milhão de encapuzados” em Nova York, levou a Promotoria da Flórida a formalizar uma acusação criminal contra ele.

A palavra “encapuzados” derivou do fato de Zimmerman haver dito à polícia, por telefone, que o jovem negro era suspeito porque usava um capuz para esconder o rosto. Na verdade, alegaram os promotores, ele usava o capuz para se proteger de uma chuva fina, enquanto caminhava de uma loja de conveniência para casa.

Pistola à venda
O primeiro anúncio de venda da arma foi colocado por Zimmerman na página GunBroker.com. Na quinta-feira, porém, o site apagou o anúncio, informando, em uma nota, que não queria fazer parte desse leilão e da publicidade que o cercava.

O site United Gun Group começou a hospedar então o leilão, com um lance inicial de US$ 5 mil. No final da noite, anunciou que a venda não satisfazia “os melhores interesses da organização”. E esclareceu com uma declaração: “Nossa missão é valorizar a Segunda Emenda e fornecer uma plataforma segura para os entusiastas das armas de fogo e cidadãos cumpridores da lei; nossa associação com o 'Mr. Zimmerman' não nos ajuda a atingir esse objetivo”.

No entanto, na manhã de sexta, o leilão estava de volta no site, que se declara “um mercado social para a comunidade das armas de fogo”. O anúncio traz a frase do latim “Si Vis Pacem Para Bellum”, que se traduz como “Se você quer paz, prepare-se para a guerra”. Na manhã de sexta, já haviam sido registrados mil lances.

Zimmerman disse ao jornal Sentinel e à emissora de televisão de Orlando, Flórida, que a pistola que lhe foi devolvida pelo Departamento de Justiça após sua absolvição irá a leilão de qualquer forma e que já tem planos para o dinheiro arrecadado.

Ele disse que vai destinar os recursos para combater o movimento “Blacks Lives Matter” contra a polícia. O movimento nasceu para forçar o estado a processar Zimmerman e se fortaleceu depois que outras pessoas negras foram mortas por policiais brancos em diversas partes do país.

Além disso, ele pretende lutar contra a retórica da candidata democrata à Presidência, Hilary Clinton, que defende maior controle das armas de fogo. Finalmente, ele quer usar o dinheiro para acabar com a carreira da promotora que o acusou de homicídio no julgamento, Ana Corey.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 14 de maio de 2016, 14h55

Comentários de leitores

3 comentários

Armas

Rocha advogado do ES (Advogado Assalariado - Empresarial)

As Armas deveriam ser liberadas e cada um respondendo pelos seus atos.

Indenização....

Pek Cop (Outros)

O vigia deveria processar os familiares que invadiram o site de leilão e fizeram lances falsos para que o vigia não vendesse a arma pelo preço que pretendia pagar!!!!

Nos EUA as coisas não são brincadeira

Pek Cop (Outros)

Lá não tem essa de coitadinho porque é preto ou branco, aprontou é cadeia ou caixão, lá não se favorece bandidos mirins sendo maior ou menor de idade, para o vigia ter atirado deve ter sido ameaçado e provocado, caso contrario ele não teria motivos para atirar no jovem!

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