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Viagem pessoal

Visita da juíza Kenarik Boujikian ao papa Francisco gera controvérsia no TJ-SP

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Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo ficaram incomodados com a notícia de que a juíza Kenarik Boujikian encontrou com o papa Francisco, no Vaticano, e criticou o processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT). A pedido de integrantes do Órgão Especial, o presidente da corte, Paulo Dimas Mascaretti, acabou divulgando nota oficial em que nega qualquer vinculação do tribunal com a visita.

Kenarik foi recebida pelo papa Francisco no Vaticano, na última segunda-feira (9/5).
Divulgação/Arquivo pessoal

A juíza, que atua na segunda instância do TJ-SP, publicou em sua página pessoal do Facebook que levou ao papa “a preocupação dos movimentos populares com o que está acontecendo no Brasil”, junto com a atriz Letícia Sabatella. O encontro ocorreu no dia 9 de maio, quando o Senado ainda não tinha aprovado o afastamento de Dilma.

Dois dias depois, a visita foi citada na sessão do Órgão Especial, mesmo sem previsão na pauta. O desembargador Arantes Theodoro disse ter ouvido uma série de reclamações de “colegas indignados”, além de ter recebido mensagens de magistrados de outros estados, como Paraná e Rio de Janeiro. Ele afirmou que, para alguns dos críticos, ficou a impressão de que Kenarik falava como se representasse o Judiciário paulista. “Me afetou também essa manifestação”, disse o desembargador Evaristo dos Santos.

O decano Xavier de Aquino, ex-corregedor, questionou se a juíza havia pedido afastamento. O presidente respondeu que ela solicitou dias de compensação. Segundo Mascaretti, o tribunal não autorizou que ninguém emitisse pronunciamento sobre o tema. “A juíza fala em nome próprio. A posição não coincide com a do tribunal”, afirmou durante a sessão. Ainda nessa quarta-feira (11/5), o tribunal publicou nota reforçando esse entendimento (leia abaixo).

Nesta quinta-feira (12/5), Kenarik publicou mensagem sobre o impeachment no Facebook: “Hoje derrubaram a Constituição, mas estamos prontos pra deixá-la no seu lugar. Hoje mt triste, mas sigo em frente, acreditando que construiremos um Brasil mais justo e solidário.” (sic)

Nascida na Síria, a juíza é uma das fundadoras da Associação Juízes para a Democracia.

Leia a nota do TJ-SP:

A Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, diante da notícia de que a juíza Kenarik Boujikian esteve, no Vaticano, na última segunda-feira (9), com a Sua Santidade o Papa Francisco, entregando carta assinada por membro da Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), vem a público registrar que a magistrada atuou em caráter estritamente pessoal, sem deter representação institucional.

Ressalta-se, portando, conforme pronunciamentos externados na sessão de hoje (11) do Órgão Especial da Corte, que o teor da carta em nenhum momento reflete posicionamento do Judiciário Bandeirante.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 12 de maio de 2016, 15h51

Comentários de leitores

22 comentários

Conservadorismo

O IDEÓLOGO (Outros)

O advogado é o pensador que não aceita o aprimoramento das relações sociais.
Em 1964, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) esteve ao lado dos militares e apoiou o fim de um governo eleito por mais de 90% da população brasileira, quando João Goulart foi expulso do Poder. Foram anos de ditadura e violência e uma luta renhida para que a democracia fosse instalada novamente.
O apoio maciço dos advogados ao "Ancien Regime Militaire" ocorreu pelo fato de a maioria dos referidos profissionais possuírem posições políticas e jurídicas reacionárias. As exceções são aqueles que, diretamente, lutaram contra o aludido regime, como o brilhante advogado Raymundo Faoro. A grande maioria dos advogados navegou nas águas da mediocridade, pouco se preocupando com a situação política do país, em uma alienação que surpreenderia os progressistas Antônio Gramsci e Maximilien Robespierre e, igualmente, o centralizador Carl Schmitt. Os advogados permaneceram preocupados com os patrimônios pessoais, com o recebimento de honorários, relegando ao oblívio os interesses dos clientes e da própria Nação. Atualmente, sofrem com a restrição do Mercado Econômico, e enfrentam, cada vez mais, uma crise de identidade, na qual muitos se encontram na mesma situação dos operários do século XIX, realizando audiências por R$ 50,00 e tomando o café da manhã na própria sala da OAB, enquanto os chefes dos grandes escritórios passam o final de semana na cidade Miami, nos USA, após exaustiva defesa de seus clientes acossados pelo Juiz Sérgio Moro, o herói da Nação.

"movimentos populares" diz a Juíza...

Gabriel da Silva Merlin (Advogado Autônomo)

Ela só esqueceu de destacar que entenda-se por "movimentos populares" grupos que fazem de manifestação política profissão de fé, sempre em defesa do PT.

Equívoco né ?

Estudante atento (Estagiário - Trabalhista)

Gostaria de tecer um breve comentário sobre a maioria dos posts que li a respeito da referida matéria, a maioria dos que comentaram, citam a LOMAN, no que segue:
III - manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, DE ÓRGÃOS JUDICIAIS, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério.
Me parece no mínimo equivocado, pois, o dispositivo citado impede publicidade de opiniões pessoais, em julgamentos em órgãos judiciais, acredito no meu pouco saber que o senado e a câmara não são órgãos judiciais.
No mais, ainda me parece estranho que tantos juízes tenham se manifestado contrário a atitude da magistradas, tanto quanto desembargadores e nenhum destes tenha percebido essa grave infração apontada pelos nobres colegas, talvez seja um meta equívoco.

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