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Colaboração informal

Governo investigará se contadora de Youssef foi "agente infiltrada" na "lava jato"

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O Ministério da Justiça pediu para que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investiguem como a contadora Meire Poza ajudou os investigadores da operação “lava jato” em Curitiba. O ministro Eugênio Aragão quer saber se ela foi usada como “agente infiltrada” dos investigadores para colher informações que depois foram usadas nos inquéritos e indiciamentos.

Meire Poza colaborou com investigações sem formalizar acordo de delação premiada e, agora, busca proteção.
Wilson Dias/ABr

Segundo os investigadores, Meire Poza era a contadora de todas as empresas do doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da operação. Ela se apresentou à “lava jato” no dia 29 de abril de 2014, logo depois da prisão de seu ex-cliente, já para apresentar uma série de documentos à força-tarefa, que depois serviram de base para os inquéritos e indiciamentos.

Ela pretendia ser uma colaboradora das apurações, em troca de algum benefício. Segundo seu advogado, Haroldo Náter, ela estava na expectativa de algum tipo de perdão por parte da PF e do Ministério Público. Mas agora a contadora está diante da possibilidade de ser denunciada, já que efetivamente participou de muitas dos fatos que ela mesma denunciou.

Segundo Náter, ela pedirá à PGR e ao Ministério da Justiça algum tipo de proteção, e perdão judicial ao Supremo Tribunal Federal. O entendimento é o de que ela foi fundamental para as investigações e muito do que se descobriu na “lava jato” teve início com as colaborações dela.

Mas, segundo reportagem da revista Carta Capital, Meire não foi simples colaboradora. Diz o texto que ela foi usada como uma "agente infiltrada" pela PF, que aproveitou os documentos e informações dados à força-tarefa para forjar diligências e até para grampear parlamentares sem autorização do Supremo. E é isso o que o ministro da Justiça quer que seja investigado.

Os investigadores que atuam “lava jato” não pretendem se manifestar sobre o caso. Apenas garantem que a reportagem da Carta Capital distorce os fatos. O próprio advogado diz não conhecer a maioria das informações trazidas pela revista. Segundo ele, Meire o procurou preocupada com o que poderia acontecer com ela, já que poderia ser tornar ré confessa. “Mas a Carta Capital diz coisas muito mais sérias do que ela me contou”, diz o advogado.

Haroldo Náter afirma que sua cliente fez uma “colaboração informal” com a PF, na expectativa de ter algum tipo de perdão dos investigadores. “Mas foi tudo na informalidade”, conta. “Como a colaboração não foi posta em papel, não houve um termo de colaboração, o alcance desse perdão não ficou definido. Tudo ficou na base da conversa.”

Essa versão dos fatos é controversa. Gente que participou dessa fase das investigações disse que ela jamais pediu perdão, e nem os investigadores ofereceram. E garantem que foi ela quem recusou fazer um acordo de delação premiada.

O que Meire pediu, segundo pessoas que acompanham o caso de perto, foi que a contribuição dela fosse levada em conta mais para frente. O problema foi que a autoproclamada força-tarefa da “lava jato” nunca chegou a um consenso sobre o que fazer. Alguns integrantes eram a favor de não denunciá-la e outros, contra. Afirmam que, por lei, o MP, diante do cometimento de um crime e da prova da autoria, é obrigado a denunciar.

“Ela agora teme pela segurança dela e da filha dela”, afirma Náter. Ele conta que já houve um incêndio no escritório de contabilidade da cliente, e “há muitos indícios de que foi um incêndio criminoso”. “O que se pretende é, em razão da extensão e da importância da colaboração dela, pedir o perdão judicial.”

 é editor da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 2 de maio de 2016, 18h45

Comentários de leitores

8 comentários

Carta serviçal

RONALDO GUZMÁN (Advogado Autônomo)

Carta capital???

Carta Capital?!

Chuahy (Consultor)

Esse veículo é um dos muitos patrocinados pelo PT. Qualquer denúncia ou matéria publicada lá já está sob suspeição. A tabelinha entre a Carta Capital e o "Ministro da Justiça" é tão surpreendente quanto o fato de que uma semana tem 7 dias.

Ordem para investigar o denunciante e não o crime praticado

Bia (Advogado Autônomo - Empresarial)

O colega tem toda razão, Mauro. Já se solidificou a prática da cleptocracia que tomou conta do país, em pedir investigações contra quem tem a coragem de DENUNCIAR o assalto aos cofres públicos, JAMAIS em apurar o crime em si. MAIS DO QUE NUNCA, URGE QUE SEJAM TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS, afastados do poder, sob o serísssimo risco de o Brasil desabar de vez, na DITADURA da cleptocracia, na qual os ilustres ministros da "inJUSTIÇA" petistas fazem questão (e até demonstram orgulho em assim agir) tem tido protagonismo importante. Além disso, escancarada e desavergonhadamente, num claro descaso com a população, depois se transformam em advogados PARTICULARES oficiais da(o) presidente da república, numa inadmissível demonstração de poder, deixando atônitos e impotentes, todos os eleitores brasileiros extorquidos pela maior carga tributária do PLANETA, eis que não são acompanhados do DEVIDO e justo retorno em serviços públicos, minimamente aceitáveis!

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