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Técio Lins e Silva diz que procurador "não tem autoridade" para criticar advocacia

O advogado Técio Lins e Silva, um dos signatários do manifesto de advogados contra a condução da “lava jato”, rebateu a crítica do procurador da República Deltan Dellagnol de que a carta viola o princípio mais básico do direito de defesa, que é não fazer acusação genérica, afirmando que o coordenador da operação não tem moral para atacar os defensores.

“Ele não tem autoridade para fazer qualquer criticar à advocacia. Ele vai a igrejas evangélicas pregar sobre a 'lava jato', vai ao Congresso pedir alteração na lei. Confunde militância política com a função pública de procurador, que tem de respeitar o acusado. Ele não tem autoridade nenhuma, zero”, afirmou o criminalista ao jornal Folha de S.Paulo.

Além disso, Lins e Silva, que foi um dos mais atuantes advogados de presos políticos durante a ditadura militar, avaliou que a operação é mais autoritária do que os processos conduzidos na época do regime militar (1964-1985): “Estou falando de uma arbitrariedade como nunca se viu no Brasil”. Para ele, o fato de o juiz federal Sergio Moro atuar em quase todos os processos do caso viola o princípio do processo democrático constitucional.

Confrontado com uma conta da força-tarefa da “lava jato” de que, dos mais de 300 recursos já interpostos contra decisões de Sergio Moro, apenas pouco mais de uma dezena obteve sucesso, o advogado manifestou confiança nos julgamentos do Supremo Tribunal Federal, explicando que muitas vezes os ministros negam a liminar, mas deferem o pedido no mérito. 

Revista Consultor Jurídico, 16 de janeiro de 2016, 13h29

Comentários de leitores

13 comentários

Tempos difíceis mesmo !

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Quanto mais esses advogados criminalistas criticam a operação Lava a Jato, mais ela se sustenta e se fortalece em face dessa "inacreditável e insuportável mudança de hábitos". Curiosamente, quando não se via rico,político e influente preso no Brasil, NÃO HAVIA CRÍTICAS. Mas é de todo compreensível: Já imaginaram ter que justificar ao contratante o valor da hora trabalhada pelo patrocinado; cerca de R$ 1mil reais (ou 10 mil/dia); 220 mil/mês; e atingindo 1 "milhão" em 5 meses,em troca do nada absoluto? Realmente não é fácil não. O missivista tem toda razão; é muito dinheiro (ainda que indiretamente pago pelo povo). É preciso fazer e divulgar outra lista, maior, com mais nomes; quiçá com algum jurista alienígena (o prof. Lênio Strec conhece vários) a encabeçá-la.

Lava-jato pior do que ditadura militar?

LeandroRoth (Oficial de Justiça)

Já compararam a Lava-jato com o nazismo (artigo do professor Jacinto), com a Inquisição (na malsinada nota dos advogados contra a operação), e agora, já estava demorando, com a ditadura militar.
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Corrijo-me: segundo o Dr. Técio, as arbitrariedades da Lava-jato são PIORES do que as do regime militar. Sim, piores. Para ele, os réus estariam sofrendo mais do que os torturados, desaparecidos, mutilados e assassinados pela ditadura...
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Sinceramente, os advogados e seu lobby já estão caindo no mais completo ridículo com esta cruzada contra a Lava-jato.
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Será que é a tática de que o "ataque é a melhor defesa"? Afinal, além de seus clientes estarem com sujeira até o pescoço, os honorários destes advogados estão na casa dos
milhões e milhões, algo muito suspeito, máxime em se tratando de uma área da criminalidade especializada na lavagem de dinheiro.
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Pior do que os financeiramente interessados em defender essas baboseiras que os advogados andam dizendo só mesmo os idiotas úteis, que repetem os absurdos como papagaios sem estarem levando nada por isso.

O discurso da moralidade...

Ramiro. (Advogado Autônomo)

O discurso da moralidade, do redentorismo messiânico, vejamos uns fatos. O soldo de um oficial general de quatro estrelas, almirante de esquadra, tenente brigadeiro e general de exército está R$ 10.830 até agosto de 2016, quando vai subir para R$ 11.426,00... Enfim, há uma tendência a falta de memória sobre as reais motivações da Proclamação da República e da "redentora" de 1964...
"E quem apoiaria um golpe militar?".

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