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Ação regressiva

STJ vai retomar julgamento de ação em que INSS quer cobrar assassino por pensões

O caso no qual o INSS busca cobrar de um homem que matou sua ex-mulher o valor da pensão que deve ser paga aos filhos do casal será julgado neste ano pelo Superior Tribunal de Justiça. A decisão foi adiada pela 2ª Turma para apreciação da ministra Assusete Magalhães e da desembargadora convocada Diva Malerbi. 

Na ação regressiva, a autarquia pede o ressarcimento do valor previdenciário pago aos dependentes da mulher, assassinada pelo ex-marido em 2009. O crime ocorreu em Teutônia, interior do Rio Grande do Sul.

No juízo de primeira instância, o homem foi condenado a pagar 20% de todos os valores pagos pelo INSS relativos à pensão. Já o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (PR, SC e RS) determinou que ele pagasse integralmente os valores gastos com a pensão.

A defesa do agressor alega que a ação regressiva só pode ser aceita nas hipóteses de “negligência quanto às normas padrão de segurança e higiene do trabalho” e que não se aplica a casos de homicídio ou quaisquer outros eventos não vinculados a relações de trabalho.

A decisão da 2ª Turma é aguardada para este ano e deve influenciar julgamentos em que órgãos da União cobram dos agressores a restituição de valores pagos a título de benefício nos casos de violência contra a mulher. Além disso, a sentença pode ter efeito estendido a situações de acidente de trânsito em que haja pagamento do benefício.

Votos
Três dos cinco ministros que compõem a 2ª Turma já votaram. O ministro relator Humberto Martins frisou que “mostra-se acertada a tese de que é possível a ação regressiva da autarquia previdenciária contra o recorrente com o objetivo de ressarcimento de valores pagos a título de pensão por morte aos filhos da ex-companheira vítima de homicídio”. Para ele, o INSS tem “legitimidade e interesse para pedir o ressarcimento de despesas com benefício previdenciário aos dependentes de segurado”.

Assim como o relator, o ministro Herman Benjamin votou a favor do pedido do órgão federal, enquanto o ministro Mauro Campbell foi contrário. Faltam votar a ministra Assusete Magalhães e a desembargadora convocada Diva Malerbi, que substituiu o ministro Og Fernandes. Elas estiveram ausentes do início do julgamento em 2015, o que gerou o adiamento. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ. 

Resp 1.431.150

Revista Consultor Jurídico, 8 de janeiro de 2016, 16h00

Comentários de leitores

3 comentários

Para que serve o INSS?

Gabriel da Silva Merlin (Advogado Autônomo)

Governo cara de pau querendo cobrar 2 vezes para pagar só 1, se for para receber 2 vezes então que ao menos se devolva os valores que foram recolhidos pelo cidadão, já que o homicida deverá passar a pagar a pensão.

Mas obviamente que o INSS não está preocupado com o cidadão que está recebendo a pensão, ele quer apenas fazer caixa para cobrir o rombo nas contas públicas causadas por administradores incompetentes.

interessante!

WLStorer (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Latrocínios, mortes por falta de atendimento pelo SUS, chacinas e morte de pessoas inocentes por ação policial etc. e não se tem notícia que o INSS tenha pedido ressarcimento de qualquer Governo pelo pagamento de benefício aos dependentes. Os valores gastos com a pensão paga pelo evento morte são decorrentes de contribuição para tal fim. Vê-se que o INSS vem descabidamente, com apoio do Judiciário, tentando transferir os riscos de sua atividade a terceiros.

todo criminoso tem que ressarcir o SUS também

analucia (Bacharel - Família)

se o criminoso cometeu crime que gerou despesa para o SUS também deveria ressarcir o SUS, o qual é gratuito, mas neste caso seria apenas ressarcimento pelo ato ilícito.

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