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Ações violentas

Em ato no Fórum Criminal de SP, petistas defendem Lula e críticos louvam Moro

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Até pouco antes das 11h desta quarta-feira (17/2), a violência entre manifestantes pró e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, era meramente verbal. Mas só até uma mulher simpática ao PT levar uma pedrada na cabeça. Os militantes favoráveis ao governo Dilma Rousseff então se indignaram com a agressão dos “coxinhas”, e a violência passou também a ser física, entre protestantes rivais e policiais militares.

A suspensão dos depoimentos de Lula e de sua mulher, Marisa, pelo Conselho Nacional do Ministério Público não foi suficiente para cancelar os atos, marcados para ocorrer enquanto o ex-presidente estivesse no tribunal. Para os petistas, em maior número no local, era preciso defender, por todos os meios, a honra do símbolo máximo do partido.

Com roupas vermelhas, manifestantes pró-Lula alegavam que o ex-presidente e o PT eram perseguidos por serem de esquerda.
Sérgio Rodas

“Essa é uma perseguição sem precedentes na história do Brasil. Nem Getúlio Vargas foi alvo de algo semelhante”, afirmou o coordenador-geral da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim. Além desse grupo, foram à Barra Funda defender o ex-líder sindical entidades como o PCdoB, a Central única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM).

Em meio a faixas nas quais se dizia que o “pecado” de Lula fora tirar milhões de brasileiros da miséria, protestantes favoráveis ao governo, na maioria trajando roupas vermelhas, alegavam no carro de som que o ex-presidente e o PT eram perseguidos por serem de esquerda e criticavam o fato de veículos como a revista Veja não questionarem os senadores do PSDB José Serra e Aécio Neves por suspeitas de corrupção em obras no metrô paulistano e na construção de um aeroporto em Cláudio (MG), respectivamente.

De acordo com Bonfim, há uma tentativa generalizada de intimidar o ocupante do Palácio do Planalto entre 2003 e 2010. Com esses ataques, “todos nós nos sentimos atingidos”, apontou. “E, além disso, somos atacados com violência pelos ‘coxinhas’ por estarmos defendendo Lula”, queixou-se o ativista à ConJur.

Herói dos antipetistas, o juiz da "lava jato" Sergio Moro foi lembrado no protesto desta quarta em frente ao Fórum Criminal.
Sérgio Rodas

Apologia a Moro
Os manifestantes anti-Lula não ostentavam emblemas de grupos ativistas, preferindo exibir suas ideias nas faixas. Assim, era possível ler palavras de ordem como “Fora, Dilma!”, apologias como “Apoio à ‘lava jato’”, agradecimentos como “Obrigado, PM de São Paulo, heróis na luta por um país melhor” e “ameaças” como “Sergio Moro vem aí!”.

Como ocorre frequentemente nos protestos contra o PT, também havia uma “linha-dura” em frente ao Fórum Criminal. Usando trajes militares em vez do verde e amarelo de seus colegas, pregavam o “fim do comunismo”, a “extinção do Foro de São Paulo” e uma certa “intervenção militar constitucional”. Além disso, eles eram os mais engajados nas ofensas a seus adversários políticos.

A líder do movimento Nas Ruas Contra a Corrupção, Carla Zambelli Salgado, afirmou à ConJur que a manutenção do protesto se devia ao fato de a suspensão dos depoimentos de Lula e Marisa ter motivação política, e não jurídica. Há, a seu ver, três fatores que embasam essa suspeita. O primeiro, tal como argumentaram os promotores, é que o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) não poderia ter requerido procedimentos em nome do ex-presidente e de sua mulher, pois não é parte das investigações.

O segundo é o fato de o conselheiro do CNMP que cancelou o procedimento já ter sido advogado da Petrobras e, como garante Carla, ter sido indicado por Dilma em 2015 para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Por fim, o terceiro motivo é que o presidente do conselho é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que, para a militante, não é imparcial.

Por isso, ir ao Fórum da Barra Funda defender o MP ajuda a manter as investigações contra corruptos e evitar que elas "acabem em pizza", explicou a líder do Nas Ruas. E essas manifestações, conforme ela, são incentivadas pelo juiz da “lava jato” e herói dos antipetistas. “O Sergio Moro disse esses dias que é preciso apoio popular para que essas ações sigam adiante, e é isso que nós queremos.”  

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2016, 18h06

Comentários de leitores

3 comentários

Joacil da Silva Cambuim (Procurador da República de 1ª. Inst

Wes (Estudante de Direito)

Perfeito seu comentário, adequado aos princípios do direito como a isonomia e coerência.
A corrupção é um câncer que tem que ser combatido, e isso envolve a sociedade em seus pequenos atos de corrupção. O combate à corrupção deve ser isonômico, mas para alguns aqui, a seletividade é a ordem, basta uma notícia na TV e vem afirmações, mas a mesma notícia, às vezes no mesmo processo, mesmo delator, mesmo que não tenha a mesma repercussão e repetição, o(s)mesmo(s) ficam “ZZZZZZ”, no sono profundo, isso beira a hipocrisia mesmo. Mesmo que tais “indignados” contra a corrupção excluíssem de rol: presunção de inocência, ampla defesa, contraditória, mantivessem a isonomia e coerência não seria hipocrisia, pois excluiriam de todos, mas no entanto, repetindo: “ZZZZZZZ” o sono impera, basta mudar a cor da camisa.

O pelotão de choue não esteve completo

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Faltaram os "cômicos" do MST, as FARC e outros simpatizantes alienígenas comprados pelo molusco. Se as investigações caminharem (e vão caminhar) esses guerrilheiros estarão ocupando os seus postos, como fazem nos seus países de origem, sempre em defesa de corruptos caudilhos que lhes colocam de costas e ainda fungam, no seu cangote.

Protestos contra a corrupção

Joacil da Silva Cambuim (Procurador da República de 1ª. Instância)

Quem está verdaeiramente indignado com a corrupção não escolhe a cor da camisa do suspeito nem a ideologia que ele defende. Você só vê indiganção quando o suspeito é de uma ideologia que não a sua. Isso tem um nome: hipocirsia!

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