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"Piscou, penhorou"

Estagiárias do TJ-RJ ironizam advogados no Facebook e OAB pede providências

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O aparente orgulho em penhorar bens de contribuintes de estagiárias do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro irritou a advocacia carioca e fez a seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil pedir à Corregedora-Geral da Justiça do estado que tome “medidas enérgicas” contra a conduta desrespeitosa à classe e aos cidadãos.

Nesta segunda-feira (19/12), uma estagiária da 12ª Vara de Fazenda Pública publicou no Facebook uma foto dela com duas colegas em gabinete da seção, com caixas de processos ao fundo (veja abaixo). Na legenda, ela escreveu: “Piscou, penhorou! A eficiência da 12ª Vara de Fazenda Pública!”

Em seguida, incluiu hashtags ironizando advogados e contribuintes, como “#ChoraExecutado”, “#VouTePenhorei”, “#CalmaDr”, “#ExpedeOOfícioBB”, “#OProcessoSumiu”, “#CadêOToken”, “#ToDeFeriasDra” e “#FeriasNoTrabalho”.

Mas advogados do Rio não acharam graça na publicação (que foi  apagada), até porque a crise fiscal pela qual passa o estado vem intensificando a pressão da Receita para obter tributos atrasados.

Para o presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB-RJ, Luciano Bandeira, as hashtags são uma “chacota” com os contribuintes, advogados e o próprio Judiciário, que deve passar uma imagem de seriedade e isenção à sociedade.

Além disso, Bandeira afirmou à ConJur que a publicação no Facebook “mostra o despreparo dessas estagiárias”. De acordo com ele, elas estão extrapolando as suas funções ao serem autorizadas a fazer penhoras, umas vez que esse ato compete a técnicos e analistas judiciários.

O integrante da OAB-RJ ainda questionou a isenção delas para bloquear bens para garantir dívidas tributárias — os estagiários da 12ª Vara de Fazenda Pública são pagos pela Prefeitura do Rio, conforme convênio firmado entre o município e o TJ-RJ. Dessa maneira, a paridade de armas fica abalada em prejuízo dos contribuintes, avalia.

Ofício à corregedoria
Indignado, Luciano Bandeira, em nome da OAB-RJ, enviou na tarde desta terça-feira (20/12) ofício à corregedora-geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo pedindo que sejam tomadas “medidas enérgicas” em relação às estagiárias que “tenham desrespeitado o jurisdicionado e a advocacia”. Isso seria uma “forma de restabelecer a dignidade da Justiça, que foi violada por esta atitude abominável”.

No documento, Bandeira alega que, na publicação no Facebook, as servidoras “fazem pouco caso da advocacia e dos jurisdicionados”. E mais: segundo o integrante da OAB-RJ, essa conduta é “difamatória e atentatória à dignidade da Justiça”.

Embora a penhora tributária seja um instrumento prevista em lei, ela é uma medida de força contra o patrimônio do contribuinte, e “não pode ser enxergada com graça ou desdém, mas com preocupação e tristeza”, ainda mais em um momento de crise, declara o presidente da Comissão de Prerrogativas.

Conforme Bandeira, a Ordem é a favor de que as contas públicas sejam saneadas e que os devedores fiscais cumpram suas obrigações. No entanto, “é inadmissível, especialmente num momento delicado da história do estado do Rio de Janeiro, que os executados, sujeitos dos atos expropriatórios, sejam expostos ao ridículo e tratados de maneira desrespeitosa, bem como a advocacia que defende seus interesses em juízo”, opinou no documento.

Clique aqui para ler a íntegra do ofício.

Para a OAB-RJ, publicação no Facebook ofende advogados, cidadãos e a Justiça.
Reprodução

 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 20 de dezembro de 2016, 18h33

Comentários de leitores

21 comentários

Estagiárias sem preparo e sem ética

Arcell.adv (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O descontrole é geral no TJRJ. Estagiárias não têm o poder de praticar atos privativos dos funcionários habilitados e treinados para esse mister. Quem é o responsável pela supervisão da Vara? Cada um faz o que quer? Quem assumirá as consequência dos gracejos?

Com a palavra o Presidente do TJRJ.

Arcelino Almeida
Advogado - RJ.

Lamentável!

Neli (Procurador do Município)

Para começar, o trabalho não é lugar para imiscuir em mídia social.na prefeitura de SP é bloqueado o Faceboock. Deveria ser em todas as repartições públicas.
Por outro lado, da pior forma, essas estagiárias perceberam que deve respeitar o próximo.

Exagero!

Marcelo-ADV (Outros)

Vale lembrar também que a OAB-RJ legitimou isto:

http://www.conjur.com.br/2016-mar-14/processo-polemico-mariana-fux-toma-posse-tj-rj

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