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Requisito dispensável

Preso do semiaberto pode sair temporariamente sem cumprir 1/6 da pena

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O preso que cumpre pena no regime semiaberto pode ser autorizado a sair temporariamente da prisão, ainda que não tenha cumprido um sexto da pena. O entendimento é do desembargador Willian Campos, da 15ª Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo, que deferiu liminar autorizando um preso a passar as festas de fim de ano com sua família.

O homem, que cumpre pena no regime semiaberto, pediu autorização para a saída do Natal e Ano Novo, mas o juiz da Vara de Execuções Criminais negou, alegando que ele não preenchia todos os requisitos previstos na Lei de Execução Penal.

De acordo com o artigo 123 da LEP, o juiz deve autorizar a saída temporária quando o apenado preencher os seguintes requisitos: bom comportamento; cumprimento mínimo de um sexto da pena, se o condenado for primário, e um quarto, se reincidente; e compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

No caso, o juiz indeferiu o pedido porque o homem não havia cumprido um sexto da pena. Diante dessa decisão, a defesa do preso impetrou Habeas Corpus, com pedido de liminar, no TJ-SP, para que fosse concedida a autorização. De acordo com a defesa, a exigência do cumprimento de um sexto da pena para quem teve fixado o regime semiaberto é manifestamente ilegal, uma vez que é o mesmo requisito para a progressão ao regime aberto. A defesa foi feita por Alberto Zacharias Toron, Luisa Moraes Abreu Ferreira e Giovana Dutra de Paiva, do Toron Advogados.

Ao deferir a liminar, o desembargador Willian Campos observou que, conforme apontado pela defesa, o cumprimento de um sexto da pena já permite a progressão de regime. "Conclui-se, assim, que tal exigência do lapso temporal tornará a concessão do benefício inócua, pois não necessitará de autorização alguma no regime aberto."

O desembargador explica em sua decisão que a saída temporária foi criada dentro do espírito de ressocialização, possibilitando ao presidiário uma readaptação social. Além disso, também representa uma espécie de prêmio pelo bom comportamento. "Abstraindo-se a questão do lapso temporal, há que se admitir como bastante benéfica para ressocialização a saída temporária justamente no Natal e Ano Novo, que são festas da família. São sete dias que só poderão contribuir para a reeducação, reflexão e maior aproximação da família", complementou o desembargador, concedendo a liminar.

Requisito dispensável
A liminar do desembargador está alinhada com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que já dispensa o cumprimento de um sexto da pena para a concessão de benefícios aos presos que cumprem pena no regime semiaberto.

A LEP determina, por exemplo, esse mesmo lapso de tempo para que o preso tenha direito ao trabalho externo. Contudo, o STJ e o STF já decidiram que a exigência não é válida para presos no regime semiaberto.

Ao julgar um HC em 1999, o então ministro do STJ Luiz Vicente Cernicchiaro afirmou que, "se a personalidade do condenado recomendar, urge permitir o trabalho externo ainda que não superado o regime fechado. Só assim, socialmente, a decisão atenderá a finalidade da pena — reintroduzir o delinquente ao meio social de modo a que se conduza de acordo com as exigências do Direito".

Em 2014, ao analisar um caso da Ação Penal 470, o processo do mensalão, o Supremo Tribunal Federal reforçou esse entendimento ao autorizar o trabalho externo a cinco condenados. Ao votar, o ministro Luis Roberto Barroso ressaltou que, há mais de 15 anos, o Superior Tribunal de Justiça, órgão encarregado de uniformizar a interpretação do Direito federal, consolidou esse entendimento, que é seguido pelos tribunais de Justiça dos estados, responsáveis pela execução direta das penas aplicadas aos condenados.

Clique aqui para ler a liminar.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 14 de dezembro de 2016, 9h32

Comentários de leitores

4 comentários

Mais perturbação

O IDEÓLOGO (Outros)

A interpretação flexível da norma jurídica penal dirigida ao "status libertatis" prejudica a sociedade, obrigada a conviver com quem teria que permanecer enjaulado.
Com a Constituição de 1988 foram enaltecidos os direitos em detrimento das obrigações.
Os "rebeldes primitivos", expressão emprestada do historiador marxista Erick Hobsbawm e adaptada ao contexto brasileiro, sufragados por intelectuais que abraçaram o pensamento do italiano "Luigi Ferrajoli, expresso na obra "Direito e Razão", passaram a atuar em "terrae brasilis" em agressão à ordem estabelecida, ofendendo os membros da comunidade.
Aqueles despossuídos de prata, ouro, títulos e educação especial, agredidos pelos rebeldes, passaram a preconizar a aplicação draconiana das normas penais, com sustentação no pensamento do germânico Gunther Jabobs, resumido no livro "Direito Penal do Inimigo". Acrescente-se, ainda, a aplicação das Teorias Econômicas Neoliberais no Brasil, sem qualquer meditação crítica, formando uma massa instável e violenta de perdedores, fato previsto pelo economista norte-americano, Edward Luttwak no livro denominado "Turbocapitalismo".
Diante desse "inferno social" o Estado punitivo se enfraqueceu. A situação atingiu nível tão elevado de instabilidade, que obrigou o STF em sua missão de interpretação da Constituição e de pacificação social, lançar às masmorras, de forma mais expedita, os criminosos.
Diante do atrito entre o pensamento do intelectual, preocupado com questões abstratas, e a dura realidade enfrentada pelo povo, principal vítima dos rebeldes, a Democracia soçobra.

É o fim da picada!

Oficial da PMESP (Oficial da Polícia Militar)

Interpretam a lei a seu bel prazer e depois a polícia tem que aguentar as sarrafadas pela suposta "falência da segurança pública", sem esquecer de ter que aturar a expertise de "especialistas" da área.

Pune e reeduca

Professor Edson (Professor)

Outra coisa que mostra a conivência do judiciário com o crime no país, é achar que cadeia é só pra ressocializar, uma pessoa estupra e mata uma criança não precisa ser punido? Tudo bem que juiz não é punido por nada, é um ser acima da lei, mas vamos com calma.

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