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Dez tiros

Presidente de Tribunal de Justiça Desportiva é baleado ao sair de escritório

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O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Sergipana de Futebol e ex-conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe, Antônio Mortari, foi baleado ao sair de seu escritório nesta quarta-feira (3/8), às 22h. Foram efetuados dez disparos — dois o acertaram no braço. Jornais locais afirmam que o advogado já recebeu alta do hospital e passa bem.

Mortari foi atingido quando estava em seu carro. Os agressores pararam outro veículo ao lado dele e dispararam.

O presidente da OAB-SE, Henri Clay, informou que policiais farão a segurança do presidente do TJD e de sua família. Ele disse ainda que o secretário de segurança pública de Sergipe, João Batista, designou uma equipe para apurar o caso. A motivação do crime ainda é desconhecida.

Presidente do TJD-SE, Mortari foi atingido quando estava em seu carro.
Reprodução

“Ele estava ainda emocionalmente muito abalado, sem condições de conversar sobre o ocorrido em si. A preocupação nossa naquele momento era com a vida e a saúde dele. Agora, nossa preocupação prioritária é com a segurança do advogado e de sua família, até que seja desvendada a autoria do crime e os motivos que o ensejaram”, disse Clay.

Violência preocupante
A escalada de violência em Sergipe está preocupando a seccional sergipana da Ordem dos Advogados do Brasil. Por isso, a entidade quer a volta da polícia comunitária, usada na década de 1990 para combater a criminalidade no Bairro Américo, conhecido à época por ser o mais violento de Aracaju, capital do estado. “Chegamos a um estágio de caos”, afirma Henri Clay.

O sinal de alerta se acendeu na OAB-SE depois que um delegado foi assassinado durante sua folga em praça pública e que um cobrador de ônibus foi morto enquanto trabalhava. “Hoje, está acontecendo uma violência sem precedentes. Não estamos acostumados com isso em Sergipe. Sempre fomos um estado tranquilo. O governo não tem apresentado uma política de segurança preventiva”, diz Clay.

O presidente da OAB-SE diz ainda que o estado sofre com uma média de cinco assaltos em ônibus por dia. Ele credita esse índice, em partes, a ausência de policiamento nas ruas sergipanas e na falta de vontade política para se criar um sistema de segurança preventivo e mais próximo da sociedade. “A polícia sai preparada para a guerra. Sai para a rua para matar ou morrer [...] queremos a volta da Polícia comunitária, aquela polícia que conviva nos bairros, que dialogue com os movimentos sociais.”

Clay destaca ainda que o Brasil, com 70 mil mortes anuais por violência — entre policiais, bandidos e sociedade civil —, é um dos países com mais óbitos sem estar em guerra declarada. Dados de 2014 divulgados apelo Ipea em março deste ano mostram que Sergipe teve 1.096 homicídios em 2014. Em 2004, base inicial da pesquisa, as mortes não chegavam a 470.

“A Polícia Sergipana tem uma inteligência apurada para prender aquele que praticou o delito. Nunca se prendeu tanto, mas também a violência nunca cresceu como agora. Essa política não debela a violência”, diz o presidente da OAB-SE

A falta de efetivo também é citada pelo advogado. Segundo ele, há um déficit de 2 mil servidores na Polícia Militar de Sergipe mesmo havendo um concurso feito. Henri Clay também destaca que é necessário investir em tecnologia.

Henri Clay destaca ainda que a situação é pior no interior do estado, onde a infraestrutura, inclusive do estado, é mais precária. “O crime organizado está começando a se encastelar em Sergipe, principalmente o tráfico de drogas [...] Política de segurança não se faz apenas com polícia. É preciso integrar os sistemas de educação e cultura”, afirma.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 4 de agosto de 2016, 14h15

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