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Principal efeito

Panama Papers evidenciam insegurança dos dados de clientes de bancas

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O vazamento de 11,5 milhões de registros dos clientes da banca panamenha Mossack Fonseca, já conhecido como Panama Papers, teve apenas um efeito concreto até agora: o de evidenciar que os escritórios de advocacia têm de fazer muito mais do que têm feito até agora para proteger os dados dos clientes.

Essa é a percepção do diretor administrativo para a Europa, Oriente Médio e África da firma de consultoria de risco Kroll Experts, Benedict Hamilton, segundo o site The American Lawyer. Para ele, o que aconteceu com a Mossack Fonseca, poderia ter acontecido com a maioria dos escritórios de advocacia, porque eles não estão tomando as medidas de segurança necessárias para a proteção de dados privados.

“Nenhum escritório pode se proteger totalmente contra um empregado que abusa da confiança e rouba seus dados, mas há medidas que podem ser tomadas para impedir o vazamento de documentos, seja por funcionários ou por hackers”, disse.

Depois da divulgação de parte dos documentos, o Mossack Fonseca disse em comunicado que se declara “vítima” de criminosos cibernéticos que invadiram seu sistema e que tem certeza de que o vazamento não foi um trabalho interno. "O vazamento está sendo investigado e se os hackers forem identificados, eles serão processados.”

Os Panama Papers, que ocuparam 2,5 terabytes de documentos, foram dados ao jornal alemão Suddeutsche Zeitung, que os compartilhou com a organização Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Foram necessários 400 jornalistas para trabalhar a primeira leva de documentos divulgados. Muita coisa ainda poderá emergir.

O vazamento dos registros nos Panama Papers ocorreu 48 horas após circularem informações de que 48 escritórios de advocacia foram “atacados” por criminosos cibernéticos, que invadiram (ou tentaram invadir) seus sistemas para buscar informações sobre aquisições e fusões.

Para o advogado Rohan Massey, sócio especializado em privacidade e segurança de dados da banca Ropes & Gray, o risco que os escritórios de advocacia correm de sofrer ataques cibernéticos é “incrivelmente real” e sempre serão alvos de ataques por causa da sensibilidade das informações que detêm.

“Temos de examinar o problema como uma classe profissional. Não tomamos as medidas necessárias porque nosso foco é sempre o cliente, mas precisamos nos adaptar.”

O presidente da Lieberman Software, Philip Lieberman, disse ao site que os clientes, especialmente os mais sofisticados, estão ficando cada vez mais exigentes sobre a segurança de seus dados nos sistemas dos escritórios de advocacia. Por isso, as bancas devem se antecipar e melhorar a segurança de seus sistemas.

"Há algumas bancas que já dispõem de recursos automatizados e adaptáveis de defesa cibernética excelente, mas a maioria ainda são muito vulneráveis."

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 10 de abril de 2016, 10h24

Comentários de leitores

2 comentários

Algo errado na matéria

Müller W (Outros)

Prezados: eu acho que, moralmente, tem algo de errado na matéria. O que nós, cidadãos de bem, temos que fazer, é agradecer que dados como estes, de falsificação, ocultação de patrimônio, falcatruas, possam ser descobertos e evidenciados. A matéria, como está inserida, me levou à interpretação de que os negócios escusos precisam continuar existindo e aprimorados, que o crime deve continuar e prosperar. Pelo contrário, quem tem algo a esconder deve ser desmascarado. Da forma como foi escrita, dá-se a impressão de incentivo ao crime.

Mais que apenas mera insegurança, é o completo despreparo

Bruno Kussler Marques (Advogado Autônomo - Internet e Tecnologia)

Infelizmente os advogados de modo em geral, não apenas não se preocupam com segurança da informação mas são ativamente contra implementar qualquer coisa nesse sentido. Eu conheço alguns escritórios que nem sequer o mais básico do básico fazem como, por exemplo, fazer o backup dos seus arquivos. Com isso, bastaria um vírus na rede que entrou por um e-mail de um funcionário ou advogado em um momento de desatenção para perder todos os documentos do escritório. Infelizmente a segurança da informação em escritórios é virtualmente inexistente hoje, e os que tem geralmente só adotaram depois de sofrer algum tipo de "desastre". Criptografia é algo que quase nenhum advogado usa assim como backups com redundância.

Comentários encerrados em 18/04/2016.
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