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Quanto mais mexe...

MPF demonstra "pavor" ao rejeitar acareação de delatores, diz Kakay​

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“Esse é o tipo de coisa que quanto mais mexe, pior fica. Se volta, muda a questão toda”. “É igual bosta seca: mexeu, fede.” Esse foi o diálogo registrado no depoimento do doleiro Alberto Youssef depois que ele sugeriu uma acareação com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Principais delatores da operação “lava jato”, eles apresentaram versões diferentes em seus depoimentos, o que não animou o Ministério Público Federal a ouvir os dois juntos, conforme divulgou o jornal O Estado de S. Paulo na última quarta-feira (27/5).

A conduta foi agora questionada no Supremo Tribunal Federal pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende uma série de políticos citados na “lava jato”. Em nome do senador Edison Lobão (PMDB-MA) e da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB), ele enviou petições à corte alegando que “o MPF parece apavorado com a possibilidade das apontadas contradições acabarem fulminando de vez a frágil acusação e o absurdo pedido de instauração de inquérito”.

Ex-governadora do Maranhão virou alvo de investigação na operação "lava jato".
Reprodução

Lobão e Roseana estão na lista de políticos que passaram a ser investigados com base nas falas de delatores, num desdobramento do trabalho que ocorre no Paraná. Segundo Paulo Roberto Costa, Youssef intermediou o repasse de dinheiro da Petrobras em ao menos duas ocasiões: R$ 1 milhão a Lobão em 2008, quando ele era ministro de Minas e Energia, e R$ 2 milhões para a campanha de Roseana nas eleições de 2010.

Delator disse que Lobão recebeu dinheiro da Petrobras; doleiro e senador negam.
José Cruz/ABr

Youssef, porém, negou ter feito os pagamentos.  “Eu acho que o Paulo se equivocou (...) Não quer ver aquelas discrepâncias com aqueles depoimentos do Paulo Roberto?”. Foi quando ouviu a resposta de que seria melhor não mexer na história para evitar problemas.

Kakay afirma que “a acusação não quer retomar depoimentos tidos como fundamentais, pois tais narrativas fulminam a própria linha acusatória, apesar desses mesmos depoimentos serem justamente a base da acusação”.

Ainda segundo ele, o MPF demonstra apenas interesse em provas que tentem “confirmar suas frágeis premissas” e manter imputações “fantasiosas, mesmo que desmentidas pelos próprios delatores”, quando deveria ir atrás da “verdade real”. O advogado avalia que esse comportamento já é suficiente para levar ao arquivamento dos inquéritos que envolvem Lobão e Roseana.

Em abril, a defesa da ex-governadora afirmou que ela só foi citada porque integrantes da força-tarefa completaram frases de Costa e induziram as respostas dele.

A Procuradoria Regional da República não declarou publicamente se deve ou não fazer as acareações. O Ministério Público Federal no Paraná foi questionado no início da noite desta sexta sobre as frases do vídeo e as afirmações de Kakay. Não houve resposta até a publicação desta notícia.

Veja a conversa publicada pela jornalista Sonia Racy, do Estado de S.Paulo:

Youssef: “Na verdade eu quero deixar claro que eu estou aqui para colaborar, não estou aqui para omitir ou encobrir ninguém. (...) Eu acho que o Paulo se equivocou e se os doutores acharam necessário da gente ter uma conversa juntos, eu, ele e os doutores… Eu estou à disposição.”
Procurador 1: “Esse é o tipo de coisa que quanto mais mexeu, pior fica. Se volta, muda a questão toda.”
Advogado: “Com respeito à doutora Erica, é igual bosta seca: mexeu, fede.”
Procurador 1: “Do jeito que está, já está ruim. Porque você tem dois colaboradores, um dizendo uma coisa e outro dizendo outra.”
Youssef: “Para mim eu estou aqui dizendo a verdade.”
Procurador 2: “Imagina agora que são 13.” (risos)

Clique aqui e aqui para ler petições enviadas ao STF.

Veja abaixo o vídeo do depoimento de Alberto Youssef:

* Texto atualizado às 14h05 do dia 1º/6/2015, por frase equivocadamente atribuída a um procurador da República.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2015, 19h37

Comentários de leitores

5 comentários

Surdez crônica

Camila83 (Procurador do Município)

Só um problema auditivo muito sério - ou algum interesse escuso - pode explicar a atribuição do comentário ao procurador Andrey. A voz do procurador é a que aparece no início do vídeo e a voz do comentário é claramente de outra pessoa. Só lamento por este site que se diz sério.

Péssimo jornalismo, péssima advocacia e muita má-fé!

Helio Telho (Procurador da República de 1ª. Instância)

O Conjur disse que procurou Andrey e não obteve resposta. #SQN

O próprio Andrey já havia desmentido a notícia publicada pelo Estadão, que inclusive foi em parte retificada pela jornalista Sonia Racy (o Conjur continua publicando a mentira, para atender a interesses não confessados):
Confira: http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/eu-nao-fui/

Em sua página pessoal no Facebook, Andrey desmentiu Sonia Racy e também o Conjur (que publicou essa matéria sem ouvir o outro lado) e anda esclareceu que o autor da frase, na verdade, foi o ADVOGADO DE YOUSSEF: https://www.facebook.com/andrey.borgesdemendonca?fref=ts#

E agora, Conjur? Vai continuar insistindo na mentira.

E o advogado Kakai?

Ambos devem desculpas ao procurador da República Andrey.

Equívoco grosseiro

Andrey Borges de Mendonça (Procurador da República de 1ª. Instância)

A reportagem se equivoca ao me atribuir as frases constantes na reportagem. Sem qualquer direito ao contraditório, a reportagem de Felipe Luchete, descurando dos princípios mais comezinhos da ética jornalista - de ouvir previamente a parte contrária - atribui a mim uma frase que foi dita, em verdade, pelo advogado de ALBERTO YOUSSEF, o advogado LUIZ GUSTAVO RODRIGUES FLORES. Assim, foi o próprio advogado do colaborador quem disse a frase a mim atribuída: "“É igual bosta seca: mexeu, fede.” . Neste texto, a única frase por mim dita foi: “Imagina agora que são 13.” (risos). Ademais, em momento algum se afastou a possibilidade de acareação. Justamente porque referido meio de prova possui pouca efetividade, há outros meios para se verificar a verdade dos fatos, que estão claramente sendo buscados. Somente quem não conhece a investigação afirmaria coisa diversa. É triste ver o CONJUR prestando-se a uma notícia sem observância dos mínimos padrões da ética jornalística. Por fim, a própria jornalista que inicialmente fez a reportagem já havia retificado, ao menos em parte, a notícia. http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/eu-nao-fui/

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