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Segurança em xeque

OAB da Bahia pede suspensão do processo eletrônico no TJ-BA

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil da Seccional da Bahia, Luiz Viana Queiroz, pediu nessa segunda-feira (25/5) a suspensão imediata do Sistema de Automação da Justiça (e-SAJ) no Tribunal de Justiça da Bahia. A solicitação foi em resposta à denúncia de que votos dos desembargadores do TJ-BA poderiam ser alterados ou espionados devido a uma vulnerabilidade do sistema. 

A denúncia, que coloca em xeque o processo eletrônico na Bahia, partiu da desembargadora Rosita Falcão e foi publicada na imprensa no final de semana. "Se alguém entrou no sistema para examinar os meus votos, isso quer dizer que o sistema não tem nenhuma segurança", declarou a magistrada ao site Bahia Notícias. Segundo a publicação, repercutida pelo site Consultor Jurídico, a Corregedoria Geral de Justiça teria afirmado que vai apurar a denúncia.

O presidente Luiz Viana lembrou que, embora seja a favor do processo eletrônico, a OAB-BA vem criticando firmemente a forma como os sistemas vêm sendo implantados, “oferecendo riscos de danos irreparáveis à sociedade, ao Judiciário, à segurança jurídica e ao estatuto da advocacia”. “Alguns não levaram a sério nossa preocupação e nossa crítica de que a implantação do processo eletrônico estava sendo feita às pressas, de forma açodada. Deu no que deu. Despreparo, falta de estrutura, manutenção cara demais, falhas de segurança e crise do Judiciário baiano se alastra”, avaliou Viana.

Encontro com a desembargadora
O presidente da OAB baiana visitou a desembargadora Rosita Falcão em seu gabinete na tarde de segunda-feira (25/2), antes de protocolar ofício pedindo a suspensão imediata do sistema  e outras  providências ao tribunal. “As falhas de segurança do E-SAJ comprometem a jurisdição, direito fundamental dos cidadãos, e atingem a credibilidade da mais alta Corte de nosso estado, merecendo apuração, não apenas dos eventuais ilícitos disciplinares ou penais, igualmente relevantes, mas, sobretudo, da confiabilidade do sistema”, afirmou Luiz Viana.

No ofício dirigido ao presidente do TJ-BA, desembargador Eserval Rocha, o presidente da OAB-BA solicita que, diante da falta de confiabilidade e do grave risco de novas ocorrências, o magistrado determine imediata suspensão do Sistema de Automação da Justiça no âmbito do tribunal, além da imediata auditoria técnica para avaliar a segurança do sistema.

No ofício o presidente da OAB-BA pede ainda outras providências, como uma nota oficial do TJ-BA sobre os fatos ocorridos na sexta-feira (22/5), com a desembargadora, bem como sobre fatos supostamente anteriores que apontem para quebra de segurança do sistema. Luiz Viana quer ainda que o TJ-BA dê publicidade a abertura de procedimento interno para apuração dos fatos, no âmbito da Corregedoria Geral de Justiça, e que seja observado o artigo 11, parágrafo 3º, da Lei 12.965/2014 (Marco Civil da Internet), quando ao registro de conexões e seus dados.

Por fim, Viana pede que o tribunal implemente políticas de segurança com base nas normas ISO 27001, padrão internacional de segurança da informação, que precisam ser implementadas e cumpridas, “não apenas para atender as metas do CNJ, mas para garantir aos jurisdicionados a segurança do sistema”. “A OAB não defende este ou aquele software, nem esta ou aquela empresa, especialmente depois que o CNJ desenvolveu o PJe, que é gratuito”, explicou Luiz Viana. “Mas qualquer que seja o sistema tem que oferecer segurança total para os usuários”, ressaltou o presidente da OAB-BA.

Sistema vulnerável
A desembargadora Rosita Falcão conta que, na manhã de sexta-feira (22/5), durante a sessão plenária do tribunal, entrou no sistema para alterar o voto de um de seus processos. Ela teria recebido então uma mensagem de que o voto não poderia ser alterado, pois estava sendo utilizado por uma servidora, que trabalha no gabinete de outra desembargadora, embora o processo tivesse tramitado apenas em seu gabinete.

A desembargadora teria sido informada ainda, pelos seus assessores, de que o fato já teria acontecido outras vezes, quando que servidores de outros gabinetes teria invadido o sistema. Rosita Falcão informou ainda que o responsável pelo setor de TI do TJ-BA teria admitido que o sistema é vulnerável.

Outro lado
Em nota, a Assessoria de Imprensa da Softplan, desenvolvedora do SAJ, informou nesta segunda que não presta nenhum serviço para o TJ-BA desde de 19 de dezembro de 2013. E que, na época, a administração da corte não renovou o contrato com a empresa, assumindo, por meio de equipe própria, a responsabilidade pelas tarefas para a sua manutenção, a garantia da segurança das informações, suporte técnico e capacitação dos usuários.

"Nossos sistemas, assim como qualquer outro, necessitam de atualizações e manutenções constantes prestadas por equipes especializadas. No caso da corte baiana, essa responsabilidade foi inteiramente assumida pela administração do Tribunal de Justiça a partir de dezembro de 2013, o que nos impossibilita avaliar o caso de forma técnica, incluindo configurações de segurança, acesso dos usuários e auditorias disponibilizadas no sistema", afirmou a empresa. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-BA.

*Notícia alterada às 21h04 do dia 26/5 para acréscimo de informações.

 

Revista Consultor Jurídico, 26 de maio de 2015, 10h20

Comentários de leitores

2 comentários

Por um PJE acessível a todos!

Deborah Maria Prates Barbosa (Advogado Autônomo - Civil)

Como cega lembro que o CNJ rasgara a Convenção de Nova Iorque, Artigo 9, g, já que ignorara a acessibilidade. Meus leitores de tela nada leem porque os sítios do Poder Judiciário sempre EXCLUEM, ou melhor, selecionam os seus usuários. Podemos falar em igualdade? Ato de grande
arrojo do pres. Luiz Viana Queiroz pedir a suspensão do Sistema de Automação da Justiça (e-SAJ). Fica inequívoco que o PJe, da forma açodada a que fora imposto à comunidade jurídica, há que ser derrubado/detonado, vez não atender a ninguém! De bom tom seria se os integrantes
do CNJ tivessem comportamentos nobres, transcendentes e, sem que houvesse judicialização do caso, retirassem do ar o sistema natimorto. É do zero que há que ser recomeçada a infraestrutura do PJe, e com uma grande vantagem: dessa vez existirão os parâmetros de comparação, as chances serão maiores de tomar decisões acertadas. Logo, os advogados não hão que mergulhar numa amnésia; o triste episódio não merece esquecimento para que não mais se repita. Muitas vezes voltar atrás é
gesto de grande inteligência e não de retrocesso como dizem alguns.

Devagar

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Por razões desconhecidas, o fato do Tribunal de Justiça da Bahia estar sob intervenção da Corregedoria Nacional de Justiça tem sido omitido reiteradamente nas notícias sobre o referido Tribunal (http://www.conjur.com.br/2015-mai-05/nancy-andrighi-determina-intervencao-trabalho-justica-baiana). Quando a fiscalização chega, nós sabemos que há alvoroço nos tribunais, e até "operação limpeza". Natural que alguns servidores que sabem demais sejam acusados ou desmoralizados.

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