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Cenas Lamentáveis

Conmebol elimina Boca da Libertadores por agressão de torcida a jogadores

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O Tribunal de Disciplina da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) aplicou neste sábado (16/5) a pena de eliminação do Boca Juniors na Taça Libertadores da América por conta de um ataque de seus torcedores a jogadores do River Plate em partida da competição na última quinta-feira.

Além da eliminação da equipe argentina da competição, o Boca ainda deverá jogar quatro partidas organizadas pela Conmebol com os portões fechados em seu estádio, a Bombonera, onde aconteceu a confusão. O time também também perdeu o direito a ingressos como visitante em outros quatro jogos e deve pagar uma multa de US$ 200 mil.

A decisão frustra quem esperava ou torcia por uma punição mais drástica, pois o Boca não chegou a ser eliminado das futuras competições organizadas pela Conmebol — como chegou a ser cogitado. Mesmo assim, internamente é considerada emblemática por conta do histórico de punições mais brandas já aplicadas pela entidade (leia abaixo).

"Os clubes sul-americanos precisam se adaptar a esta nova fase da Conmebol, que desde 2013, com a criação do Tribunal de Disciplina, age com rigor e celeridade no que diz respeito à disciplina e moralidade do futebol. O recado está dado: vandalismo e indisciplina não são bem vindos na Libertadores", disse à reportagem o presidente do Tribunal de Disciplina da confederação, o brasileiro Caio Rocha.

É a primeira vez que um clube foi punido por "agressão premeditada e organizada" por seus torcedores contra jogadores de um time adversário, ressalta a decisão do tribunal. "É um caso grave. A decisão tomada agora servirá de precedente e parâmetro para o futuro", comentou Rocha, que também preside no Brasil o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Partida foi suspensa após jogadores terem sido atacados no retorno ao gramado.
River Plate

O caso aconteceu na partida de volta das oitavas-de-final da Taça Libertadores da América, na Bombonera, entre o Boca e seu rival, o River Plate. A partida foi suspensa depois do intervalo, quando um torcedor do Boca atirou gás pimenta no túnel que dá acesso ao gramado para o time visitante. O jogo estava empatado em 0 a 0, o que garantia a classificação ao River (que venceu a partida de ida por a 1 a 0). Com a punição, o River Plate avança à próxima fase.

Urgência
Normalmente, os cinco integrantes do tribunal de disciplina e os cinco julgadores da Câmara de Apelações reúnem-se remotamente, por teleconferência. Mas desta vez, em razão da gravidade, convocou-se reunião de emergência para as 10h30 deste sábado na sede da Confederação, em Assunção, no Paraguai. A intenção também era não alterar o cronograma da competição. O primeiro jogo contra o Cruzeiro está marcado para a próxima quinta. O Boca Juniors pode recorrer à Câmara de Apelações de Conmebol no prazo de sete dias.

Semântica
A defesa do Boca tentava remarcar a conclusão da partida para uma outra data. O diário Olé relata que a estratégia é baseada na interpretação que os advogados do clube fazem do regulamento disciplinar da Conmebol.

O documento prevê a derrota por 3 a 0 para a “equipe” que tiver responsabilidade no resultado. Em outro ponto, diz que o “clube” é responsável pelo comportamento de sua torcida. Para os argentinos, o problema partiu das arquibancadas e não teve envolvimento de seus atletas.

Na prática, o clube esperava receber uma punição institucional, sem eliminação, mas com eventual restrição de jogos na Bombonera ou aplicação multa. Mas a tese não vingou.

"Punir um clube pelas ações inapropriadas de seus torcedores é a única forma que uma confederação ou associação nacional pode atingir seus objetivos entres os quais se encontram a realização de competições livres de altercações que possam por em perigo a segurança das pessoas, jogadores e oficiais que assistem pacificamente e participam do evento esportivo", diz trecho da decisão.

Histórico
Não é a primeira vez que o Boca se vê em situação parecida. Na Libertadores de 2005, o time argentina precisava reverter em casa uma desvantagem de 4 a 0 para o Chivas Guadalajara (do México). Aos 20 minutos do segundo tempo, quando a partida estava 0 a 0 (o que garantia a classificação do time mexicano à semifinal), começou uma confusão, com a expulsão de um jogador de cada lado.

O jogador do time mexicano foi agredido por um torcedor que invadiu o campo e recebeu uma cusparada do treinador do time argentino. Pelo ocorrido, a Bombonera foi interditada por quatro jogos e o Boca multado em US$ 20 mil, nada mais — o Tribunal de Disciplina não existia à época. Meses depois, o time argentino disputou outra competição da Conmebol, a Copa Sul-Americana, da qual sagrou-se campeão.

Clique aqui para ler a decisão (em espanhol)
*Notícia atualizada às 23h30 para acréscimo de informações.

 é editor da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 16 de maio de 2015, 22h46

Comentários de leitores

1 comentário

Gás de pimenta: Reprise

MPJ (Procurador de Justiça de 2ª. Instância)

Os torcedores do Palmeiras fizeram o mesmo com os jogadores do São Paulo FC, jogaram gás de pimenta no vestiário, há 5 anos atrás, e nada aconteceu com o time infrator.

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