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Empresa italiana de vigilância digital contratada por governos é hackeada

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A empresa italiana de tecnologia Hacking Team, que vende software de vigilância para governos do mundo todo, teve seus bancos de dados invadidos no começo de julho e vazados na internet. Foram divulgados pelos hackers mais de 400 Gigabytes de informações da empresa e dos seus funcionários, além de dados de clientes que contrataram os serviços da companhia.

De acordo com as informações, divulgadas pelo site WikiLeaks (clique aqui para ver), a Polícia Federal brasileira, em 2014, teve interesse em contratar os serviços de vigilância dos italianos. Em uma troca de e-mails de funcionários da empresa em 2011, como o título “Potential Customers in Brazil Update (Atualização de clientes potenciais)”, é dito que servidores da Polícia Civil do Distrito Federal já viram “seguramente” a apresentação dos serviços de vigilância da empresa. A companhia sempre disse que só fazia negócios com governos, mas os e-mails revelam a venda para uma empresa brasileira que combate fraudes.

De acordo com a ONG Repórteres sem Fronteiras, a empresa é “mercenária digital” e considerada "inimiga da internet". O sistema de controle remoto oferecido por eles, chamado Da Vinci, quebra criptografia de e-mails, arquivos e ligações telefônicas.  Com o uso do software, é possível acessar câmeras e microfones de forma remota, gravar ligações e usar o teclado, além de rastrear o uso da internet e a troca de mensagens.

Nesta terça-feira (21/7), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) disse em comunicado que alguns países da região "são ou foram" clientes da Hacking Team e usam o software sem o devido respaldo legal. O órgão pede para as autoridades governamentais investigarem esses casos porque esl podem gerar prejuízo aos direitos à intimidade, à liberdade de pensamento e de expressão na região.

A empresa disse nesta quarta-feira (22/7), em comunicado publicado em seu site, que sempre vendeu seus software e operou dentro da lei. A Hacking Team confirma negócios com governos da Etiópia, Sudão e Rússia.

A companhia sempre disse que só vendia seus produtos para governos com bom histórico de respeito aos direitos humanos. Porém, esses países são criticados por organizações internacionais. Outros clientes da Hacking Team seriam Egito, Marrocos, Nigéria, Chile, Colômbia, Equador, México, Estados Unidos, Mongólia, Coreia do Sul, Austrália, Alemanha, Itália e Espanha.

Clique aqui para ler o comunicado da CIDH
Clique aqui para ler a lista de trocas de e-mails divulgada pelo WikiLeaks

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2015, 9h22

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