Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Sucursal do inferno

INSS, "o grande satã", é representado pelos "asseclas do demônio", diz ação

Por 

A imagem da Previdência Social não anda boa. Para uma beneficiária e seu advogado, por exemplo, a autarquia “é efetivamente o grande satã” e seus procuradores são “discípulos do demônio”. Pelo menos foi o que ela disse em pedido de concessão de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez por ter desenvolvido um problema que a impossibilitou de trabalhar.

Os impropérios ao INSS foram feitos já na petição inicial, que diz: “Definitivamente, a insana, irresponsável, indigna e maldita autarquia previdenciária brasileira (Instituto Nacional da ‘Semvergonhice Social’) é efetivamente o grande satã... e seus procuradores são os asseclas do Demônio”.

Interessante é que, assim como em todas as petições, a desse caso começa dizendo que a autora “vem respeitosamente requerer o que segue”. E o que seguiu foram as palavras acima.

Os impropérios vêm circulando as redes sociais e chamando a atenção de muita gente. A maioria vê o lado cômico, mas Procuradoria Regional Federal da 3ª Região levou a sério. O pedido tramitava em uma vara da Justiça estadual de Tatuí, no interior de São Paulo, que fica na 3ª Região. Lá não tem vara da Justiça Federal, então quem acompanha o caso é a Procuradoria Seccional Federal de Sorocaba.

A Justiça concordou com o pedido da autora e condenou o INSS a pagar auxílio-doença a ela. A decisão é de junho de 2013. Em outubro do mesmo ano, a autarquia apresentou Embargos de Declaração para que as ofensas fossem retiradas dos autos, nos termos do artigo 15 do Código de Processo Civil. E o pedido também foi acolhido, mas só em março de 2014.

Demorou, portanto, quase um ano para que o mundo das redes sociais fosse apresentado à petição. E foi tanto o barulho que a PRR-3 enviou uma nota de esclarecimento aos procuradores federais.

Na nota, a Procuradoria explica que “a petição não é recente”, mas que, ao tomar conhecimento, foi pedida a exclusão das “expressões injuriosas”. Depois, a PRR-3 enviou à 9ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB uma representação contra o advogado, “requerendo a aplicação das sanções disciplinares pertinentes”.

A representação está com o TED em Sorocaba desde setembro de 2013, mas nunca andou. E as informações colhidas pela PRR-3 são da quarta-feira (21/1).

0002548-86.2011.8.26.0624

Leia a nota de esclarecimento da PRR-3:

Prezados colegas,

Circula nas redes sociais foto de petição que se refere, de maneira irônica e, para alguns, ofensiva, ao atribuir aos procuradores que atuam defendendo o INSS a alcunha de “asseclas do Demônio”. Sobre esse caso, a PRF3 tem a esclarecer o seguinte:

1) A petição não é recente, e foi dirigida ao juízo de direito de Tatuí, comarca acompanhada pela PSF Sorocaba/SP.

2) Ao tomar conhecimento das ofensas, a procuradoria peticionou nos autos requerendo fossem riscadas aquelas expressões injuriosas, nos termos do art. 15 do CPC.

3) Tal pedido foi acolhido pelo juiz, que determinou fossem riscadas as expressões ofensivas dirigidas contra a procuradora e o INSS (copio a decisão abaixo, disponível na consulta aos autos no site do TJ de SP).

4) A PSF Sorocaba enviou ao Presidente da 9ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB (24ª Subseção – Sorocaba) o Ofício PSF/Sorocaba nº 95/2013, representando contra o advogado subscritor e requerendo a aplicação das sanções disciplinares pertinentes. A representação foi recebida em 24/09/2013 no IX TED e, segundo informação colhida hoje, o processo se encontra com vista para o relator, para proferimento de voto.

Veja a petição:

 é editor da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 22 de janeiro de 2015, 19h56

Comentários de leitores

16 comentários

Será que realmente interessa???

ratio essendi (Administrador)

Será que realmente interessa um INSS ultra eficaz e cumpridor de seus deveres? Ou o sistema deve se retroalimentar? Com efeito, a autarquia é o principal "cliente" da Justiça Federal - responsável maior pela expansão de seus quadros e interiorização - sem falar no incremento orçamentário, mormente após a criação dos Juizados Especiais Federais, em 2001. Ademais, muita gente ganha com essas mazelas e apontada ineficiência: atravessadores e intermediários para requerimentos de benefícios, advogados que militam na área, o próprio Poder Público por intermédio de acordos com deságio, em resumo, o único perdedor é o segurado que não vê seu direito, muitas vezes, reconhecido a seu tempo e modo, tendo de arcar com honorários e privações. Falta é vontade política para alterar este estado de coisas. A solução se revela simplória: basta o STF julgar com rapidez as demandas com repercussão geral reconhecida e o INSS padronizar suas orientações internas, vigorantes na seara administrativa, às decisões judiciais consolidadas! Difícil? Evidente. Estaria desfeito um nicho mercadológico que alimenta milhares de pessoas! Será que isso realmente interessa? À sociedade, certamente! Quanto aos demais agentes que figuram nesta cadeia produtiva, exorto a reflexão. Por fim, um pequeno mas não desimportante registro: não se confunda o cliente, INSS e seus atos administrativos, com seus presentantes judiciais! Se estes seriam "asseclas do demônio" o que seriam os advogados de homicidas, traficantes, estupradores, criminosos do colarinho branco, políticos envolvidos em organizações criminosas, grandes conglomerados econômicos envolvidos em corrupção etc e tal? E sem emitir nenhum juízo de valor, fica apenas uma constatação final: o brasileiro pode ser tudo, menos previdente!

Será que realmente interessa???

ratio essendi (Administrador)

Será que realmente interessa um INSS ultra eficaz e cumpridor de seus deveres? Ou o sistema deve se retroalimentar? Com efeito, a autarquia é o principal "cliente" da Justiça Federal - responsável maior pela expansão de seus quadros e interiorização - sem falar no incremento orçamentário, mormente após a criação dos Juizados Especiais Federais, em 2001. Ademais, muita gente ganha com essas mazelas e apontada ineficiência: atravessadores e intermediários para requerimentos de benefícios, advogados que militam na área, o próprio Poder Público por intermédio de acordos com deságio, em resumo, o único perdedor é o segurado que não vê seu direito, muitas vezes, reconhecido a seu tempo e modo, tendo de arcar com honorários e privações. Falta é vontade política para alterar este estado de coisas. A solução se revela simplória: basta o STF julgar com rapidez as demandas com repercussão geral reconhecida e o INSS padronizar suas orientações internas, vigorantes na seara administrativa, às decisões judiciais consolidadas! Difícil? Evidente. Estaria desfeito um nicho mercadológico que alimenta milhares de pessoas! Será que isso realmente interessa? À sociedade, certamente! Quanto aos demais agentes que figuram nesta cadeia produtiva, exorto a reflexão. Por fim, um pequeno mas não desimportante registro: não se confunda o cliente, INSS e seus atos administrativos, com seus presentantes judiciais! Se estes seriam "asseclas do demônio" o que seriam os advogados de homicidas, traficantes, estupradores, criminosos do colarinho branco, políticos envolvidos em organizações criminosas, grandes conglomerados econômicos envolvidos em corrupção etc e tal? E sem emitir nenhum juízo de valor, fica apenas uma constatação final: o brasileiro pode ser tudo, menos previdente!!!

Retificação.

Luiz Parussolo (Bancário)

Observo que minha tormenta vem de maio/2008 e não maio/2013 como redigido equivocadamente, embora conste no corpo a informação correta.

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 30/01/2015.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.