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Longa espera

INSS é condenado por demora na implantação de aposentadoria

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi condenado pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região a pagar indenização por danos morais e materiais a um segurado. O motivo foi a demora na implantação de um benefício. No caso, o autor teve de trabalhar por mais de cinco anos, apesar de ter cumprido os requisitos necessários. O homem alega que o episódio causou-lhe prejuízos de ordem material e moral no valor de R$ 475.014,89.

Segundo o autor da ação, ele teria adquirido em abril de 1998 o direito à aposentadoria junto ao INSS e à Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), sendo que esta exigia para a concessão do benefício a comprovação do deferimento da aposentadoria pela previdência oficial.

No entanto, por requerimento administrativo formulado junto ao INSS para a contagem de tempo de serviço, a autarquia deixou de considerar um período de trabalho no cálculo do seu tempo de serviço — no caso, fevereiro de 1966 a dezembro de 1971. Em razão disso, o segurado se viu obrigado a entrar na Justiça com um mandado de segurança, obtendo o reconhecimento do período. 

Na contestação da ação de indenização, o INSS afirma que, apesar de ter procedido à averbação do tempo reconhecido na decisão judicial do mandado de segurança em novembro de 1997, o pedido de aposentadoria só foi efetivado pelo autor em outubro de 2002, quando o benefício foi prontamente implantado. Com estes argumentos, a autarquia negou a existência de dano moral indenizável.

A sentença de primeiro grau negou o pedido do autor. Em sede de apelação examinada em decisão monocrática, o TRF-3 reconheceu o direito do segurado à indenização por dano moral e material. O INSS, por sua vez, também recorreu.

Averbação com ressalva
O colegiado, ao analisar o agravo da autarquia, observou que a averbação do tempo de serviço relativo somente foi levada a efeito na Carteira de Trabalho e Previdência Social do segurado após a concessão da ordem no mandado de segurança, o que ocorreu em dezembro de 1997, com a ressalva de que a ação ainda não havia transitado em julgado.

Apesar de o INSS ter sublinhado não haver qualquer evidência de recusa na concessão do benefício de aposentadoria, a ressalva na carteira de trabalho caracterizou fato impeditivo ao direito do apelante se aposentar. Em outro documento do processo a ressalva se repete em relação aos períodos concedidos por meio de mandado de segurança: “Informamos que a averbação premissa da aposentadoria não é um ato acabado, razão pela qual pedimos que guarde esta carta”.

O TRF-3 admite que o segurado não tinha alternativa a não ser seguir a recomendação de guardar o documento e esperar o trânsito em julgado da sentença que concedeu o tempo pedido pelo segurado, o que ocorreu somente em 7 de outubro de 2002, com a expedição de certidão pelo Superior Tribunal de Justiça.

Nova tentativa
O segurado alega ainda que, mesmo com a certidão e acreditando na efetiva conclusão de sua aposentadoria, foi até Brasília para conseguir sua carta de concessão de benefício de aposentadoria junto a uma empresa que presta serviços aos funcionários do Banco do Brasil em convênio com o INSS. Mais uma vez, sem sucesso.

Dessa vez, em novembro de 2002, também foi exigido um parecer da Procuradoria do INSS confirmando que não caberia mais nenhum recurso da decisão no mandado de segurança.

O colegiado ressaltou que a legislação do mandado de segurança estabelece que a ordem deve ser cumprida imediatamente e que o eventual recurso deve ser recebido apenas no efeito devolutivo. Apesar disso, interpretando ordem judicial, o INSS não efetuou as averbações na forma determinada, com reflexo imediato no tempo de serviço total do autor, permitindo que ele fosse aposentado a partir de fevereiro de 1997.

Prejuízos ao autor
Em virtude desse ato ilícito, o colegiado entendeu que foram impostas ao segurado quatro consequências passíveis dos danos materiais: 1) ele continuou trabalhando e recolhendo contribuições previdenciárias ao INSS de dezembro de 1997 a outubro de 2002, as quais devem ser ressarcidas; 2) deixou de receber a aposentadoria a que tinha direito neste período; 3) o autor deixou de receber da Previ a complementação de sua aposentadoria e possuía todos os requisitos legais que autorizam o pagamento; 4) o autor efetuou gastos com despesas processuais e honorários advocatícios, os quais devem ser ressarcidos.

A turma considera ainda que o segurado sofreu dano moral inegável, decorrente da mesma conduta do INSS, visto que teve que continuar trabalhando por mais de cinco anos, ainda que tivesse cumprido as exigências legais para a aposentadoria do INSS e para o complemento da Previ. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-3.

Processo 2003.60.00.008514-5

Revista Consultor Jurídico, 18 de janeiro de 2015, 18h16

Comentários de leitores

4 comentários

Advogado deve atuar quando efetivamente for necessário

Jefferson K. (Funcionário público)

Na absoluta maioria dos casos não é necessário advogado para requerer aposentadoria ou outro benefício no INSS. A autarquia ainda precisa melhorar bastante mas evoluiu muito nos últimos anos. Qualquer pessoa alfabetizada (leia-se conhecimento básico de web) pode acessar o site do INSS e obter toda informação que precisa, além da central telefônica 135. É evidente que existem situações em que o cidadão precisará de um advogado mas não custa nada requerer administrativamente primeiro. Acho lamentável advogados receberem honorários de clientes para praticar atos absolutamente simples que não demandam conhecimentos jurídicos como requerer uma aposentadoria no INSS. Penso que o advogado ético deveria ao analisar o caso informar ao cliente se aquela demanda necessita de litígio judicial contra o INSS ou se o requerimento administrativo atende o que o segurado precisa e se será o melhor que ele poderá obter( maioria absoluta).

Devida orientação e assistência

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A Giselda Penteado (Outros) deveria saber que não se ingressa com pedido de aposentadoria no Brasil sem advogado. Está pagando o preço por ter tentado economizar alguns reais.

Quadrilha na Previdencia

Giselda Penteado (Outros)

Fiz meu processo de aposentadoria pessoalmente. Quanto foram calcular o tal fator previdenciario pediram alguns novos documentos que demoraram para ser entregues pela Fundação Educacional do DF. Mas, quando tudo ficou pronto e para minha surpresa não recebi a carta informando para comparecer na agencia do B.Itau em Brasilia. Fui até a agencia e me informaram que estava disponivel. Quando cheguei no dia marcado na agencia havia outra mulher com a carta , meus documentos com foto dela tentando receber minha aposentadoria. E agora, essa quadrilha que recebeu meus documentos usa em emprestimos, compras a prazo e meu CPF no SERASA. Estou sem saber o que fazer com tudo de ruim que o processo de aposentadoria me trouxe.

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