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Tratamento diferenciado

Membro de Cipa vigiado em função do cargo deve ser indenizado

Por receber um tratamento diferenciado dos demais empregados por ser membro da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), um trabalhador receberá R$ 5 mil de indenização. Para a Justiça Trabalhista, a situação configura assédio moral.

Depois de trabalhar na empresa por mais de dez anos, o homem foi dispensado em 2012 sem justa causa. Ao examinar a reclamação, o juízo de primeira instância deferiu a indenização, entendendo que ficou comprovado o tratamento diferenciado pelos superiores hierárquicos, o que chamava a atenção de seus colegas.

Isso, de acordo com a sentença, gerou um ambiente de trabalho hostil, causando, portanto, ofensa à honra e dignidade do empregado, inclusive com constrangimento indevido perante os outros funcionários.

O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT-PR), analisando os depoimentos das testemunhas, ressaltou que, diferentemente dos demais empregados, o inspetor era sempre vigiado pelos superiores hierárquicos ou por outro empregado a mando deles. De acordo com a decisão, para todos os setores aonde ia, inclusive banheiro, o tempo era controlado, "sendo violados os direitos à integridade moral e à dignidade da pessoa humana".

Uma das testemunhas contou que não era obrigada a observar dessa forma outros funcionários, e que o encarregado teria dito que o motivo para o inspetor ser observado dessa forma era por ser membro de Cipa. Diante desse quadro, o TRT confirmou a sentença, julgando devida a indenização por assédio moral. Porém, negou provimento ao recurso do empregado para majorar o valor e também ao da empresa, que requeria o fim da condenação ou a redução para R$ 1 mil.

Após essa decisão, o trabalhador recorreu ao TST. Ele alegou que a quantia era insuficiente para reparar o dano causado pela perseguição e tratamento diferenciado, e que a sentença não teria levado em conta a capacidade do ofensor. Porém, ao analisar o recurso do trabalhador, o ministro Márcio Eurico Vitral Amaro concluiu que não havia motivo para aumento do valor da condenação.

"A jurisprudência dos tribunais brasileiros não admite o enriquecimento sem causa", salientou. A indenização por danos morais deve ser fixada, acrescentou o ministro, "com fins pedagógico e compensatório, buscando mitigar o prejuízo e restringir a atitude do empregador, para que não cause novos danos a seus empregados". Ele observou que, ao fixar o valor da indenização, o Tribunal Regional "pautou-se nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, em obediência aos critérios de justiça e equidade". Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

RR-31-45.2013.5.09.0242

Revista Consultor Jurídico, 17 de janeiro de 2015, 8h00

Comentários de leitores

1 comentário

membro da cipa vigiado

radiocunha (Outros)

Mais uma vez fica provado que a Justiça Trabalhista é a justiça dos desempregados. Os patrões assediam seus empregados de todas as formas, inclusive " vigiando" aqueles que representam os trabalhadores, como os cipeiros, dirigentes sindicais ( titulares e suplentes), mesmo esses tendo imunidade. Findo o mandato e o período da imunidade e esses trabalhadores tem que buscar seus direitos via judicial. Em parte a culpa cabe ao MTb , que com quadros insuficientes em suas SRTE ( estaduais e municiais), não conseguem fiscalizar todas as empresas e concentram suas ações no trabalho escravo ( rural) e trabalho infantil

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