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"Lava jato"

Ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró é preso pela Polícia Federal

Nestor Cerveró [Reprodução]A Polícia Federal prendeu, na madrugada desta quarta-feira (14/2), o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró (foto), acusado de envolvimento nos crimes investigados na operação "lava jato". Ele foi preso no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, quando retornava de uma viagem a Londres.

Ao portal G1, o advogado de defesa Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, considerou a prisão foi arbitrária, afirmando que o executivo está desde abril à disposição da Justiça e da Polícia para prestar esclarecimentos. "Entrei com petições informando isso e em momento algum ele foi procurado. Além disso, antes de embarcar, informei que ele estava indo para Londres e forneci o endereço onde ele ficaria."

Em nota, o Ministério Público Federal declarou existirem indícios de que ele “continua a praticar crimes e a a transferir bens a seus familiares”. Na avaliação do MPF, a custódia cautelar foi necessária para “resguardar a ordem pública e econômica e para evitar a continuidade dos crimes que vinham sendo praticados pelo ex-dirigente.  

Informações obtidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicavam, entre outras coisas, que o executivo tentou transferir para sua filha R$ 500 mil, em uma operação em que perderia soma considerável de dinheiro, além de imóveis adquiridos com recursos de origem duvidosa e por valores abaixo dos praticados no mercado.

Quem assinou a ordem da prisão foi o juiz federal Marcos Josegrei da Siva, durante plantão judiciário no dia 1º de janeiro. Durante a madrugada desta quarta foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Cerveró e de parentes. Cerveró passou toda a madrugada em uma sala especial determinada pela PF nas dependências do terminal aeroportuário, de onde seguiu em avião de carreira para Curitiba, onde estão presos outros acusados de participar da operação "lava jato".

Denúncia do MPF
Nestor Cerveró foi denunciado em dezembro, por lavagem de dinheiro e corrupção ativa, quando passou a réu no processo da operação "lava jato", juntamente com o doleiro Alberto Youssef,  com Fernando Antonio Falcão Soares, que seria o operador do PMDB no esquema, além de empresários de várias empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras.

Segundo a acusação, Cerveró recebeu propina para viabilizar a compra de um navio sonda para perfurar águas profundas, em 2006. A denúncia afirma que ele cobrou US$ 15 milhões do empresário Julio Camargo, do grupo Toyo Setal, para concluir a “negociação em bom êxito junto à Diretoria Internacional”. O intermediário da negociação seria Fernando Soares, conhecido como Baiano. Os dois também viraram réus, assim como o doleiro Alberto Youssef, que responderá por suposto crime de lavagem de dinheiro.

Segundo o juiz federal Sergio Moro, responsável por julgar todos os casos ligados à operação “lava jato” na 13ª Vara Federal de Curitiba, as informações incluídas na denúncia são suficientes para abrir um processo. “Embora o quadro probatório não esteja completo, o fato é que, nessa fase processual, (...) tais elementos documentais, aliados aos depoimentos dos criminosos colaboradores e à aludida falta de esclarecimentos pelo acusado Fernando, conferem justa causa à denúncia.” Com informações da Agência Brasil.

Clique aqui para ler a decisão sobre a prisão.

* Texto atualizado às 15h45 para acréscimo de informação.

Revista Consultor Jurídico, 14 de janeiro de 2015, 10h50

Comentários de leitores

4 comentários

Ajuda da Justiça

Pek Cop (Outros)

Se a maioria dos especialistas do Direito que são os Advogados acreditam que a prisão de Cerveró de certa forma o favorece em sua defesa....será que o Juíz não sofreu pressão e fez isso para abrir precedentes para o investigado se safar das acusações....com um governo como o PT eu não duvido!!!!

Impacto de uma Prisão repercute mais

Luiz Fernando Vieira Caldas (Contabilista)

Concordo, mesmo não tendo formação juridica, com o Dr. Fernando José Gonçalves. Mas uma "prisãozinha" , mesmo provisoria, causa maoir impacto na opinião publica. O intutito, s.m.j é enrrolar a massa.(perdão aos poucos brasileiros, que não estão inseridos no contesto de "MASSA")

Não entendi

LeandroRoth (Oficial de Justiça)

Não li os autos nem a decisão do juiz, mas, a julgar pela reportagem da CONJUR, é incompreensível a motivação da prisão.
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Se o réu/indiciado estava a se desfazer de seu patrimônio no afã de frustrar futura execução com o fim de reaver bens obtidos com dinheiro ilícito, não seria o caso, como o colega abaixo colocou, de bloquer seus bens. A legislação não permite isso?
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Pelos indícios o Ceveró estava a fazer verdadeira "fraude contra credores" (sendo o potencial credor o Estado, que tomaria seus bens quando eventualmente provada a ilicitude do dinheiro usado para adquiri-los). Tal questão é essencialmente patrimonial e não acho o remédio jurídico idôneo de acordo com nosso ordenamento seja a prisão preventiva.

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