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Charlie Hebdo

Dizer coisas desagradáveis a quem não quer ouvi-las é um direito universal

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Neste mundo dominado pelo politicamente correto, está cada vez mais difícil fazer graça. Que o diga a brava equipe de jornalistas da revista francesa humorística Charlie Hebdo, que teve 12 de seus membros exterminados por extremistas islâmicos na manhã de quarta-feira (7/1), pelo simples fato de manifestar suas ideias e posições por meio de piadas.

Contra a intolerância dos radicais de qualquer espécie os argumentos são inúteis. Mas convém chamar à razão aqueles que tentam, se não justificar, pelo menos desculpar o atentado tresloucado contra a liberdade de manifestação do pensamento com a alegação de que os humoristas da Charlie, com sua irreverência iconoclasta, ofenderam as crenças religiosas dos muçulmanos. Bobagem.

Do ponto de vista subjetivo pode-se dizer que as charges que serviram de pretexto para desencadear a fúria dos fundamentalistas falam muito mais da insanidade de alguns seguidores do islamismo do que dos preceitos religiosos islâmicos. Uma charge do próprio Charlie Hebdo explica bem a situação. Na caricatura, aparece o profeta Maomé, aos prantos, dizendo: “É duro ser amado por idiotas...” [imagem à direita]. Não há, pois, no caso, um conflito entre liberdade de expressão e liberdade religiosa.

Objetivamente, o que se pode dizer é que a liberdade de expressão se tornou um direito universal da humanidade justamente para se dizerem coisas que possam ser desagradáveis para alguém que não quer ouvi-las. Para dizer amém, não é preciso garantias. E nem democracia. Como dizia Millôr Fernandes, um dos mais brilhantes humoristas brasileiros, morto em 2012, “imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

O massacre na redação da Charlie Hebdo e suas repercussões mostram duas maneiras de se ver a vida: de um lado estão os que acreditam na força das ideias, na observância das regras de convivência, na liberdade e no respeito ao ser humano. De outro estão os que acham que têm razão e que todos estão obrigados a ter a sua mesma razão. Não precisam ser muçulmanos, cristãos ou ateus. O tipo existe para todos os gostos e crenças. Quando eles prevalecem, o resultado é sempre parecido com o que aconteceu em Paris na manhã do dia 7 de janeiro de 2015.

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 8 de janeiro de 2015, 14h04

Comentários de leitores

35 comentários

Liberdade sem limites

José Arlindo Siqueira da Silva (Funcionário público)

Há uma confusão a respeito da interpretação do teor de alguns comentários postados. Creio que não se trata de justificar ou não assassinatos e terrorismo, como o advogado anônimo Sê e o comerciante Sil interpretaram. Discordar do artigo do Dr. Maurício, não quer dizer justificar o ato insano de indivíduos radicais islâmicos. Creio também que nada tem que ver com religião, mas com a convivência entre pessoas em sociedade. Abomino quaisquer atos de violência sob quaisquer pretextos, e essa tragédia fez-me reafirmar o que penso a respeito das liberdades desde quando foram pensadas pelos filósofos iluministas. Para não perder tempo escrevendo o que outros escreveram muito melhor, sugiro que leiam os seguintes textos publicados na Carta Maior, inclusive ao Dr. Maurício Cardoso, pois eles retratam exatamente o que penso a respeito da questão das liberdades. Creio que não será uma perda de tempo as suas leituras, pois podem contribuir para o debate sobre a liberdade sem limites e insensata da maioria das mídias, hoje, no ocidente. Não esqueçamos que sempre haverá (e a história está aí para comprovar o que digo) pessoas insanas que não suportam se sentir caluniadas, injuriadas ou ridicularizadas, por mais que seja em nome da liberdade de expressão, por mais que seja em nome do riso e da sátira. Não esqueçamos, também, que o conceito Ocidental de liberdade e democracia não tem o mesmo significado para povos "não Ocidentais". Enfim, seguem os links: http://cartamaior.com.br/?/Coluna/Je-ne-suis-pas-Charlie-eu-nao-sou-Charlie/32598
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Entre-a-liberdade-sem-limites-e-a-liberdade-de-estabelecer-limites/4/32609.

Olá

Professora Gisele Leite (Professor)

Parabenizo-lhe pela lucidez e pela simplicidade.
Abraços
Gisele

Entendi.

Valdir Resende (Outros)

Acho que já entendi. A Conjur não é uma publicação que mereça ser levada a sério. Viva a (falta de) ética midiática!

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