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Competência genérica

Técnico judiciário que atua como analista não está em desvio de função

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Pesquisar a jurisprudência e a doutrina, elaborar minutas de documentos judiciais e redigir despachos não são atividades exclusivas do cargo de analista judiciário, ocupado por servidor com curso de Direito. Estas atribuições também estão no escopo do servidor que atua como técnico judiciário, de nível médio. O entendimento levou a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a manter, integralmente, sentença que indeferiu pedido de pagamento de diferenças salariais por desvio de função a uma servidora da Justiça Federal do interior gaúcho.

"A questão é semelhante à dos técnicos e analistas do Seguro Social [INSS], em que a jurisprudência atual tem entendido inexistente o desvio de função, na medida em que as atribuições dos cargos, de forma ampla, permitem o desempenho de inúmeras funções por ambos os cargos", comparou o juiz substituto Bruno Brum Ribas, da 4ª Vara Federal de Porto Alegre.

Ribas afirmou que a Administração do Poder Judiciário tende a reduzir a quantidade de técnicos judiciários e a aumentar a de analistas, em função das exigências do processo eletrônico. "Disso não decorre, necessariamente, que todos os atuais técnicos exerçam atividades incompatíveis com as atribuições do cargo, mas apenas que se quer prestigiar e selecionar, para os próximos concursos, servidores com escolaridade superior, que constitua verdadeira exigência do cargo público, o que atualmente não ocorre", anotou na sentença.

O desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, que negou a Apelação em caráter monocrático, explicou que as atribuições do técnico judiciário envolvem atividades técnicas e administrativas, necessárias ao desempenho das competências da Justiça Federal. Ou seja, há uma previsão genérica para a sua atuação, que deve, contudo, estar restrita a tarefas de complexidade condizente com o cargo, que não extrapolem da rotina administrativa do órgão.

"No caso, não se vislumbra que as tarefas desempenhadas pela autora eram, de modo permanente, exclusivas do cargo de analista judiciário. Logo, considerando que a caracterização do desvio de função é situação excepcional, em face do princípio da legalidade, não se pode reconhecer o direito postulado", escreveu em sua decisão, proferida na sessão do dia 2 de dezembro.

O caso
Lotada na 3ª Vara Federal de Passo Fundo (RS) desde 2002, no cargo de técnico judiciário, a autora disse que, na prática, vem exercendo atividades de nível superior, pertinentes ao cargo de analista judiciário. Cabe a este último elaborar minutas de despacho, de decisões interlocutórias e de sentenças, bem como pesquisar a legislação e a doutrina – ou seja, tarefas relacionadas à atividade-fim da Justiça Federal. Sustentou que a situação é corriqueira na Justiça Federal, de conhecimento do Conselho Nacional de Justiça e agravada com a criação do processo eletrônico. Em função do desvio de função, pediu o pagamento das diferenças remuneratórias entre os cargos.

Citada, a União apresentou contestação. No mérito, negou a ocorrência de desvio de função, relatando que a autora ocupou, como titular ou substituta, inúmeras funções comissionadas, as quais prevêem o desempenho das atividades mencionadas. Além disso, garantiu que não há prova efetiva do alegado desvio e da sua habitualidade. Mesmo assim, destacou, o presumível exercício esporádico de algumas funções afetas ao cargo de analista judiciário não caracterizaria infração funcional a redundar em pagamento de diferenças remuneratórias.

Clique aqui para ler a sentença.

Clique aqui para ler a decisão do TRF-4. 

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio Grande do Sul.

Revista Consultor Jurídico, 1 de janeiro de 2015, 9h05

Comentários de leitores

9 comentários

Embargos de Declaração

Fontes Mendes (Bacharel - Tributária)

Uma das decisões mais absurdas e contraditórias que já vi:"Pesquisar a jurisprudência e a doutrina, elaborar minutas de documentos judiciais e redigir despachos" e "Estas atribuições também estão no escopo do servidor que atua como técnico judiciário, de nível médio".
Por favor juízes. Sejam mais honestos. Bastava dizer que o dinheiro do desvio de função já fora desviado para o pagamento de auxílio moradia criado por despacho. Ou apenas que a lei, no Brasil, é aquilo que agrada aos juízes.

ignorância ou má-fé

frank_rj (Outro)

leio este site especializado pelo interesse nas opiniões com as quais eu concorde ou não, desde que abalizadas. difícil deparar com textos como o de ''daniel - outros', que nada colaboram com o debate. sou profissional de tecnologia e atuo há mais de quinze anos na automatização do processo judicial, com o privilégio de circular por vários tribunais, inclusive superiores. com satisfação atestei o bom preparo da maioria dos servidores do poder judiciário federal. coerente a opinião de 'Raphael - advogado' que demonstra melhor conhecimento. o que vejo até hoje são técnicos e analistas redigindo decisões, despachos, sentenças, etc. e juízes levando a fama. tribunais, especialmente superiores, também ficam com a fama quando decidem temas importantes como se tivessem descoberto a pólvora. em geral quando as causam lá chegam já foram mais que debatidas pelos juízes de primeiro grau.

solução para isto é simples.... manda os dois embora

daniel (Outros - Administrativa)

solução para isto é simples.... manda os dois embora (técnico e analista), terceiriza tudo, uma vez que são apenas atividade meio e não fim..... Assim, acaba com estas mordomias e disputas internas...

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