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Solidariedade corporativa

Apuração de crimes de esquadrões da morte é mais lenta, diz professor

Para o professor e pesquisador de Cambridge, no Reino Unido, Graham Denyer Willis, as dificuldades encontradas para se apurar um crime no Brasil são maiores quando quem cometeu o ato é um policial. O docente, autor do livro Consenso assassino: Polícia, crime organizado, e a regulação da vida e da morte no Brasil urbano, concedeu entrevista à Folha de S.Paulo e falou sobre os esquadrões da morte.

Segundo Willis, que acompanhou diligências policiais entre 2009 e 2012, os assassinatos cometidos por esquadrões da morte são diferentes dos cometidos pelo crime organizado e sua apuração é mais lenta devido ao processo administrativo inerente aos atos envolvendo agentes de segurança pública. “Esse é um padrão muito específico da violência: homens encapuzados, geralmente em motocicletas, atiram em todos”, explicou.

O professor também diz que a própria corporação finge que esses casos não ocorrem ou que os policiais não estão envolvidos no fato investigado. “Existe uma ideia de que todos têm de se unir quando um policial é atacado. Se algum policial pregar contra uma retaliação, ele será mal visto internamente e será um alvo fácil”, contou.

Willis afirmou, ainda, que as chacinas ocorrem de maneira reacionária, em resposta a algum ato considerado injusto. “Como em Osasco e Barueri, observamos a morte de um guarda civil metropolitano e de um policial militar”, disse.

O canadense também ressaltou que há uma cultura de solidariedade dentro das organizações policiais que é resultado da insegurança pela sequência de mortes de colegas.“Houve vezes em que saía com policiais para um investigação e percebia que eles estavam aterrorizados. Não admitiam, mas era evidente que estavam”, contou.

Revista Consultor Jurídico, 31 de agosto de 2015, 18h31

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