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Lista negra

Plano de saúde é obrigado a aceitar clientes inadimplentes, diz TRF-2

A Unimed Belém não pode mais cobrar a extinção de dívidas anteriores para admitir clientes em seus planos de saúde. A prática agora vetada foi nomeada como “lista negra” pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, ré de Mandado de Segurança movido pela cooperativa, em 2010, na Justiça Federal no Rio de Janeiro. A decisão é do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Com a decisão, os desembargadores da 7ª turma do TRF-2 revertem a liminar da 28ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que em 2011 impediu a ANS de exigir da operadora a admissão de inadimplentes e ordenou a anulação de multas aplicadas por essa razão. Em parecer ao tribunal sobre um recurso da agência, a procuradora regional Beatriz Christo se opôs à limitação a inadimplentes para contratar o plano.

Ao processar a ANS, a Unimed Belém alegou que a agência ampliara indevidamente a interpretação da Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98). Segundo a norma, “em razão da idade do consumidor, ou da condição de pessoa portadora de deficiência, ninguém pode ser impedido de participar de planos privados de assistência à saúde”. Para a ANS, em hipótese alguma, e não só nas explícitas no início do artigo (idosos e portadores de deficiência), a operadora pode se recusar a contratar com uma pessoa interessada em um plano de saúde.

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região se manifestou ao tribunal no papel de fiscal da lei (custos legis), e não como autora da ação. No parecer, a procuradora regional Beatriz Christo afirmou que a visão da Unimed Belém é “generalista e pouco detalhada, não comprovando que a interpretação dada pela ANS aplica-se de modo sistemático, o que de fato importaria em inovação jurídica na ordem pública”.

Na manifestação, a PRR-2 se opõe à aplicação da decisão liminar a todo caso futuro de imposição do limite de ser contratada por inadimplentes, o que poderia causar um “verdadeiro abuso do Direito”. A decisão do tribunal cita que, dada a atuação de apenas duas operadoras de saúde na região de Belém, o impedimento de nova contratação de plano por cliente inadimplente até a extinção de seu débito contraria o Código de Defesa do Consumidor. Com informações da Assessoria de Imprensa da PRR-2.

Revista Consultor Jurídico, 24 de maio de 2014, 11h34

Comentários de leitores

1 comentário

ANS + judiciário + inadimplentes Vs todo o resto do povo

Guibro (Assessor Técnico)

É básico, tanto no direito quanto na economia, que, se uma parte não cumpre o seu acordo, a outra também não é obrigada a cumprir (se eu te vendo um bolo por dez reais, mas você não paga, eu não sou obrigado a te entregar o bolo, muito menos de continuar fazendo bolos pra você, sendo passado pra trás).
Na decisão comentada, que merece repúdio, o Judiciário decidiu que o inadimplente deve continuar recebendo serviços. Essa decisão tem o potencial de prejudicar o equilíbrio financeiro de todo o setor de planos de saúde e de repassar esse prejuízo para todos os outros clientes corretos, de bem, que pagam suas dívidas.
Essa ideia de tentar proteger os devedores, sem atentar para as diversas consequências negativas disso, é reflexo de uma mentalidade paternalista, e anticapitalista, que só pode ter como resultado serviços ruins e pouca concorrência no setor, pois esse tipo de ingerência da ANS e do Judiciário retiram toda a previsibilidade do negócio, afastando investimentos que ampliariam a oferta de serviços.

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