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Ideias do Milênio

"O homem contemporâneo está cada vez mais sozinho"

Entrevista concedida pelo escritor cubano Leonardo Padura, autor do livro O homem que amava os cachorros, ao jornalista Marcelo Lins, para o programa Milênio, da Globo News. O Milênio é um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinatura Globo News às 23h30 de segunda-feira.

Leonardo Padura [Reprodução/GloboNews]No início dos anos 70 o elenco de estrelas levou ao cinema os episódios mais nebulosos da história política do século XX. Um traidor, assassino! Inimigo do povo! Leon Davidovitch Trotsky... traidor do Estado dos Trabalhadores! O assassinato de Trotsky do Diretor Joseph Losey tinha Richard Button como revolucionário e grande rival de Stalin e o galã Alan Dulon como Frank Jackson pseudônimo de Renon Mercader o homem que matou Trotsky no México a mando de Moscou. Socorro! O filme não chegou a ser um sucesso e o episodio histórico voltou um relativo ostracismo. Isso até o escritor cubano Leonardo Padura escrever: O homem que amava os cachorros. Padura esteve recentemente no Brasil para lançar o livrão de mais de 600 páginas, resultado de uma minuciosa pesquisa, elogiado por críticos de vários países e de todos os matizes ideológicos. O livro é considerado a grande obra do autor mais conhecido como criador do inspetor Mario Conde. Acho que o romance policial conecta você diretamente com o social. Admirador de Garcia Marquez mas também de Dashiell Hammett, Raymond Chandler e do brasileiro Ruben Fonseca, Leonardo Padura Fuentes sempre viveu em Cuba, onde hoje consegue trabalhar com uma independência conquistada, segundo ele depois de muita luta. Na passagem pelo Rio de Janeiro ao lado da mulher Lucia, Padura falou ao Marcelo Lins sobre a importância do jornalismo na sua formação como escritor, a relação entre Brasil e Cuba e o futuro que espera para o seu país entre outros temas. 

Marcelo Lins — Leonardo Padura, você está no Brasil com este grande livro. Grande em todos os sentidos, pois são 600 páginas. O Homem Que Amava os Cachorros, El hombre que amaba a lós perros, um romance de ficção, mas com uma ampla base histórica. Este livro foi lançado há quase cinco anos em Cuba e chegou ao Brasil só agora. O que você pretendia inicialmente com este livro?
Leonardo Padura — É um livro com muitos propósitos, mas acho que um é fundamental: falar do que foi a utopia socialista do século 20 e sobre como o stalinismo perveteu essa utopia. Por isso, utilizo o personagem de Leon Trotsky como protagonista da história. Como o leitor fica sabendo antes de começar a ler, o romance conta o assassinato de Trotsky cometido por Ramón Mercader. Para isso, tive de fazer um trabalho muito árduo, montando a história para que o leitor que conhecer o clímax do livro ainda se sinta atraído pela história e queira continuar lendo. O jogo da relação entre o que podia ter ocorrido, e que na mente de Trotsky e nas de outros comunistas da época ocorreu de fato, a sociedade igualitária, e o que acabou ocorrendo e levante à desintegração da União Soviética, que desabou por si mesma, é nisso que se baseia o interesse deste romance.

Marcelo Lins — Se pensarmos na acolhida de seus livros mais recentes e também dos mais antigos e considerarmos as críticas na imprensa internacional, desde a mais de direita até a imprensa de esquerda, vemos que você consegue atingir um público bem amplo.
Leonardo Padura — Os livros permitem muitas leituras e isso é importante. O escritor tem recursos para conduzir o leitor por certas trilhas que escolhe, mas também precisa dar-lhe uma margem de liberdade. A edição norte-americana de O Homem Que Amava os Cachorros recebeu ótimas críticas nos jornais mais importantes dos Estados Unidos. Praticamente sem que a editora fizesse nada. Um jornalista leu o livro, gostou do romance, e isso teve um efeito dominó no Wall Street Journal, no Washington Post, no New York Times. Isso me deixa muito satisfeito, porque significa que um livro de literatura ainda consegue, hoje, conquistar um espaço entre os leitores e críticos do mundo.

Marcelo Lins — Em certo momento, se me recordo bem, houve diferenças entre a acolhida da crítica internacional, fora de Cuba, e a crítica cubana. Isso é coisa do passado, ou ainda é um padrão?
Leonardo Padura — O problema da crítica cubana é ser uma crítica por ausência. Muitas vezes, meus livros têm poucos comentários na imprensa cubana, e acho que essa é uma resposta de certa mídia oficial ao que minha literatura diz. Eu moro em Cuba, trabalho em Cuba, faz alguns anos, ganhei o prêmio nacional de literatura. Sou, então, um cidadão que vive nessa sociedade e acho que isso me dá o direito de falar dessa sociedade, mas certas estruturas culturais ou jornalísticas preferem não comentar muito os meus livros. Às vezes, o arquivo de imprensa que trago da Alemanha é assim, e o que tenho de Cuba são só duas folhinhas.

Marcelo Lins — O seu reconhecimento atual é basicamente o resultado direto de seu trabalho como escritor de ficção, de romances. Mas você também trabalhou como jornalista alguns anos. Qual foi a influência dessa experiência como jornalista em sua vida e no seu trabalho de escritor de ficção.
Leonardo Padura — Eu sou as duas coisas. Nunca deixei de ser jornalista e, quando trabalhava profissionalmente com isso, também escrevia literatura. Desenvolvi paralelamente as duas carreiras e continuo fazendo isso. Em um período bem importante na minha vida, entre 1983 e 1989, trabalhei em um jornal. Lá pude fazer um tipo de trabalho jornalístico diferente no sentido de que não era informativo. Era um trabalho de pesquisa, de busca por personagens históricos, de situações interessantes da cultura cubana. E fiz esse trabalho com muita liberdade e com muitos recursos literários. Eu devo demais ao jornalismo. E, também, isso me permite continuar tendo, hoje, uma relação muito mais direta com a realidade. Eu escrevo um romance a cada quatro anos. E os comentários sobre a realidade estão matizados pela literatura e pela própria trama da história que conto. Mas, quando escrevo uma crônica de duas folhas, posso falar de um assunto da vida cubana. Então, o jornalismo me ajuda muito na minha capacidade e necessidade de expressão.

Marcelo Lins — É possível ser independente vivendo em Cuba e trabalhar com certo grau de liberdade razoável?
Leonardo Padura — É difícil, mas é possível. Eu lutei muito por minha independência. Nessa época que trabalhei no jornal, tive uma grande liberdade devido a uma série de conjunturas na redação do jornal que permitiu isso, mas isso não era o normal. Nos anos 90, deixei o jornalismo como profissão e comecei a escrever mais literatura, mas sem deixar de fazer jornalismo. E na literatura, a margem de liberdade é bem maior. E eu a aproveito. Sabemos que em todas as sociedades e realidades existem limites. Isso, porque, muitas vezes, existem expressões ou apreciações da realidade que podem ser ofensivas de um ponto de vista étnico, sexual, de gênero, religioso... E a gente precisa colocar um freio porque precisa respeitar os outros. E, às vezes, existem freios políticos. Em um país como Cuba, é bem evidente que existem. Mas eu posso garantir que eu, nos últimos anos, tenho escrito, em Cuba, com grande liberdade.

Marcelo Lins — Você acha, então, que essa situação vem mudando, que é um processo de mudança?
Leonardo Padura — É um processo que tem melhorado, tem mudado. Não acho que isso se deva tanto à vontade do governo quanto à pressão da realidade e dos artistas cubanos. Meu caso não é o único. Com um grupo de escritores em Cuba, vimos procurando abrir as paredes da tolerância e alargar essa margem na qual podemos trabalhar.

Marcelo Lins — O fato de escolher o romance policial como foco de seu trabalho foi uma decisão racional desde o início, ou, conforme dizem alguns, uma estratégia para falar de coisas das quais seria mais difícil falar de outra forma? Para fugir um pouco do político diretamente, mas falar de todas as circunstâncias que envolvem a sociedade?
Leonardo Padura — Acho que o romance policial conecta você diretamente com o social. Depende do tipo da literatura policial que você fizer. Você pode fazer um tipo de literatura policial fechado em um quarto ao estilo inglês de 1930. Mas, dos anos 60 até hoje, a literatura policial tem ganhado um grande cunho social. Vocês têm aqui, no Brasil, um mestre desse tipo de literatura, que é Rubem Fonseca. Ele transformou o romance policial em grande literatura e em uma grande literatura social. Ele é e sempre foi um de meus modelos. Leonardo Sciascia, o italiano, Rubem Fonseca, Manuel Vázquez Montalbán, espanhol. Eu escrevo romance policial porque gosto muito do gênero. Acho que é um romance que conserva uma virtude que, muitas vezes, se perde, e que é o fator de sucesso de muitas narrativas: ele tem um princípio, um meio e um fim. Você precisa contar uma história. E gosto de contar histórias e de que me contem histórias. E se, além disso, essas histórias têm um cunho social e podem falar de uma determinada conjuntura pela qual um país ou uma sociedade está passando, com os indivíduos dessa sociedade, acho que se está fazendo literatura.

Marcelo Lins — E no seu trabalho com o romance policial, você criou um personagem, talvez não mítico ainda, mas, sim, clássico, nos romances policiais, que é Mario Conde. Um tenente com inclinações intelectuais que começa na polícia e, depois, sai da polícia. Onde você viu Mario Conde, quando começou a trabalhar com ele, e onde está Mario Conde hoje?
Leonardo Padura – Quando comecei, o obriguei a ser policial. Por que digo isso? A verossimilhança é muito importante na literatura policial, e não seria verossímil, em um romance escrito em Cuba em 1990, que alguém fizesse uma investigação policial sem ser membro da polícia. E por isso Mario Conde é policial. Mas, pelo seu caráter, ele é antipolicial. É um homem que se revela contra o poder. O uso da violência o agride, é um homem sensível, inteligente. Ele é o antipolicial. E o mantive como policial em quatro romances. Até que ele se revoltou e disse: “Não sou mais policial.” E no quarto romance da série, o tirei da polícia. Depois, escrevi mais três romances em que Mario Conde trabalha com compra e venda de livros usados. Procurei uma profissão na que ele estivesse perto da literatura e da rua, para ele não perder esses contatos, sua sensibilidade e sua visão da realidade cubana.

Marcelo Lins — Nos quatro romances que apresentam Conde ao mundo, as histórias transcorrem por volta de 1989. Por que escolheu esse ano? Qual é a importância simbólica e real desse ano para Cuba?
Leonardo Padura — Esse foi o último ano em que houve uma “normalidade” no cotidiano de Cuba. A partir de 1990, começou a desintegração do campo socialista, e a União Soviética acabou em 1991. Fazer uma literatura sobre o que acontecia em Cuba nessa época era muito complicado por muitos motivos, inclusive por motivos práticos. Em uma certa época, era praticamente impossível ir de um ponto a outro da cidade. Houve uma grande crise econômica, não havia transporte, nem eletricidade, nem comida, nem cigarros. Imagine um personagem como Mario Conde sem cigarros. Ele deixaria de investigar um crime para saber onde conseguir cigarros ou um rum para beber com os amigos. Então, eu aproveitei esse ano, 1989, de certa normalidade, mas, psicologicamente, Mario transita pelos anos 90.

Marcelo Lins — Esse período do início dos anos 90 foi chamado de “período especial”.
Leonardo Padura — Em Cuba, foi chamado eufemisticamente: “período especial”.

Marcelo Lins — Muito especial. Quais seriam, para você, as principais heranças do período não apenas para a economia cubana, onde são notáveis ainda hoje, mas também para a cultura cubana e para a sociedade em geral?
Leonardo Padura  Foi uma época terrível. Foi terrível para o dia a dia, porque não havia transporte, nem eletricidade, nem comida, nem cigarros, mas acho que foi importante para o mundo da cultura, porque foi ali que começou a se gerar esse espaço de liberdade de que falamos antes. Foi um momento em que escritores, cineastas, dramaturgos e pintores começaram a aproveitar o rompimento de uma relação de dependência muito estreita, típica dos países socialistas, que existia entre um Estado protetor e o artista. Essa relação se rompe. O Estado deixa de ser protetor, porque não tem recursos, e esse espaço que aparece entre o Estado e o artista é um espaço de liberdade. Esse foi um grande ganho que continuamos aproveitando no decorrer de todos esses anos.

Marcelo Lins — Intelectual latino-americano, escritor cubano, cidadão de Havana, personagem do bairro de Mantilla, um admirador do beisebol, e, especificamente, do time Industriales. Qual dessas definições serve melhor para você?
Leonardo Padura — Sou tudo isso e mais algumas coisas, mas, fundamentalmente, quando você diz que sou um morador do bairro Mantilla, acho isso muito importante. Lá estão minhas origens. Sempre digo que a pátria é um conceito abstrato demais quando é identificado com a totalidade, mas, quando a gente o identifica com algo concreto que existe, começa a fazer sentido. Para mim, minha pátria é Mantilla. Esse é o bairro onde eu nasci, onde nasceu meu pai, meu avô, meu bisavô, passei toda minha infância e juventude lá, continuo morando na mesma casa onde nasci, sou desse tipo raro de pessoas que mora na mesma casa onde nasceu, quase 60 anos depois, e lá sinto que, realmente, sou a pessoa que sou. Não importa se sou escritor, ou jornalista, se vendo mais livros ou vendo menos livros. Continuo sendo o filho de meus pais, o garoto que cresceu lá entre muitos amigos, e sinto uma identificação quase sanguínea com esse lugar.

Marcelo Lins — Gostaria de falar agora de outro aspecto, que é sua relação com a bola. Não a bola nossa, do futebol, mas a bola do beisebol, que é o esporte nacional cubano. No Brasil, a gente costuma fazer paralelos entre o futebol e a sociedade brasileira. É possível fazer um paralelo desse tipo?
Leonardo Padura — Acho que sim, que, dependendo de como vão as coisas no país, vão as coisas no beisebol. E o beisebol de Cuba está sofrendo um reflexo do que o resto da sociedade está passando, que é um êxodo. Muitos esportistas cubanos estão saindo de Cuba. Inclusive, alguns jogadores de beisebol estão vindo jogar aqui no Brasil. Isso tem criado um problema, que não é apenas do beisebol, também está acontecendo no basquete, já aconteceu no futebol. Cada vez que temos um jovem talento cubano, o que é mais raro do que no beisebol, pois não costumamos ter talentos do futebol, mas temos muitos talentos de beisebol, ele vai embora do país. O mesmo ocorre em outras profissões. Por isso acho que é um reflexo do que está havendo no país.

Marcelo Lins — E é um êxodo, basicamente, por motivos econômicos.
Leonardo Padura — Por motivos econômicos. O marxismo diz isso. Cuba é um país socialista e se baseia na doutrina marxista, e o marxismo diz isto, a economia é a base da sociedade. Sem uma economia funcionando, o resto da sociedade sofre com isso.

Marcelo Lins — Muitos brasileiros dizem se sentir muito próximos de Cuba e do povo cubano. Eu gostaria de saber como você se sente em relação ao Brasil. Temos essa proximidade, mas, às vezes, parecemos tão distantes.
Leonardo Padura — Infelizmente durante muitos anos, vários países da América Latina, apesar da proximidade geográfica, estiveram distantes culturalmente. A gente vê isso claramente no Caribe. As ilhas inglesas do Caribe e as ilhas espanholas, ou as francesas, às vezes, parecem estar em dimensões diferentes. No entanto, com o Brasil, sempre existiu uma comunicação muito forte nas duas direções. Acho que os músicos tiveram um papel muito importante nessa comunicação. Músicos como Silvio Rodriguez ou Pablo Milanés, aqui no Brasil, e todos os outros músicos brasileiros, como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso... Eles mantiveram essa relação muito viva. E, houve uma época, em Cuba, em que o cinema brasileiro também representou uma preferência importante para os espectadores cubanos. Imagine a telenovela, então. Antes de minha vinda ao Brasil, uma amiga minha disse: “Espero que encontre um Brasil tão bonito quanto o que vemos nas telenovelas.” Quando eu voltar, vou dizer a ela: “Existe esse Brasil bonito, mas também existe outro, que, muitas vezes, não aparece nas telenovelas.”

Marcelo Lins — Eu li um texto seu, acho que de 2005, publicado no jornal El País, para o qual você escreve, que falava do conceito de fraternidade. Gostaria de saber como você vê esse conceito hoje, o da fraternidade e o da solidariedade, e como isso chegou à sua vida.
Leonardo Padura  A solidariedade, muitas vezes, é praticada no âmbito dos Estados, ou de grupos. Já a fraternidade pode ser praticada mais individualmente. O homem contemporâneo, apesar de morar em cidades tão grandes como o Rio de Janeiro ou São Paulo, onde vivem tantos milhões de pessoas, está cada vez mais sozinho. E encontrar essa comunicação com o outro, saber que existe outra pessoa, que, afinal, é seu irmão, e praticar essa irmandade, essa fraternidade, que é a origem da palavra “irmandade”, acho que é uma prática importantíssima. Se existe um pensamento político utópico de uma sociedade igualitária, acho que isso só pode acontecer se, da base, entre os homens, existir a fraternidade. Se existir esse senso de que, realmente, todos nós somos iguais e, como somos iguais, somos irmãos.

Marcelo Lins — Uma última pergunta. Como intelectual independente que você é, mas morando a vida inteira em Cuba, quais destas coisas você acha que é razoável esperar? Cuba dirigir-se a uma sociedade de mercado capitalista, com os investimentos estrangeiros, com o final do bloqueio, talvez, ou teremos uma espécie de adaptação, como houve na esquerda europeia e de outros lugares do mundo, na Revolução?
Leonardo Padura  Essa é a pergunta mais difícil de todas as que você fez. Quais serão as características dessa sociedade cubana do futuro? Quando chegará essa sociedade do futuro? Não posso dizer isso, porque não sei. Desejaria que, nessa sociedade, certos níveis de justiça social que foram atingidos em Cuba, fossem mantidos, e que nela existisse a fraternidade de que falamos. Gostaria que existisse uma democracia verdadeira, uma democracia no sentido exato da palavra. Onde cada cidadão tenha direito de tomar suas decisões, de decidir sobre sua própria vida e de decidir sobre a vida coletiva em um convênio social, que é o que se forma em uma sociedade onde, sem dúvida, a maioria deve governar. Tomara que esse seja o modelo ao qual cheguemos em Cuba.

Revista Consultor Jurídico, 16 de maio de 2014, 8h00

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