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Emenda constitucional

Tocantins dá prerrogativas de magistrados a delegados de Polícia

As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de Polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado, sendo-lhe assegurados os direitos e garantias das demais carreiras jurídicas do Estado, como a independência funcional.

O disposto acima está na Emenda Constitucional 26/2014, que altera o artigo 116 da Constituição do Tocantins, que trata das funções da Polícia Civil. “O que propomos é um novo texto para a Constituição com base na necessidade de uma implantação da carreira jurídica do delegado de Polícia do estado, concedendo as mesmas prerrogativas inerentes à dos magistrados, dos membros do Ministério Público e da Defensoria. Porque a atividade desenvolvida pelo delegado é jurídica, por força de sua própria natureza”, explicou a deputada Luana Ribeiro (PR) ao propor a PEC.

A Emenda Constitucional garante aos delegados as garantias da vitaliciedade e da inamovibilidade — o delegado só poderá ser transferido por motivos de interesse público por ato fundamentado de dois terços do Conselho Superior da Polícia Civil, ou a pedido. Além disso, a Emenda acrescenta a exigência para ingresso na carreira do bacharelado em Direito de, no mínimo, três anos de atividade jurídica ou o mesmo tempo em efetivo exercício em cargo de natureza policial.

De acordo com a deputada, na justificativa do projeto, outros estados já reconheceram que a atividade desempenhada pelo delegado é de natureza jurídica e essencial à Justiça. Alagoas, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo já reconheceram, em seus ordenamentos internos, o cargo de delegado de Polícia como de carreira jurídica, segundo a parlamentar.

Emenda questionada
Contrário a alteração feita na Constituição do Tocantins, o servidor público Jorgam de Oliveira Soares apresentou à Procuradoria-Geral da República uma representação pedindo que seja apresentada uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para derrubar a emenda constitucional (clique aqui para ler).

De acordo com o servidor, que é bacharel em Direito, a emenda viola a Constituição Federal pois altera a carreira de servidor público, o que somente poderia ser proposto pelo chefe do Poder Executivo e não pela Assembleia Legislativa, como ocrreu.

Soares questiona ainda a possibilidade de garantir ao delegado a vitaliciedade e a inamovibilidade. Citando precedentes, Soares afirma que o Supremo Tribunal Federal já afirmou que a garantia da inamovibilidade é conferida pela Constituição Federal apenas aos magistrados, aos membros do Ministério Público e aos membros da Defensoria Pública. “Observa-se que a carreira de delegado de Polícia não é albergada pela garantia da inamovibilidade, por falta de previsão constitucional outorgando tal prerrogativa”.

Leia abaixo a Emenda Constitucional 26/2014:

Altera o art. 116 da Constituição do Estado do Tocantins.

A Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins aprovou e a Mesa Diretora, nos termos do art. 26 da Constituição Estadual, promulga a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Art. 1º Os parágrafos 1º e 2º do artigo 116 da Constituição do Estado do Tocantins passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 116 ...................................................................
§1º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo Delegado de Polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado, sendo-lhe assegurados os direitos inerentes às demais carreiras jurídicas do Estado, a independência funcional além das seguintes garantias:
a) vitaliciedade, que será adquirida após três anos de efetivo exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado;
b) inamovibilidade, salvo remoção de ofício por motivo de interesse público por ato fundamentado de dois terços do Conselho Superior da Polícia Civil, ou a pedido, mediante concurso de remoção, onde deverão ser observados, alternadamente, os critérios de antiguidade e merecimento.

§2º Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tenha como objetivo a apuração das circunstâncias, da materialidade e da autoria das infrações penais, atuando de acordo com seu livre convencimento técnico-jurídico, com independência funcional, isenção e imparcialidade.”

Art. 2º Ficam acrescidos os seguintes parágrafos 3o, 4o e 5o ao art. 116 da Constituição do Estado do Tocantins:

“Art. 116.....................................................................................
§3º O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação.

§4º Os Delegados de Polícia de carreira jurídica serão lotados nos órgãos da Polícia Civil situados nas sedes das comarcas.

§5º Lei Complementar de iniciativa do Chefe do Poder Executivo disporá sobre a estruturação e o subsídio da carreira jurídica de Delegado de Polícia em quadro próprio, dependendo o respectivo ingresso de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica ou o mesmo tempo em efetivo exercício em cargo de natureza policial e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação.”

Art. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio Deputado João D’Abreu, em Palmas, aos 26 dias do mês de junho de 2014; 193º da Independência, 126º da República e 26º do Estado.

Revista Consultor Jurídico, 28 de julho de 2014, 15h25

Comentários de leitores

12 comentários

Só para esclarecer

Mauricio_ (Outros)

Talvez eu tenha sido mal interpretado pelos senhores defensores públicos que comentaram a matéria. Eu não disse que os defensores não devem ter garantias. Longe disso. Devem sim possuí-las, pois também estão expostos a represálias pelo exercício do cargo. O que não entendo é a razão pela qual tais garantias não são estendidas aos delegados de polícia, que, assim como os defensores, promotores e magistrados, também estão expostos a pressões e perseguições em razão do exercício do cargo. Entendo que um delegado de polícia, que é responsável por investigar crimes, alguns muito graves e que podem envolver pessoas poderosas e influentes, não pode estar desprotegido, à mercê da própria sorte, podendo a qualquer momento ser transferido, punido e prejudicado por contrariar interesses nada republicanos. Sou da opinião que todo agente público que exerce funções que podem expô-lo a desmandos, perseguições ou pressões para que não atue no interesse público deve possuir garantias e prerrogativas que resguardem sua atuação. As garantias funcionais e prerrogativas de cargo não visam o detentor do cargo mas proteger as funções que ele exerce. Muitas pessoas, até mesmo do meio jurídico, confundem garantias com privilégios, o que é um conceito errado. Os delegados também estão expostos a tudo isso e merecem a proteção do Estado para que bem desempenhem suas atribuições.

Serviços idênticos?

Ademir (Advogado Autônomo)

Pelo que se entende a carreira de Juiz chega ao fim, pois os Delegados vão prender, julgar e condenar ? E o Juiz? Será o carcereiro? É mais poder, prá não fazer mais. Delegado é uma casta que vem da época do Império. Pode-se notar também que a origem dessas regalias vem de um Estado que vive de outros estados da União, como é o caso de Alagoas, Maranhão, Ceará, Sergipe, Paraiba, que sugam dos Estados que produzem e pagam altos salários a funcionários públicos estaduais e municipais.

Esclarecimentos necessários parte ii

jorgam Soares (Serventuário)

Todavia, para que isso se concretize, temos que nos valer da observância fiel à Constituição Federal/1988, que somente permite que estas garantias sejam outorgadas por emenda a Lex Mater, a exemplo da PEC FEDERAL nº 298 que tramita na Câmara dos Deputados, com idêntico objeto e não se valendo de modificação na Constituição Estadual e muito menos usurpando a prerrogativa legislativa privativa do Chefe do Poder Executivo, pois os fins não justificam os meios.

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