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Má-fé de universidade

Diploma de pós lato sensu para quem se matriculou em mestrado gera dano

A instituição de ensino que deixa de oferecer o título prometido frustra a expectativa dos seus estudantes e age de má-fé, gerando dano moral. Esse foi o entendimento da 20ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo ao condenar uma universidade a indenizar em R$ 20 mil uma ex-aluna que recebeu diploma de pós-graduação lato sensu apesar de ter se matriculado em curso de mestrado. Foi a alternativa que a instituição encontrou por não ter o curso reconhecido pelo Ministério da Educação.

A estudante disse que encontra “sérios obstáculos” para exercer sua profissão, perdendo oportunidades em sua carreira pela falta do título prometido. Ela afirmou ter sido vítima de propaganda enganosa e abusiva, pois, se soubesse que o curso não era reconhecido, jamais teria arriscado perder seu tempo e dinheiro. Relatou ainda sofrer danos psicológicos ocasionados pela frustração de ficar sem o título almejado.

O pedido foi rejeitado em primeiro grau, sob o fundamento de que ocorrera prescrição. Como a ação foi proposta em 2005 e a assinatura do certificado de conclusão do curso ocorreu em 1999, o juízo de primeira instância avaliou que a autora perdera o prazo de cinco anos estabelecido no Código de Defesa do Consumidor.

Para a relatora do caso no TJ-SP, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, deveria ser aplicado no caso o Código Civil — diploma legal mais favorável ao consumidor —, que fixa prazo prescricional de dez anos em situações de inadimplemento contratual. Maria Lúcia avaliou ainda que houve dano moral, “já que foi oferecido curso que sabidamente não se prestava para o fim pretendido”, sem informação no contrato de prestação de serviço firmado entre as partes.

Por unanimidade, os integrantes do colegiado também condenaram a ré a indenizar por danos materiais. Como o valor da pós-graduação lato sensu era menor que o do curso de mestrado na instituição, a estudante deverá receber o montante equivalente à diferença entre os cursos, acrescido de correção monetária e de juros. Com informações da Assessoria de Comunicação Social do TJ-SP.

Clique aqui para ler o acórdão.

Apelação: 9181286-74.2008.8.26.0000

Revista Consultor Jurídico, 16 de julho de 2014, 14h47

Comentários de leitores

3 comentários

como assim "se soubesse"?

Celsopin (Economista)

"...se soubesse que o curso não era reconhecido, jamais teria arriscado perder seu tempo e dinheiro..."

Não seria a primeira coisa a verificar, já que se trata de informação pública, o reconhecimento ou não do curso?

Note que estamos falando de pessoa educada e não de um ignorante qualquer...

Alegar dano é um insulto a inteligência e fazer a justiça perder tempo!

stricto x latu

Rocha advogado do ES (Advogado Assalariado - Empresarial)

Eu sou de um tempo em que o magistrado recebia um salário miserável, acompanhado também pelo MP onde recebiam salários incompatíveis com o cargo ocupado. Nesse tempo os Magistrados tinham uma sensibilidade maior quando arbitravam indenizações e honorários advocatícios. Hoje porem, seus salários são invejáveis e dada a situação de nível de vida um pequeno grupo entende que para os outros qualquer coisa serve. No caso em questão a pessoa perde um tempo enorme de sua vida por um golpe que considero estelionato e recebe menos do que realmente gastou que foi só pesado pela propaganda enganosa sem adentrar as expectativas perdidas e o dano psicológico sofrido. A pessoa se apresenta como Mestranda e depois de muito sofrimento vira especialista, MOROU! Acorda Brasil.

Condenação irrisória!!

Mário Gonçalves Soares Júnior (Advogado Sócio de Escritório)

Indenização por dano moral em R$ 20.000,00, é irrisória! Quantia equivalente a pouco mais do que 27 salários mínimos, que NÃO chega sequer ao teto do JEC que é de 40 salários. Uma vergonha!! Propaganda enganosa, perda da change entre outros fatores. Com essa quantia talvez não pague UM ANO de MESTRADO em outro local. O Poder Judiciário NÃO acompanha mais a realidade. E o dano material: condenação sobre a diferença entre o pós lato sensu e o mestrado, que, desastre! A reparação deveria ser integral como medida terapêutica. Tempo perdido (propaganda enganosa), alimentação, xerox, transporte, estacionamento, material...De fato, o Poder Judiciário é MESTRE em arbitrar INDENIZAÇÕES AVILTANTES!!

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