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Queda de interesse

Matrículas em cursos de Direito nos EUA caem pelo quarto ano consecutivo

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O número de matrículas nas faculdades de Direito americanas, para o ano escolar 2014/2015, caiu 4,4% em relação ao ano anterior, um fenômeno que vem se repetindo nos últimos quatro anos escolares.

De 2011 para cá, a quantidade de matrículas caiu 27,7%, de acordo com levantamento do Conselho de Admissão a Faculdades de Direito e relatório da American Bar Association (ABA).

Em 2014, as faculdades fizeram 37.924 novas matrículas, entre estudantes em tempo integral e tempo parcial — 1.751 matrículas a menos do que em 2013. Em 2010, foram 52.488 matrículas, de acordo com a ABA — 14.564 a mais do que em 2014.

O número de matrículas nas 204 faculdades de Direito do país, credenciadas pela ABA, foi bem aproximado ao de 1974, um dos piores anos das faculdades nas últimas décadas. Só que em 1974, o país só tinha 151 faculdades — 53 a menos que hoje.

O número total de alunos matriculados em cursos de Direito, do primeiro ao terceiro ano, também caiu. Atualmente, 119.775 estudantes fazem o curso de Direito nos EUA — uma queda de 6,9% em relação a 2013 e de 17,5% em relação a 2010.

Aliás, 2010 foi um ano em que houve grande procura de cursos de Direito, porque a recessão econômica, que estourou em 2008, sugeria que a advocacia ia prosperar. Mas isso não aconteceu. Em vez disso, as corporações passaram a conter gasto com serviços jurídicos e muitas bancas foram obrigadas a dispensar advogados.

As bancas passaram a demitir advogados e, logicamente, deixaram de contratar. Assim, as levas de bacharéis que saíram das faculdades a partir desse ano não encontraram emprego e, ao mesmo tempo, tinham de pagar dívidas estudantis de US$ 100 mil a US$ 150 mil.

Por isso, o número total de estudantes de Direito no país caiu: muitos estudantes abandonaram o curso de Direito, antes que a dívida ficasse maior.

Muitos bacharéis, que se formaram, de qualquer forma, mas não conseguiram emprego, processaram suas escolas de Direito. Alegaram que foram enganados por suas publicidades, que anunciavam uma alta taxa de emprego após a formatura de seus alunos.

Outros bacharéis arrumaram empregos mais simples, como o de funcionário do McDonald’s para poder, pelo menos, tentar pagar as prestações do financiamento estudantil.

Esses episódios resultaram em má fama para os cursos de Direito e para as faculdades. E explicam, em grande medida, o declínio no número de matrículas, ano após ano.

O presidente Obama, que é advogado, e outros notáveis da comunidade jurídica sugeriram publicamente que o terceiro ano do curso de Direito deveria ser eliminado, o que reduziria o custo do bacharelado em cerca de US$ 50 mil — uma proposta que não foi bem recebida pelas faculdades, de acordo com o The National Law Journal e o Jornal da ABA.

Muitas faculdades tomaram algumas medidas paliativas para tentar atrair mais estudantes. Uma delas foi a de reduzir a parte teórica do curso e dar prioridade ao ensino prático, para que os bacharéis tivessem, então, mais chances de começar a trabalhar logo depois da formatura.

Mas o fato, segundo as publicações, é que a maioria das faculdades de Direito americanas passa por dificuldades financeiras e já vêm, há alguns anos, cortando despesas — o que inclui dispensa de professores e cortes de matérias.

Algumas faculdades de Direito podem fechar, dizem as publicações. As faculdades com maior capacidade de resistir a esses tempos difíceis são as que fazem parte de uma grande universidade, em que outros cursos continuam a dar lucros.

Estão particularmente bem, apesar da crise, as faculdades de Direito mais conceituadas do país, como Yale, Harvard e Stanford. Os bacharéis que se formam em faculdades prestigiosas têm mais chance de conseguir emprego após a formatura e, por isso, atraem mais alunos.

As demais reduziram suas exigências para aceitar alunos a quase zero, para não perder qualquer matrícula. E tomaram outras medidas, como reduzir os custos dos estudantes de outros estados, que sempre pagaram mais caro que os do estado.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 17 de dezembro de 2014, 10h30

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