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Chá abortivo

STM concede HC a soldado flagrado com maconha dentro de quartel

O Superior Tribunal Militar concedeu Habeas Corpus a um soldado do Exército, mantido em prisão cautelar, por ter sido flagrado com uma porção de maconha dentro de um quartel, em João Pessoa. A droga seria usada para a produção de um chá abortivo, a pedido de uma amiga do militar.

Segundo o Ministério Publico Militar, o soldado foi flagrado com quase 20g de maconha dentro do 1º Grupamento de Engenharia, sediado na capital paraibana. Indagado sobre qual seria o destino da substância apreendida, o soldado disse que seria usada em um chá abortivo solicitado por uma amiga fora do quartel que suspeitava de uma gravidez indesejável. Preso em flagrante, ele foi denunciado pelo crime previsto no artigo 290, do Código Penal Militar.

Jurisprudência do Superior Tribunal Militar e do Supremo Tribunal Federal vão no sentido de reconhecer a concessão de liberdade provisória no caso de flagrante de usuários de droga. No entanto, a juíza da Auditoria de Recife decidiu negar o relaxamento da prisão cautelar. Ela não identificou ilegalidade na prisão em flagrante do militar e manteve a sua prisão, porque entendeu que a medida seria “salutar para o restabelecimento da disciplina e dos valores morais que regem a sociedade militar”. A juíza fundamentou que o caso difere dos demais pela quantidade de tóxico apreendida, bem como pelo intuito do militar.

A defesa do réu entrou com o pedido de HC no STM informando haver equívocos na decisão da juíza, que não se ajustava a nenhum dos fundamentos que justificaria a prisão preventiva. Os advogados argumentaram que “não se adequava a alegação genérica" apresentada na decisão judicial. Por isso, pediu aos ministros a revogação da prisão preventiva.

Ao analisar o pedido, o relator, ministro Fernando Sérgio Galvão, acatou o pedido da defesa e mandou relaxar a prisão cautelar do militar. Segundo ele, a decisão da primeira instância contrariou vasta jurisprudência de tribunais do país. Segundo o relator, a prisão preventiva é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência ou da não culpabilidade, sob pena de antecipar a pena a ser cumprida caso haja condenação definitiva.

Os demais ministros da corte, por unanimidade, seguiram o voto do relator e revogar em definitivo a prisão cautelar determinada pelo juízo contra o réu. Os ministros também asseguraram ao militar o direito de responder a ação penal em liberdade. Com informações da Assessoria de Comunicação do STM.

Revista Consultor Jurídico, 10 de agosto de 2014, 14h26

Comentários de leitores

2 comentários

Nossos valores

sgtqua (Administrador)

Concordo com o comentário do Observador (Economista)
O ser humano é astuto por natureza. Ao ser descoberto de posse de material ilícito o militar em questão já surge com uma desculpa pré fabricada e, o resultado é que daqui pra frente muitos outros aparecerão com chás abortivos (eu sabia que chá de boldo é abortivo.... se a maconha é abortiva porque há tantas viciadas que tem filhos???), chás para dor de cabeça, chá para todo tipo de enfermidades... prepara pra ver.

Jurisprudência

Observador.. (Economista)

Acho que ninguém vai ler, pois temas militares só chamam atenção em momentos de crise ou de conflito iminente.
Lamento saber que, hoje em dia, existe Jurisprudência acolhendo o relaxamento de prisão em flagrante de usuários de droga em unidades militares. Uma coisa é termos condescendência (para muitos questionável) com civis em situações similares.
Mas com pessoas que lidam com armamento ou são responsáveis por dobras de paraquedas em unidades de elite ou respondem pela manutenção ou pilotagem de nossas aeronaves militares, considero um desserviço à instituição que tem na disciplina, no respeito e na ordem os sustentáculos da própria existência.

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