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8 fevereiro 2013
Votos para 2013
Em 2012, Justiça desempenhou o papel que lhe cabe
Chegou ao fim 2012. O contexto social revelou a continuidade dos problemas nacionais. A falta de investimentos na educação implicou o pífio resultado do Enem e deixou o país no final da fila no cenário mundial. O transporte público fez sofrer os usuários. A violência alcançou índices impensáveis. Os escândalos sobre o mau uso da máquina pública se sucederam. Os novos estádios de futebol sobem, mas os hospitais afundam com o excesso de pacientes e a falta de médicos, equipamentos e condições de atendimento. O PIB decepcionou. Diplomas de nível superior foram obtidos mediante troca de favores. Ninguém sabia de nada. O escárnio desfila pelas ruas enquanto casebres escondem a miséria extrema.
A sequência de desmandos, entretanto, não calou o povo nem paralisou as instituições. Foi-se o tempo em que o medo e a omissão acobertavam o descalabro. Nunca antes, na história deste país, agiu-se com tanto vigor a favor dos interesses coletivos, da defesa das minorias, da responsabilização criminal dos envolvidos em atos de corrupção e desvio de verbas públicas. A imprensa mostrou-se vigilante. A Polícia atuou. O Ministério Público desvelou-se. O Poder Judiciário, mesmo bombardeado e pressionado, desempenhou o papel que lhe cabe constitucionalmente, assentando uma nova ordem mediante a qual se construiu o grande ideal de justiça para todos — ninguém pode eximir-se da aplicação da lei em decorrência de cargos, escolaridade ou posição social. Tais resultados seriam inatingíveis sem as prerrogativas da magistratura, cuja finalidade é garantir ao juiz independência no sublime dever de dizer o direito, a partir dos fatos e da previsão legal, segundo a ciência e consciência possuídas.
Estamos em 2013. Tempo de fazer o retrospecto do que se passou, dos sonhos concretizados, das perdas e ganhos. Oportunidade para curar feridas, restabelecer amizades esquecidas, pedir e conceder perdão, rezar pelos que se foram, celebrar os que continuam aqui. É necessário abrir espaço para aquilo que se quer obter, limpar o coração dos sentimentos opacos, ventilar a mente, lavar a alma. Sem corrigir a rota não se chega ao destino, perde-se pelo caminho, deixa-se de alcançar os objetivos.
Meus desejos para este ano são os do homem que tem na família seu esteio e no trabalho sua fonte de sustento, são os do avô que quer tempo para brincar com os netos — João Pedro e Rafaela —, do profissional que busca encerrar a jornada com a grata satisfação da tarefa cumprida, do cidadão que reza para retornar em segurança a casa, que visa o crescimento econômico, o fim da corrupção, a melhoria do ensino e a distribuição democrática das oportunidades. Sou o brasileiro que não desiste nunca, que tem fé, que sonha com um grandioso futuro para a Nação. Quando se sonha, a realidade começa a se transformar, sai-se do campo da imaginação e passa-se ao plano da materialização. Sonhemos todos. O sonho é o primeiro passo da conquista. Que o Altíssimo nos abençoe com saúde, paz e prosperidade!
Marco Aurélio Mello é ministro do Supremo Tribunal Federal, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e presidente do Instituto Metropolitano de Altos Estudos (Imae).
Revista Consultor Jurídico, 8 de fevereiro de 2013
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
valeu
Prova concreta
Seu artigo: "Em 2012, Justiça desempenhou o papel que lhe cabe", é a prova mais que concreta de que o Brasil é o País da Esperança, da Justiça Social e da Democracia Plural e do Poder Judiciário Permanente. Quem viveu o Brasil antes da sua redemocratização, com todas as injustiças cometidas contra todos os poderes e instituições, irem para debaixo do tapete da impunidade, anda com fé e se vai, né não Gilberto Gil e acredita sempre nesse filho de Pindorama?
Parabéns mais uma vez pelo equilibrado artigo.
O futuro que nos espera
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