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Faculdade da Pensilvânia é novo modelo para Direito

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As universidades de Yale, Harvard e Stanford têm as "melhores faculdades de Direito dos EUA", de acordo com o ranking oficial, em que ocupam os três primeiros lugares. "Melhores" em quê? Prestígio, certamente. No entanto, o melhor espelho para qualquer faculdade de Direito do mundo, que aspira o reconhecimento de escola mais bem-sucedida de seu país, poderá ser, em breve, a Faculdade de Direito da Universidade da Pensilvânia.

A "Penn Law", como é conhecida, ocupa apenas o sétimo lugar no ranking americano. Por enquanto. A partir deste ano, a faculdade iniciou uma reformulação de seu conceito de ensino. Em vez de formar teóricos brilhantes, ela quer formar profissionais bem-sucedidos em suas carreiras — com alta garantia de sucesso já ao ingressar no mercado.

Pode ser uma estratégia valiosa para faculdades que querem atrair estudantes a fim de fazer sucesso em suas carreiras, em vez de candidatos apenas a um diploma. Nos EUA isso é particularmente importante, porque o indicador mais considerado do sucesso de uma faculdade é o sucesso de seus bacharéis no mercado de trabalho.

A proposta da Penn Law é formar os profissionais mais competentes e, portanto, mais competitivos no mercado de trabalho. Para isso, a faculdade começou a oferecer cursos de Direito conjugados com cursos de outras áreas profissionais, nas quais os advogados atuam muito nos dias de hoje.

O último "lançamento" da Penn Law, conforme anunciou o The National Law Journal na segunda-feira (5/8), foi o curso de Direito integrado ao curso de Engenharia, com especialização em tecnologia. A faculdade acredita que, no mundo real, os advogados passarão atuar, cada vez mais, no "mundo virtual" da Internet e da computação, bem como em propriedade intelectual e todas as demais áreas da tecnologia.

Antes disso, a faculdade "lançou" cursos de Direito enriquecidos com cursos de administração e economia. Um programa de 12 semanas, por exemplo, visa equipar os estudantes de Direito com conhecimentos práticos de administração, liderança, habilidades para tomar decisões estratégicas, finanças e contabilidade.

Aparentemente, a Penn Law está apostando na ideia de que o futuro da advocacia está na especialização. Mais cursos interdisciplinares estão na forma, como o do Direito e Medicina, e do Direito e Artes e Ciências (que, nos EUA, inclui comunicação). Notícias sobre os cursos de administração e de tecnologia para advogados podem ser vistas no site da própria faculdade (em inglês), bem como no The National Law Journal.

Há tempos os americanos discutem a necessidade de os advogados fazerem cursos complementares, como o de Administração Jurídica, de Tecnologia, Finanças e outros. Como noticiou a Conjur, as firmas butiques especializadas nos aspectos jurídicos da tecnologia e das ciências ainda estão no topo da pirâmide. Um profissional com conhecimentos tecnológicos, seja na área de informática, engenharia, medicina, química, biotecnologia ou qualquer outra, e com a desenvoltura de um advogado, é um ativo precioso para qualquer empresa que necessite de serviços jurídicos especiais.

No entanto, essa é a primeira vez que essa interação de cursos é concretizada em um currículo universitário, tanto para o curso normal de bacharelado, como de mestrado.

O investimento inicial para a implantação da "Clínica Detkin de Propriedade Intelectual e Tecnologia" da Penn Law foi feito pelo advogado e empresário Peter Detkin, fundador da Intellectual Ventures e conselheiro da faculdade de engenharia da universidade. "Minha carreira sempre se deu na interseção do Direito com a tecnologia", ele declarou em um artigo no site da faculdade, para explicar porque entendia a importância de os advogados interessados se especializarem nessa área.

Antes de se inscrever em disciplinas da área tecnológica, os estudantes de Direito terão de cumprir pré-requisitos, como as matérias de "Introdução à Propriedade Intelectual" e "Lei das Patentes". "Hoje, os advogados que atuam em patentes, Direito Autoral, propriedade intelectual, regulamentação da internet, privacidade, segurança nacional e muitas outras áreas precisam ter um bom conhecimento sobre o funcionamento da tecnologia", diz o reitor da Penn Law Michael Fitts.

O programa "Lei e Tecnologia" da Penn Law deverá evoluir, em 2014, para cursos regulares de bacharelado e mestrado em Direito e Engenharia, que podem durar quatro anos. No primeiro ano, os estudantes fazem o curso de Direito, no segundo de Engenharia e nos dois anos subsequentes fazem matérias nas duas áreas, concomitantemente.

O programa que cruza Direito e Administração será dividido em quatro módulos: 1) finanças e contabilidade; 2) liderança e projeto organizacional; 3) tomada de decisões estratégicas e liderança; e 4) vantagem competitiva: desenvolvendo uma forte marca pessoal.

No primeiro módulo, haverá tópicos tais como terminologia e processo de contabilidade, tomada de decisões financeiras, análise de relatórios financeiros e indicadores essenciais de desempenho. No segundo, estilos de organização, liderando com a inteligência emocional, influência organizacional e persuasão, liderando equipes e entendendo a dinâmica de equipes. No terceiro, pensamento crítico sobre o mundo real, decisões em tempo real, planejamento em tempos de incerteza, tomada de decisão e liderança, e planejamento guiado por descobertas. No quarto módulo, o foco será o desenvolvimento da marca pessoal.

A Penn Law quer formar advogados "que sejam líderes em suas áreas de atuação". Não há lugar, portanto, para alunos que não levam a sério seus estudos e sua carreira.

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 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 6 de agosto de 2013, 16h41

Comentários de leitores

2 comentários

No Brasil

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

No Brasil, tudo é muito bem acomodadinho; sá a bandidagem chique permanece na frente de tudo. Deitado eternamente em berço explendido é o que estamos.

Quem sabe no próximo século....

MSRibeiro (Administrador)

...o MEC e a OAB vão permitir este modelo de formação....

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