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Solução amigável

80% dos conflitos judiciais poderiam ser conciliados

Oitenta por cento dos conflitos que chegam à Justiça brasileira poderiam ser solucionados pela via consensual, na avaliação de Yann Duzert, doutor pela universidade de Havard, professor da Fundação Getúlio Vargas e autor de diversos livros sobre negociação. O especialista foi um dos palestrantes do II Seminário sobre Conciliação e Mediação, do Conselho Nacional de Justiça na última segunda-feira (22/10), no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Em palestra no painel “Possibilidades do Processo de Construção de Consensos no Poder Judiciário”, ele contou ter sido “uma agradável surpresa” ter constatado em uma pesquisa de campo que os magistrados brasileiros gostam de conciliar. “Perguntei a uma juíza porque ela gostava de negociar uma vez que ela havia escolhido uma profissão que a obrigava a bater o martelo. Ela disse que gostava de conversar com as partes e, principalmente, da efetividade das decisões advindas do consenso”, afirmou o especialista.

Duzert ressaltou que negociar nada mais é que utilizar informações a fim de influenciar o comportamento alheio dentro de uma rede de tensão. “Em uma mesa de negociação existem várias vertentes, que vão do emocional ao perfil das partes. A virtude do bom negociador está em ser perseverante, respeitar o outro. Isso deve estar aliado à técnica”, disse o professor, destacando os tipos de negociadores existentes.

Os mais comuns são o autoritário, controlador, facilitador, empreendedor e visionário. A atuação deles está relacionada à emoção proporcionada pela liberação de hormônios durante o ato de negociar, respectivamente o testosterona, os esteroides, o estrogênio, a adrenalina e a serotonina. “Há toda uma questão hormonal que entra na negociação”, frisou.

Sobre a técnica, Duzert explicou que o primeiro passo rumo à boa negociação está em batalhar para a construção de uma “boa relação” entre as partes. O diálogo, portanto, é primordial. O melhor caminho, de acordo com o especialista, é deixar as partes conversarem nos momentos que antecedem à negociação para que elas mesmas possam estabelecer confiança e até mesmo sentir empatia uma pela outra. “É preciso amarrar esse relacionamento, construir uma base de confiança e respeito mútuo. No entanto, muitos negociadores entram direto na técnica antes construir essa ligação”, alertou.

Segundo Duzert, a confiança e a empatia sentida pelas partes tem relação direta no resultado da negociação. “Estudos mostram que, negociando com técnicas adequadas, podemos passar de 30% para 60% o número de transações fechadas. Imagina a vantagem que isso seria para a economia”, destacou. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ

Revista Consultor Jurídico, 25 de outubro de 2012, 11h31

Comentários de leitores

6 comentários

Ataque ao patrimônio

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Veja-se por exemplo o caso das milhões de ações previdenciárias em curso pelo Judiciário brasileiro (em torno de 6 milhões). Em 2010 o Conselho da Justiça Federal baixou uma norma determinando que os débitos judiciais nessa ações serão atualizados pela TR. Mas, como sabemos, a TR não serve como índice de atualização de débitos, uma vez que não reflete a real desvalorização da moeda. Assim, estamos vendo na prática os débitos judiciais serem corroídos pela desvalorização do real. Quanto mais o tempo passa, menos o INSS tem a pagar, e assim o resultado não é outro: NÃO QUER CONCILIAR.

Provado que não funciona

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Ninguém discorda que a conciliação é por vezes a melhor forma de solução de um litígio. Mas o fato é que no Brasil os demandados são em regra o Estado e grandes empresas, que respondem por mais de 90% das ações em curso. Esses, não querem de forma alguma conciliar. Mesmo sabendo disso, alguns insistem reiteradamente na ideia da conciliação, mesmo já tendo sido comprovado que isso é totalmente inútil. As partes só consideram a possibilidade de conciliar quando se vislumbra que haverá uma condenação rápida, com pesados ônus sucumbenciais em caso de derrota. No Brasil, no entanto, tanto o Estado como as grandes empresas sabem muito bem que a decisão final será demorada, e no final das contas os ônus processuais pela derrota serão mínimos, e assim pouco se importam se há um, dez, ou 1 milhão de ações em curso.

Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa

_Eduardo_ (Outro)

Independente do desconhecimento prático do "especialista" e ignorando o número astronômico de 80% que ele lançou, somente um cego não enxerga que uma conciliação conduzida por alguém que detém as técnicas adequadas por certo terá maiores chances de êxito. A capacidade de criar empatia, perceber o escalonamento do conflito na mesa de negociação e interromper essa ascenção, a capacidade de demonstrar as vantagens de se solucionar desde logo a lide, dentre muitas outras atribuições que alguém treinado e perspicaz tenha, levará a um maior êxito.
Essa questão é importante porque no Brasil vivemos um paradoxo. A cúpula do Poder Judiciário ama o tema conciliação (alguns porque isso diminui o número de processos, outros porque realmente entendem que é a melhor força de solução dos conflitos), contudo esquece que de nada adianta incentivar a conciliação sem colocar profissionais treinados para tanto.
Enfim, o que quero dizer que o fato de o especialista supostamente não ter conhecimento prático não afasta suas evidentes conclusões que a capacitação gera maior êxito em negociações, seja no mundo dos negócios, seja nas conciliações judiciais.

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