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Branco e preto

Morre o notável fotógrafo Ubirajara Dettmar

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Morreu nesta terça-feira (2/10), aos 74 anos, Ubirajara Dettmar, um dos mais brilhantes e criativos fotógrafos do jornalismo brasileiro. U. Dettmar, como assinava suas fotos, recentemente voltou a morar no Rio de Janeiro, sua cidade natal, onde morreu em consequência de problemas de saúde que enfrentava nos últimos tempos. O corpo de Dettmar será cremado nesta quinta-feira (4/10), às 13h, no crematório do Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Dettmar gostava de dizer que fotografava tudo — casamento e enterros de parentes, revolução na Nicarágua, guerra em El Salvador, invasão americana a Granada e os passos do presidente da República, como fotógrafo oficial da Presidência no governo Fernando Collor. Repórter de muitas qualidades, era um ser humano incansável. Para sua energia inesgotável os horários nunca foram obstáculo para suas longas jornadas.

E fotografou muito mais em 45 anos de trabalho nos principais órgãos da imprensa brasileira, como as revistas O Cruzeiro, Manchete e Veja e os jornais O Jornal, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Última Hora, Folha de S.Paulo e O Globo. 

Foi também fotógrafo do Supremo Tribunal Federal  e dos Tribunais Superiores de Justiça e Eleitoral. Coube a ele fazer as fotos oficiais de praticamente todos os ministros do STF nos últimos anos, sendo o preferido da maioria deles. O ministro Celso de Mello lamentou a morte do fotógrafo e ressaltou os seus trabalhos — "sempre de grande valor profissional".

Foi também o fotógrafo do Anuário da Justiça, publicação do site Consultor Jurídico que traça o retrato do Supremo e dos tribunais superiores. Entre 2007 e 2011, ele fotografou praticamente todos os ministros da cúpula do Judiciário brasileiro.

O editor da ConJur em Brasília, Rodrigo Haidar, diz lembrar com saudades do período em que trabalhou com Dettmar, nas quatro primeiras edições do Anuário da Justiça. "Rodei com ele e com a Sandra Fado, sua companheira inseparável, os gabinetes de dezenas de ministros do Supremo e dos tribunais superiores. Eu, entrevistando-os. Ele e a Sandra, fotografando-os. Foi uma das pessoas mais queridas que conheci. Figura ímpar, de um bom humor inabalável. Sempre disposto a ajudar. Ríamos muito juntos. Dettmar tinha a humildade de um estudante de fotografia, mas foi o melhor fotógrafo com o qual já trabalhei. O conheci com a câmera fotográfica pendurada no pescoço, inclusive aos finais de semana. Era um craque! Cheguei a pensar que a câmera era acoplada a ele, um membro de seu corpo. Talvez fosse."

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, com quem o fotógrafo trabalhou durante seu período na Presidência do STF e do Conselho Nacional de Justiça, lembra do profissionalismo de Dettmar: "Profissional exemplar. Dedicado, talentoso e aplicado. Sua sensibilidade e talento eram incomuns. Tive a satisfação de acompanhar seu trabalho no Supremo e no CNJ, onde visitamos quase todos os estados registrando precariedades, falhas e cenas com fotos que, posteriormente serviram para corrigi-las".

Nascido no Rio de Janeiro, Dettmar morou em Brasília, São Paulo e Estados Unidos. Foi lá que conheceu e se casou com Sandra, que era modelo e, na convivência, passou a ser fotógrafa. Deixa os filhos Glênio, Gláucio, ambos fotógrafos, Glória e Bruna. Além de fotografar, escreveu vários livros onde conta suas experiências.

Clique aqui para acessar o blog que ele mantinha, com algumas de suas fotos mais expressivas.

Veja, abaixo, exemplares do trabalho de Dettmar, no Supremo e em Paraty:

 

 

  

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 2 de outubro de 2012, 18h01

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