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Tempo de encarceramento

Leitura pode reduzir penas de detentos em SC

A Vara Criminal de Joaçaba deu inicio ao projeto Reeducação do Imaginário, que consiste na distribuição de obras clássicas aos presos da comarca, para leitura e posterior cobrança de pontos em entrevistas com o juiz e seus assessores. Os participantes que demonstrarem compreensão do conteúdo poderão ser beneficiados com a remição de quatro dias de suas respectivas penas. 

O primeiro módulo do projeto consiste na leitura da obra “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski. No segundo módulo, para o qual já existe etapa de aquisição de livros, os apenados lerão “O Coração das Trevas”, de Joseph Konrad. Depois virão obras de William Shakespeare, Charles Dickens, Walter Scott, Camilo Castelo Branco e outros autores, todos recomendados por intelectuais do calibre de Otto Maria Carpeaux, Olavo de Carvalho, Harold Bloom e Mortimer J. Adler. Os livros serão adquiridos em edições de bolso, diretamente com verbas de transação penal destinadas ao Conselho da Comunidade, que juntamente com o Presídio Regional de Joaçaba participa do projeto encabeçado pela Vara Criminal. 

“O projeto (...) visa a reeducação do imaginário dos apenados pela leitura de obras que apresentam experiências humanas sobre a responsabilidade pessoal, a percepção da imortalidade da alma, a superação das situações difíceis pela busca de um sentido na vida, os valores morais e religiosos tradicionais e a redenção pelo arrependimento sincero e pela melhora progressiva da personalidade, o que a educação pela leitura dos clássicos fomenta”, afirma o juiz Bragaglia. 

Segundo levantamento feito pelo Conselho Nacional de Justiça, dos cerca de 505 mil presos no estado de Santa Catarina, 306 estão estudando.

Os apenados participantes do projeto — todos voluntários — ouviram palestra do juiz Bragaglia. “Não vou subestimar a capacidade de vocês, não vou sugerir que leiam best-sellers, autoajuda, subliteratura ou outras inutilidades. Ao contrário! Todo ser humano, por mais difícil que seja sua situação ou por mais precária que tenha sido sua educação, tem condições de ler grandes obras com proveito, e é isto que torna essas obras eternas: o quanto elas falam da experiência concreta, da alma humana”, comentou o juiz. Ao final, cada participante recebeu uma edição de “Crime e Castigo”, acompanhada de um dicionário de bolso. As avaliações ocorrerão em 30 dias. O projeto conta com o apoio e a participação do Ministério Público de Santa Catarina, por meio do promotor de justiça criminal de Joaçaba, Protásio Campos Neto. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-SC. 

* Notícia alterada às 16h50 para acréscimo de informações.  

Revista Consultor Jurídico, 27 de novembro de 2012, 15h24

Comentários de leitores

3 comentários

Tudo bem... Mas

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Não poderiam começar por autores célebres, mas nacionais ? Por exemplo o 'the best': 'MARIMBONDOS DE FOGO' do senador José Sarney; ou o folhetim " O IMPORTANTE É LEVAR VANTAGEM EM TUDO" do igualmente fantástico jogador GERSON ? Ou, ainda, "GANHANDO FÁCIL COM O DINHEIRO DOS OUTROS", de Carlos Zéfiro e J. Dirceu ? Até nisso o Sul tem que ser diferente ? O ideal então é que os leiam no idioma em que foram escritos, que tal ? Afinal nunca se sabe se de lá não p sairá um futuro Presidente da República (enquanto o ex-verdadeiro entra) Afinal, muitos dos requisitos, com certeza, vários deles já têm.

Boa iniciativa

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Iniciativa excelente, a leitura abre perspectivas, embora dependendo do reeducando o livro indicado é um tanto complexa, de escrita rebuscada, que dificultará o entendimento,salvo , se receber ajuda.

Fazer nossa gente pensar...

Azimute (Consultor)

Sem dúvida essa é uma iniciativa excelente, sob todos os aspectos...
Ao apenado, lhe reduz alguns dias a cada obra lida e compreendida.
Ao Estado o lucro é imenso, na medida em que tem-se mentes que olham para além dos limites da própria vida.
O custo será sem dúvida irrisório, perto dos dividendos que os "leitores", suas famílias e a sociedade de modo geral hão de auferir.

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