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Serviço público

Compartilhar dados é fundamental no combate à violência

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Informação é poder. Compartilhar informação é se tornar mais fraco. É sob esse mote que servidores de todas as esferas conduzem a área de informação. Ter informações privilegiadas, tanto no jornalismo quanto na área de segurança pública, torna seus detentores igualmente privilegiados.

Não importa que o detentor dela seja um barnabé cuja ocupação principal seja degravar escutas telefônicas, ou se ele é um assessor direto do dito alto escalão, diretor ou servidor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ou ainda quem sabe, operador de qualquer outro órgão da comunidade de informações.

Tais pessoas e órgãos são vistos de forma diferenciada, não como operadores de uma determinada esfera voltada ao serviço público. Leia-se, para servir o público.

Vícios da espécie na área de informação acabam por alimentar a repulsante fogueira de vaidades que norteia tanto os tais órgãos quanto quem os integra, os conduz.

Paralelamente a isso, existe um fator, sim, a considerar — pelo menos entre os órgãos que a rigor deveriam tratar o tema informação como interesse público. Trata-se do fator desconfiança que se sobrepõe à figura republicana em termos de segurança pública. Na prática, os órgãos não confiam uns nos outros e, por vezes, compartilhar informação significa perdê-la, seja por estar a repartição congênere contaminada pela corrupção ou por integrar esferas de governos distintos — leia-se, federal x estadual.

Na esteira do artigo assinado pelo delegado federal Gustavo Schneideer, veiculado semana passada nesta revista eletrônica, o que seria um breve comentário ao substancioso artigo converteu-se num alerta para dizer que compartilhar não significa difusão irresponsável de informação sigilosa. Significa, no mínimo, abrir novos caminhos para a segurança pública e libertar a população do terrorismo urbano, que embute entre outros males a fogueira das vaidades.

É preciso alterar a mentalidade "clássica" tanto policial como política para fazer frente às organizações criminosas, que hoje utilizam verdadeiras táticas terroristas a fim de amedrontar não apenas os cidadãos como também os policiais, atacando-os a esmo, sem qualquer justificativa justamente nos momento de descanso ou durante a convivência com a família.

Diante dessa realidade, discursos retóricos, desprovidos de diretrizes práticas imediatas ou que são proferidos como se o interlocutor (em todas as esferas de poder) não fizesse parte do problema soam como uma ofensa para os policiais e cidadãos que sentem na pele e diariamente a crueza da violência.

 é delegado da Polícia Federal e jornalista formado pela Universidade de São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 19 de novembro de 2012, 13h36

Comentários de leitores

2 comentários

Compartilhar dados é fundamental no combate à violência

Rivadávia Rosa (Advogado Autônomo)

Na lógica do Estado orientado para o interesse público, a abordagem está absolutamente correta, porém o que desgraçadamente prevalece é o interesse de grupos ou facções políticas, com a consequente disfuncionalidade do Estado na persecução criminal.
Daí a criminalidade em níveis anômicos, ou melhor, a banalização do crime da violência – segue como um subproduto de uma correlação de omissões, negligências e sequência leniente e, sobretudo a ausência de políticas públicas voltadas para o interesse maior da sociedade acumuladas ao longo do tempo.
Nesse desiderato insensato ainda se faz ausente uma definição adequada das missões da Polícia (inclusive das Forças Armadas), dos serviços de inteligência civil, distribuição dos recursos orçamentário-financeiros e das atribuições das autoridades civis, que garantam a coordenação e a direção estratégica dos setores de segurança, sem descurar da defesa dos valores democráticos.

ARREBENTOU, Dr. Coelho Neto!

Azimute (Consultor)

É isso mesmo, fogueiras de vaidade, ridiculas em pleno século XXI, nos impedem de interagir bancos de dados da PF, P. Civil, DENATRAN, Receita Federal...
O resultado? Uma imensidão de crimes de várias etiologias resolvidos, pela simples unificação de dados...
Além da clara possibilidade de o cidadão comum ter menos documentos a produzir, e mais confiabilidade de ditos documentos.
É necessário que isso seja ventilado mais rotineiramente... Talvez as "Prima Dona" da comunidade de informação resolvam se modernizar, em termos de coerência, removam as "anquinhas" de simulação e façam trabalho mais digno!
Parabéns, Dr., volto a repetir, pelo comentário de V.Sa.!

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