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Automedicação jurídica

O que acontece quando a parte toma o lugar do advogado

Por 

Caricatura: Mauricio Cardoso - Colunista [Spacca] O que está acontecendo no que se julga serem as vésperas do julgamento do Mensalão é uma inversão de papéis muito comum em processos envolvendo gente muito poderosa. Ou seja, é a parte querendo substituir o advogado para resolver o problema.

O que os advogados dos supostos mensaleiros estão empenhados em fazer nesse momento é desmontar, com argumentos jurídicos, as alegadas provas apresentadas para condenar seus clientes. Tarefa que os especialistas julgam ser perfeitamente realizável. Por exemplo, no caso do ex-ministro José Dirceu, não existe nenhuma evidência material de que ele tenha agido para favorecer ou corromper quem quer que seja em troca de apoio político para o governo. Enquanto a acusação junta elementos para embasar uma condenação, a defesa investe no sentido oposto. Nisso, advogados e procuradores concentram seus esforços desde que a denúncia foi formalizada no Supremo Tribunal Federal.

E as partes? Bem, às partes compete fornecer subsídios para que os advogados façam a sustentação da defesa e pagar a conta, que costuma ser salgada. No caso relatado pela revista Veja do último sábado (26/5), porém, as partes aparentemente resolveram tomar a iniciativa e, como qualquer advogado mais experiente está cansado de saber, o resultado costuma ser desastroso.

O episódio do ex-presidente Lula tentando ganhar o jogo no grito e levar o juiz e os bandeirinhas na conversa e na intimidação é apenas o último de uma sucessão de lances em que figurões do PT tentam resolver o caso do Mensalão.

Antes de a revista Veja revelar a trapalhada do ex-presidente, digna dos tristemente aloprados do mesmo PT, o país inteiro acompanhou o esforço inusitado despendido pelo partido do governo para promover a CPI do Cachoeira, com o declarado objetivo de desviar as atenções do foco principal que é o julgamento do Mensalão.

Neste mesmo contexto abriu-se outro foco com as manifestas intenções da cúpula petista de fazer a inquisição da imprensa e tornar ainda mais distante e esquecido o tema principal que é o Mensalão.

Essa, aliás, tem sido uma constante do PT toda vez que chega ao poder: criar para o seu próprio governo crises que nenhuma oposição é capaz de criar. Que o digam Erundina, o próprio Lula com os inesquecíveis aloprados e agora a presidente Dilma. E para piorar o quadro, ainda usam sua mídia para amplificar os efeitos de sua falta de habilidade.

Mas voltando ao processo do mensalão, não seria mais fácil e mais proveitoso deixar tudo por conta dos advogados, que, reconhecidamente, estão entre os melhores da praça?

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2012, 7h06

Comentários de leitores

3 comentários

Sr daniel

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Sem dúvida: não há santos nessa história,nem da do mensalão nem das duas dúzias de denúncias apuradas em menos de 10 anos e que nunca deram em nada.Não se questiona sobre a esperteza de Lula ou da inocência de Mendes.Os dois são suficientemente espertos e não devem ser subestimados.Também não se duvida da popularidade de Lula (veja,Hitler também foi tão ou mais popular que Lula)e nem por isso estava certo.Ser popular num país com alto índice de analfabetos é muito normal (como exemplo temos o Tiririca e tantos outros).Aliás, a credibilidade de alguém gravita na mesma proporção da ingenuidade de quem o avalia.Para consolidar a crença no Deus Lula,seu governo foi(e continua sendo,pelas mãos de sua sucessora),assistencialista ao extremo.Sempre que se privilegia um grande grupo em desvantagem social,em troca de quase nada (só do voto)há uma enorme possibilidade de se tornar popular (o termo correto seria populista).Isso não quer dizer que fez 1 bom governo;não significa que mudou o país;nada disso.Se algo mudou foram os nomes.Hoje n/temos mais favelas e sim 'comunidades'.Não temos mais pobres(foram elevados a categoria de'classe média baixa')Já não há praticamente a miséria. (só se for em Brasília)Não há problemas de dívida externa,com o FMI (porém a dívida interna é a maior da história).Não temos mais oposição verdadeira (ele rouba e deixa roubar solto).Coloca as pessoas certas nos lugares certos(n/por competência,mas por precaução);pela troca de favores.Acredite se quiser,Lula ficará na história,não como o melhor presidente,nem como um líder,mas tão somente como aquele que desencadeou a maior crise institucional país, quiçá (e queira Deus esteja errado)até uma revolta cívica moralista,com resultados lotéricos,mas certamente desastrosos. Sds.

Só uma longa vírgula

Daniel Camargo Peres (Advogado Autônomo - Trabalhista)

As trapalhadas, cabeçadas e falta de habilidade que Vossa Senhoria imputa aos petistas renderam-lhe 12 (doze) anos consecutivos de presidência.
Eu não dúvido dos meios escusos usados pelo presidente Lula, nem na possibilidade de que o que o Ministro Gilmar Mendes ter relatado à Veja ser verdade em sua quase totalidade.
Mas o que discordo veementemente de Vossa Senhoria é que o Lula seja um trapalhão, ainda mais com sua assessoria.
Em verdade, ser ou não reprodução fiel dos fatos o que Gilmar Mendes relatou à Veja não guarda nenhuma relação com uma indignação daquele que se autodenomina cordeirinho.
Gilmar Mendes, como já destacado dentro da própria Casa (o Ministro Joaquim Barbosa suscitou), vive desmoralizando o Judiciário quando vai à mídia e age como fez.
O caso não se trata de uma burrada do PT, trata-se de um interesse político do Ministro Gilmar, provavelmente incentivado por partidos de oposição, para desmoralizar o mais popular de todos os presidentes que esse país já teve e, além disso, desmoralizar a Corte.
Percebam que, por motivos escusos ou não, o Ministro Lewandowsky e a Ministra Cármen Lúcia não estão com seus estudos concluídos do mensalão. Parece-me que o Ministro Gilmar quis pressioná-los a concluírem logo para que o caso seja julgado antes das eleições desse ano.
Como bem sabemos, teremos absolvições, talvez com sorte alguns larápios serão pegados. Tendo em vista isso, o Ministro Gilmar foi capaz de fomentar uma crise institucional no STF, aumentando a aceitação do interesse anti-democrático de limitação do poder de decisão da Corte Suprema etc.
Perceba que não estou do lado de ninguém, apenas tenho os olhos abertos para ver que estamos diante do sujo falando do mal lavado, mas aquele não me engana, não o tomarei por santo!

Expertise

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Não só são os melhores da praça, como alguns bem poderiam participar do programa "A PRAÇA É NOSSA". Dariam um bom 'up grade' no IBOPE.

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