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Senso Incomum

O que fazer quando sabemos que sabemos!

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E também se conta que deputados usavam “sobras de passagens aéreas” e levavam parentes para Paris e Orlando. Diziam que era um direito fundamental visitar a Disney e a Torre Eifell. Dizem que tudo feito nos “termos da lei”...! Sim, a lei “era sagrada” em terrae florestalis. Tudo se fazia em nome dela! Havia magistrados que, obviamente nos termos da lei, receberam no contracheque, em um mês, mais de um milhão de PDP (em terrae florestalis, os juristas ainda separavam direito e moral, como se estivessem no século XIX; assim, uma conduta podia ser imoral, mas...legal!).[4] Vagas nos hospitais? Quase não havia. As autoridades preferiam gastar os milhões de pés de porco em estádios de futebol. Na cidade de Natal, as moscas tomavam conta dos corredores dos hospitais, mas o estádio ia de vento em popa – notícia da TV O Globo da Floresta). Ora, os florestinos (nome dos nativos) que mastiguem folhas. Ah, havia notícias de que, em uma Província conhecida como “Maravilhosa”, desviavam até a comida dos doentes de câncer nos hospitais. E engana(va)m a “viúva” até na lavagem da roupa suja... E o governador pegava carona no helicóptero de grande empresário, que parece ser o “X” da questão. Naquela província já tinham superfaturado uma Vila do Pan (a Vila Pan-Florestalis) inteirinha. Foi uma boa engenharia... Por isso o Estádio se chama Engenhão. Por isso, o time chama Botafogo, compreendem a ironia do destino?

Como funcionava essa enorme “estrutura”? Bem, toda essa estrutura (o aglomerado de siglas) somente servia para “pegar” os “ladrões de porquinhos” (composta pela choldra, patuléia ou rafanalha) e proteger as grandes plantações de árvores e os grandes vendedores de porcos assados (esses compunham o Poltranato[5] da Nação). Efetivamente, nos últimos anos não havia notícia de que algum “ladrão de porco de colarinho branco” (ou seria “ladrão de colarinho branco de porco”?) tenha sido apanhado. Os predadores estavam predando apenas os “porcos pequenos”. Ruim para o ecossistema criminal. Péssimo. Uma nota: para o Judiciário de terrae florestalis, descaminhos e crimes tributários no valor de até 20.000 pés de porco eram considerados “delitos de bagatela”, aplicando o princípio da insignificância (recentemente, basearam-se na portaria n. 75 do Ministro da Fazenda; alguns críticos disseram – mas não foram ouvidos – que essa Portaria era tão inconstitucional que o porteiro do Supremo Tribunal assim a declararia...; mas, para isso, alguém teria que ingressar com uma ADI..., coisa que parece que ninguém cogita).

Bem, conta-se que até houve um caso (o de um banqueiro, dono de muitas florestas e criações de porcos), pego pela famosa operação “sátira-(não)-agarra” (ou algo parecido). Esta, no entanto, foi anulada devido a algumas atrapalhações de uma autoridade, que depois ingressaria na política (e se deu bem, embora as “escutas” mostrem que ele teria ligado também para Charles Waterfall). O interessante é que a operação “sátira-não-agarra” foi anulada pela aplicação da tese dos “frutos da árvore envenenada”. Percebem? Árvores, florestas, veneno... Nome sugestivo da tese! Sem fazer trocadilho – ou fazendo um bem infame – , dizem que não havia a “fumaça do bom direito” (fumaça, fumus, florestas...incêndios, porcos, enfim, La nave va...). Outro dado: enquanto pela Lei da Lavagem de pés de porco (lembremos que “pé de porco” era a moeda corrente) foram condenados apenas 17 pessoas em 13 anos, houve, nesse período, mais de 150.000 condenações de ladrões de rabo de porco (conhecidos na Floresta como “pés de chinelo”). Antes que eu esqueça: no país “Florestão”, o lema do combate à criminalidade podia ser resumido pela seguinte frase: “La ley es como la serpiente; solo pica a los descalzos”...! Bingo: afinal, o Código Civil é feito para os que “têm” e o Código Penal é feito para os que “não têm”. Isso é velho, eu sei. Disse isso em meu primeiro livro, há vinte anos. Mas ainda vale.

Diz-se que havia mais de quinhentos mil presos em terrae florestalis e as prisões eram masmorras medievais (a frase foi dita pelo Presidente da Suprema Corte). E era sabido que destes, o único que não era “pé de chinelo” não era nativo, era alienígena, provindo da longínqua terra em forma de bota... O alienígena tinha nome parecido com “caçarola” (algo assim). Mas dizem que ele recebeu indulto para poder namorar mais sossegado (no último Natal, já havia conseguido visitar sua namorada na longínqua terra de Santa Cruz – do Sul – , conforme notícia da revista “De Olho na Floresta”). Fora ele, os demais presos eram patuléus. Choldréus. Ratatuia (espécie de terceiro Estado, pré-revolução francesa). No Rio Grande Sul, por exemplo, para 30 mil presos, havia apenas 12 mil vagas...

Mas, e o grosso da criminalidade? Bom, havia de tudo. Para termos uma ideia: todo o material vendido para o Estado-Floresta (ou Florestão), como mudas, adubo, fósforos, máquinas de ensacar fumaça, custava, segundo a revista “De Olho na Floresta”, até 145% a mais. Até na coleta do lixo se superfaturava. Consta, ainda, que a Copa das Florestas iria custar 75 bilhões de dólares (1 dólar = 1,90 Pés de porco). Todos dizem: “não faturaremos a Copa! Na verdade, superfaturaremos!”. É o que se diz. Assim é, se lhes parece! E já está acelerada a queima de florestas. Serão plantadas 9 grandes estufas, chamadas de Estádios-Estufas. Houve até a liberação das licitações para compras de “mudas” e “fósforos”. Para não esquecer: o crime de fraude à licitação é punido com “muito rigor” (todos se “pelavam” de medo! – expressão gaúcha para pânico): paga-se uma cesta básica, composta de aproximadamente 500 pezinhos de porcos. Mas também não havia quem tenha sido apanhado.

Governabilidade? Sim, havia. Embora isso custasse muito caro. Segundo a Folha da Floresta, as despesas com as emendas parlamentares quadruplicaram de fevereiro para março, quando chegaram a 350 milhões de PDP. Em abril, mais 350 milhões de PDP. Essas emendas são para os parlamentares investirem nas bases eleitorais, com plantações de flores, construção de pequenas fábricas de ensacar fumaça e outros florestamentos. Mas dizem que isso tudo era investimento.

Tudo anda(va) “bem” até que chegou um sujeito e disse: não entendo. Para que incendiar tanta floresta? Para que tanta tecnologia para multiplicação de florestas, imensas e caras estruturas superpostas etc.? Não seria mais fácil construir churrasqueiras para assar a carne? Fácil de controlar, menos corrupção, menos gastos estatais. Ao que os líderes, com os bigodes engraxados, responderam, não sem uma boa dose de sarcasmo: isso a gente já sabe. O problema é: “o que é que a gente vai fazer com toda essa estrutura já montada”? Ao longe, era possível ver novos incêndios...! E todos se regozijavam. Afinal, onde há fumaça, há fogo! Sem trocadilho.

PS1: Millor disse que o Brasil era o único país do mundo em que era necessário explicar ironias ou metáforas... Não acredito nisso. Millor estava equivocado. Qualquer um entenderá que a “estorinha” acima é apenas uma protometáfora. Preocupa-me apenas se o Sen. Roberto Freire ler a coluna... Depois de ele ter acreditado na notícia vazada de um site humorístico de que a presidente Dilma teria autorizado colocar nas notas a frase “Lula seja louvado”, não sei, não... De todo modo, insisto na advertência: qualquer semelhança com fatos que acontece(ra)m, não será apenas uma mera coincidência. Para esclarecer melhor e, assim, mostrar que Millor não tinha razão, convoco Heidegger: embora gatos, cachorros, pintassilgos e pés de laranja sejam seres, eles não se indagam a respeito de sua existência (e nem se indagam sobre o “que é ironia” ou “o que é sarcasmo”!). Eles não se preocupam com as questões do ser, não perguntam “o que significa dizer que algo existe?”. Somente o ser humano indaga sobre as coisas; somente o ser humano se pergunta sobre o mundo... Logo, o ser que existe, no sentido de sua ex-sistência, consegue entender “algo enquanto algo” (etwas als etwas...). Estou, pois, tranquilo! Minhas ironias e meus sarcasmos estão a salvo dos nécios.

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 é procurador de Justiça no Rio Grande do Sul, doutor e pós-Doutor em Direito.

Revista Consultor Jurídico, 10 de maio de 2012, 8h32

Comentários de leitores

14 comentários

Excelente!

Cirilo Rivera (Advogado Autônomo - Civil)

Quando Raymundo Faoro escreveu Os donos do poder – em contraposição a hegemonia marxista no ambiente acadêmico – novas categorias foram utilizadas para a compreensão do velho modelo de dominação política que havia se estabelecido no Brasil. Em vez da luta de classes entre burgueses e proletários, Faoro analisou as relações de poder a partir de dois conceitos weberianos: o estamento e o patrimonialismo. Para ele, o Brasil era patrimonialista no conteúdo e estamental na forma. Ou seja, acima das classes sociais se encontra(va) o estamento burocrático, apropriando-se da coisa pública para sustentar interesses meramente privados. Tucanos, petistas, democratas (somente no nome), comunistas de fachada (PC do B), banqueiros, bicheiros, empresários, sindicalistas, latifundiários, usineiros, esquerdistas e direitistas, proprietários de revistas e jornais para todos os gostos ideológicos... Enfim, todos eles se esbalda(va)m o máximo possível com os recursos públicos! Desse modo, mais uma vez parabenizo o professor Lenio pela lucidez com que tratou todos esses problemas no presente artigo.
Obs: E ainda existem certos “sociólogos” que afirmam que precisamos mais de Marx para compreendermos a democracia. Ou esses protótipos de “sociólogos” não sabem o que é Marx, ou ainda não descobriram o que é democracia!

Conta outra....

Radar (Bacharel)

Interessante o artigo. Esqueceu de mencionar que, nesta floresta, estranhamente, ou não, o único porco que não queima é o "PIG", e ainda lucra dos dois lados. Bem, mas aí já seria pedir demais ao ilustre articulista... A revista de fofocas está na defensiva, e o partiria para cima do contador de histórias.

porcos togados e becados

galo (Outros)

Oor essas e outras o PT é conhecido como "porcada faminta". Mas faltou falar sobre as varas (coletivo de) de porcos, onde os "porcos togados" sujos da lama da floresta, faltou também falar daqueles porquinhos que usam fitinhas vermelhinhas nas suas roupinhas negras "que fiscalizam a lei" e só fazem "jogo de cena" para que os porcalhões possam continuar a roubar e a beber vinho de R$ 30.000,00 a garrafa, e seus advogados possam cobrar honorários de R$ 18 milhões de reais. É claro que o dinheiro veio do "trabalho honesto" do cliente!
Moral da história:SOMOS TODOS PORCOS, UNS POR AÇÃO, OUTROS POR OMISSÃO

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