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Comandante maior

Juiz decreta nova prisão de PM Djalma Beltrami

O juiz Marcio da Costa Dantas, da 2ª Vara de São Pedro da Aldeia (RJ), decretou, na última terça-feira (10/1), a prisão preventiva do ex-comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar (São Gonçalo), Djalma José Beltrami Teixeira, e de outros 40 acusados de tráfico de drogas e associação para o tráfico.  Para o juiz, "a custódia cautelar dos Policiais Militares se justifica para preservação da ordem pública e por conveniência da instrução criminal". Esta é a segunda vez que o PM tem sua prisão decretada.

Dantas afirma que nas medidas cautelares há transcrições de interceptações nas quais não havia apenas a indicação do nome “zero um”, mas também “comandante”, “comando”, “o que assumiu agora” e “comandante maior”, que supostamente referem-se ao comandante Beltrami. A explicação vai de encontro à liminar concedida pelo desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que concedeu o Habeas Corpus ao PM em dezembro de 2011. Rangel qualificou como "lamentável" a prisão de Beltrami.

Além das prisões, ele decretou também o segredo de Justiça para o processo, a quebra de sigilo de dados dos materiais eletrônicos, telefones e computadores apreendidos durante a operação “Dezembro Negro”, e outras providências.

Na mesma decisão, Dantas recebeu a denúncia baseada na investigação que durou cerca de sete meses, realizada pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, com a participação ativa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo o juiz, durante as investigações para conter o tráfico de drogas na Costa Sul do estado do Rio de Janeiro, foram obtidas gravações de conversas telefônicas entre traficantes e policiais militares do batalhão com claras e explícitas negociações de quantias referentes ao pagamento de propina, objetivando a omissão da força de segurança pública em favelas de São Gonçalo.

Dantas afirma que, na maioria das vezes, os traficantes utilizavam a palavra “arrego” nos diálogos, nomenclatura própria para descrever propina. Quanto a Djalma Beltrami, o magistrado esclarece que “após um mês que o denunciado Djalma Beltrami assumiu o 7º BPM, foram vários os diálogos informando que a favela estava ‘um lazer’ e bem ‘tranquilexa’”.  Ele também diz que “é fato notório que altas autoridades que se proponham a compactuar com o crime não costumam se expor, principalmente em ligações telefônicas e, para obtenção de alguma vantagem financeira, costumam utilizar emissários do baixo escalão”.

“A partir da interceptação telefônica do traficante conhecido como ‘Marcelinho Niterói’, suposto sucessor de ‘Fernandinho Beira Mar’, e de alguns de seus comparsas, descobriu-se uma verdadeira rede de negociação de armas e drogas entre chefes de favelas localizadas em São Gonçalo e no Rio de Janeiro. Os diálogos travados entre os investigados são capazes de chocar qualquer operador do Direito que milita há um bom tempo na área criminal”. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.

Texto alterado às 15h05 deste sábado (14/1) para correção de informações.

Revista Consultor Jurídico, 12 de janeiro de 2012, 22h06

Comentários de leitores

5 comentários

Descuido

Oziel (Funcionário público)

Possivelmente, o cuidadoso jornalista deve ter confundido ex-árbitro de futebol com ex-pm.

Cuméquié?!!!

Richard Smith (Consultor)

"Ex-PM", desde quando, se comandante de batalhão?
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Depois, sou insuspeito para falar, porque a segurança pública do Rio de Janeiro é uma poçilga e isto bem antes da criação dos "Homens de Ouro" (quem se lembra?!) no final da década de 60 (um deles o Inspetor Nélson Duarte dava segurança e participava dos lucros dos traficantes e ia dar palestras sobre "os males da droga" no programa Flávio Cavalcanti, um outro, o famoso Mariel Mariscott de Mattos, foi chefão do tráfico, fugiu para o Paraguai quando foi processado - tempos outros, vocês sabem..., voltou depois como quem nada deve, até ser massacrado por capangas de bicheiros, em plena luz do dia, na década de 80!), mas desde quando um trato entre vagabundos (um fardado e o outro não) pod eser tido como prova quando tem como objeto uma conversa deste tipo, indireta.
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COmo foi bem lembrado, o vagabundo de farda, poderia muito bem estar apenas dando uma "valorizada" no valro do arrego envolvendo um sue superior.
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Aonde está a "prova cabal" dos fatos? Já que há todo este "animus esclarecendi", poderia ter havido uma investigação melhro dos fatos, com o grampeamento dos telefones do comandante, investigação financeira, movimentações atípicas, viagens suas e de familiares para paraísos fiscais e toda essa coisas que não acho necessário ensinar a "otoridades" tão zelosas.
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Vejo no episódio uma "jogada para a torcida" ou mais uma leviandade (?) do tipo praticada contra Daniel Dantas e em tempo morta no nascedouro por Gilmar Mendes, a quem a Pátria um dia, além destes dias tenebrosos e trevosos, haverá de agradecer.
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Enquanto isso, para a prisão do presumivelmente (não é isto o que diz a nossa "cidadã" Constituição?) inocente cronel, cadê as provas?!

inversão

Trouxa (Advogado Autônomo - Criminal)

A prisão cautelar não pode inverter os pricípios constitucionais, o que vem se tornando uma rotina nas instâncias inferiores.
Prende-se para depois processar.

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