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9 fevereiro 2012
População desamparada
Dalazen diz que a greve de policiais na Bahia é um motim
Para o presidente doTribunal Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen, o movimento dos PMs na Bahia, não é uma greve, mas um "motim". "É inconcebível greve de um poder armado, que deixa toda a população desprotegida, desamparada e refém dos grevistas", afirmou o presidente do TST em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo.
Dalazen entende que a Constituição é clara: é proibido greve de militares, valendo tanto para membros das Forças Armadas quanto para PMs. E sugere que a sociedade brasileira precisa ter mais "apreço" à lei. "O que estão fazendo é uma grave agressão ao Estado democrático de Direito e à Constituição", afirmou.
Leia a entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo:
Como o senhor vê a greve dos PMs na Bahia?
João Oreste Dalazen — Estou convencido de que a Constituição proíbe os militares de exercer o direito de greve. Isso não é greve, é um verdadeiro motim. Os militares estão proibidos de realizar greve, incluindo as Forças Armadas e os policiais militares.
A Constituição não é dúbia sobre o direito de greve da PM?
João Oreste Dalazen — A PM é uma força auxiliar e reserva do Exército, diz a Constituição. É inconcebível greve de um poder armado, que deixa a população, como vimos na TV, desprotegida, desamparada e rigorosamente refém dos grevistas. Claro que muitas das reivindicações são legítimas, claro que os policiais precisam ganhar mais. Mas esses métodos são intoleráveis, é uma gravíssima agressão ao Estado democrático de Direito. É preciso viabilizar uma lei para exercer o direito de greve no serviço público, ainda convivemos com esse vácuo normativo.
Esse movimento pode se alastrar pelo país, segundo a ameaça das polícias. O que vai acontecer, é possível prever?
João Oreste Dalazen — O possível alastramento desse movimento mostra a ausência de lei que disciplina o exercício do direito de greve. Há uma certa leniência de nossas autoridades, elas sistematicamente têm sido tolerantes com esses movimentos. Veja o que se sucedeu no Rio com a greve dos bombeiros, todos foram anistiados. No Maranhão, em 2011, houve uma greve de PMs, e eles também ocuparam a Assembleia. Ao que consta, não houve punição. Não se trata de penalizar o direito legítimo da greve, mas não há direito absoluto. No momento em que cogitamos ocupar prédios públicos, atos de selvageria, não estamos mais observando o Estado democrático de direito. Não podemos ser coniventes com a desordem social.
E qual é o papel que cabe ao TST nesse assunto?
João Oreste Dalazen — O Supremo Tribunal Federal nega competência à Justiça do Trabalho para julgar esse tipo de movimento, embora, em tese, devesse ser o juízo natural, por ser nossa competência. Mas não dispomos de lei. Nosso julgamento recai exclusivamente sobre os dissídios coletivos de greve na iniciativa privada e em relação às empresas públicas que prestam serviço público, como os Correios. Idealmente, essa questão deveria ser confiada à Justiça especializada, que é a Justiça do Trabalho. Estamos começando a repensar essa questão.
Revista Consultor Jurídico, 9 de fevereiro de 2012
Comentários
Comentários de leitores: 4 comentários
BOM SENSO E VONTADE POLÍTICA
Realmente é lamentável todo o contexto (legal, político e financeiro) que essa situação demonstra. Infelizmente a classe política como um todo "deixou" que se chegasse a essse nível, mas ainda penso que utilizando o bom senso, havendo concessões recíprocas e, principalmente tratando a questão da segurança de forma séria e competente podemos não só sair "dessa" como ainda evitar repetições de fatos dessa natureza.
CONCORDO !!!
TAMBÉM ACHO QUE AS BALAS DE BORRACHA DEVERIAM SER SUBSTITUIDAS POR MUNIÇÃO REAL !!!
ESSA GREVE ACABARIA EM DOIS TEMPOS !!!
acdinamarco@adv.oabsp.org.br
Que incompetencia
Seria uma classe impedida de entrar em greve, consta da constituição.Nossos 3 poderes são omissos e até incentivam (coronel recebendo olo e se congratulando com os grevists na bahia).Uma vergonha.Ou o governo toma uma medida séria ou o Brasil se torna uma bagunça maior ainda.Lembrem-se das greves anteriores onde não houve punição.A da Bahia e do Rio é somente o começo outros estados vão aderir.Teremos estado de sítio ?
A Justiça agora acorda ? O Governo e as forças armadas terão peito para enfrentar? Veremos !!!Acordem !!!
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