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6 fevereiro 2012
Conflito inconsequente
D'Urso critica troca de farpas entre juízes e advogados
O presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Flávio Borges D'Urso, aproveitou o palanque na abertura do Ano Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo para condenar a polarização entre magistrados e advogados, que ficou evidente durante a discussão sobre o poder de atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na solenidade de posse do Conselho Superior da Magistratura do tribunal, cujo presidente é o desembargador Ivan Sartori, nesta segunda-feira (6/2), D'Urso também pediu autonomia financeira para o TJ-SP e falou sobre as eleições deste ano, quando concorrerá a prefeito da capital paulista. Estavam presentes o vice-presidente da República, Michel Temer, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito Gilberto Kassab.
D'Urso enfatizou que a troca de farpas entre associações de magistrados e de advogados por conta das diferentes opiniões sobre os poderes do CNJ foi polarizada de forma errada. Para ele, a discussão que deveria ser sobre a atuação do órgão acabou sendo vista como se fosse sobre os magistrados do tribunal que são investigados pelo Conselho. "É inconcebível, ainda, que uma discussão restrita à remuneração de alguns desembargadores seja inserida no mesmo acervo de conceitos que abriga as competências do CNJ", afirmou.
O presidente da OAB-SP apontou "conhecidos acendedores de fogueira" como culpados pela criação do conflito entre as classes, classificado por ele como inconsequente, que teve tanta publicidade na mídia. Para o advogado, o posicionamento da OAB sobre o assunto é claro e admite a discussão de teses antagônicas, que seriam boas para o sistema democrático. "Repudiamos a diabolização, não podemos aceitar a satanização de posições."
Sob o olhar de Temer, Alckmin e Kassab, o advogado recebeu aplausos ao pedir autonomia financeira e mais verba para o tribunal. "Apelo para as autoridades do Poder Executivo do nosso estado, que não podem mais permanecer insensíveis aos pleitos desta corte, o maior braço da Justiça estadual da República brasileira", disse D'Urso, antes de afirmar que a autonomia financeira do tribunal é condição essencial para a implantação de 300 varas que foram criadas e ainda não instaladas.
Também dependem de mais verbas, segundo ele, a implantação de nova política de remuneração de servidores do Judiciário e a informatização do TJ-SP.
Para dar peso ao pedido, D'Urso citou números da Justiça paulista, como os 360 desembargadores do tribunal e a concentração de 50% dos pleitos em tramitação no país no estado, enquanto "cerca de 43 milhões de processos aguardam julgamento pela Justiça de nosso país".
Na solenidade, transmitida ao vivo pela internet, o presidente da OAB-SP finalizou seu discurso chamando a atenção dos ouvintes para as eleições nas quais concorrerá para o cargo de prefeito de São Paulo. O processo eleitoral será, segundo ele, "um dos mais importantes da história republicana". 'Lembro que este ano será decisivo para o redesenho institucional e político do país. Trata-se de renovar os comandos políticos e administrativos em 5.564 municípios", disse o futuro candidato.
Clique aqui para ler o discurso.
Marcos de Vasconcellos é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 6 de fevereiro de 2012
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Comentários
Comentários de leitores: 7 comentários
Quem se lembra da lista de inimigos da OAB?
Presença importante da OAB
Talvez.....
Quer um exemplo bobo? O juiz de primeiro grau indeferiu reconhecimento de trabalho em regime urbano sem registro em CTPS, para fins de expedição de certidão para contagem recíproca, por entender que não havia início de prova material.
O Tribunal reformou a decisão, mas condicionou a expedição da certidão à prévia indenização, quando a jurisprudência entende ser necessária a indenização apenas para o trabalhador rural, já que no caso do trabalhador urbano, cabe ao empregador o registro do empregado e respectivo recolhimento.
Caberia algum recurso, no caso? Sim, óbvio! Mas a combatividade se vê mesmo em primeiro grau. O acórdão transitou em julgado. O segurado ganhou mas não levou; a indenização é absurdamente elevada.
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