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Terrorismo de Estado

Ex-agente da CIA vai a julgamento nos Estados Unidos

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Depois de sessões que se estenderam por onze semanas, com interminável apresentação de provas ao corpo de jurados e de 23 interrogatórios, a promotoria do caso contra o ex-agente da CIA, Luis Posada Carriles, deu por encerrado, nesta quinta-feira (24/3), o procedimento de acusação. A partir de agora, as testemunhas de defesa serão ouvidas. Ao todo são dez, o que pode levar ao menos mais duas semanas.

O promotor-chefe T.J. Reardon III anunciou ao júri e à juíza Kathleen Cardone, que preside o Tribunal Federal de El Paso, no Texas, que as acusações contra o ex-oficial da CIA e militante anticomunista foram todas apresentadas. Os trabalhos na corte estavam previstos originalmente para durar entre quatro e seis semanas, porém somente a apresentação das acusações levou quase três meses para ser concluída.

Promotores americanos acusaram Posada Carriles, de 83 anos, por perjúrio, obstrução da Justiça e fraude em documentos imigratórios ao tentar entrar nos EUA em 2005. Carriles, que atuou como agente da inteligência americana entre 1960 e 1976, nasceu em Cuba, mas é naturalizado venezuelano.

Na Venezuela, Carriles foi acusado, inocentado e depois condenado à revelia por participar do atentado que derrubou um avião comercial de uma companhia aérea cubana em Barbados, no Caribe, em 1976, matando 73 pessoas. Ainda na Venezuela, Posada Carriles também foi indiciado e condenado por arquitetar uma série de atentados à bomba em Cuba nos anos 1990. Em uma das explosões, um turista italiano perdeu a vida.

Prisioneiro na Venezuela, Carriles escapou da prisão e passou anos foragido. A Justiça venezuelana o condenou também por fornecer armas à ofensiva contra os nicaraguenses com o suporte da CIA nos anos 1980. Em 2000, foi preso no Panamá pelo suposto envolvimento em um complô para assassinar Fidel Castro. Contudo, o governo panamenho concedeu o perdão a Carriles dias antes do encerramento do mandato presidencial da titular do cargo naquela época.

Depois de entrar nos EUA ilegalmente, Carriles pediu asilo político ao governo americano em 2005 quando residia no estado da Flórida. A suspeita de participação de Posada Carriles em atentados e atividades terroristas fez com que, no mesmo ano, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela aprovasse seu pedido de extradição dos Estados Unidos.

Os EUA eram reticentes em reconhecer a legitimidade das acusações contra Carriles, até que documentos liberados pela CIA — em 2005 — confirmaram que ele tinha sido treinado pelo exército americano e que trabalhou como agente para a inteligência dos EUA.

Autoridades dos Estados Unidos ainda recusam a extradição por temer que, da Venezuela, o militante anticastrista fosse encaminhado a Cuba. Ainda nesta quinta-feira (24/3), a defesa convocou para depor sua primeira testemunha. São esperadas, ao todo, dez testemunhas intimadas pelos advogados de defesa do exilado político.

Entre as testemunhas de acusação estava uma repórter do jornal The New York Times, que garantiu que o réu, durante uma entrevista concedida há 14 anos, assumiu a responsabilidade pelos atentados com explosivos em Cuba em 1997.

Nos EUA, Carriles não é processado pelas ações terroristas em si, mas por ter mentido às autoridades americanas sobre seu papel nas explosões ocorridas em Cuba nos anos 1990.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 25 de março de 2011, 16h49

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