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Turismo no Brasil

Empresa é investigada nos EUA por exploração sexual

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está conduzindo investigação criminal contra uma empresa de Atlanta, na Geórgia, dedicada a expedições de pesca esportiva, que teria sido usada para acobertar turismo sexual de americanos ricos, envolvendo exploração de menores no Amazonas, publicou hoje o jornal New York Times, em sua editoria de Negócios.

A investigação do Departamento de Justiça (que supervisiona os órgãos de investigação criminal dos EUA, como o FBI) decorre de uma ação judicial, movida em 14 de junho, em um tribunal federal da Geórgia, a favor de quatro brasileiras e contra Richard Schair, dono da Wet-A-Line Tours. Uma ação incomum, segundo o New York Times. Afinal, não é comum que vítimas estrangeiras processem, na Justiça dos Estados Unidos, uma empresa americana por promoção de turismo sexual.

Essa também é a primeira vez que uma lei federal, a "Victims of Trafficking and Violence Protection Act of 2000" (Lei de Proteção a Vítimas do Tráfico e da Violência) é usada em uma ação judicial para solicitar reparação por danos causados por alguém que opera turismo sexual, disse Kristen Berg, dirigente da Equality Now, uma organização de Nova York que dá apoio à ação promovida por um grande escritório de advocacia, o King & Spalding.

Kristen Berg e os advogados John W. Harbin e William E. Hoffman Jr, que estão trabalhando no caso pro bono, viajaram para o Brasil para entrevistar possíveis testemunhas, incluindo meninas. A ação do Departamento de Justiça, suportada por uma investigação paralela no Brasil, pode trazer esclarecimentos inusitados sobre as operações empresariais multimilionárias da indústria do turismo sexual, que vem se focando cada vez mais no Brasil, diz a reportagem do New York Times.

De acordo com o Courthouse News Services, as demandantes A, B, C e D, de Autazes, no Amazonas, declararam nos autos que foram recrutadas por Admilson Garcia da Silva, empregado da Wet-A-Line Tours, em um clube social próximo do rio Amazonas, quando tinham de 12 a 17 anos. E que a empresa usava táticas como exibição de riqueza, bebidas alcoólicas e outros truques para atraí-las ao barco de pesca Amazon Santana, onde eram forçadas a fazer sexo com os convidados, que lhes davam pequenas quantias em dinheiro.

As expedições de pesca esportiva da Wet-A-Line Tours, segundo os autos, se iniciaram em 1998. "Em certo ponto, a empresa começou a organizar festas no barco, regadas a bebidas alcoólicas e drogas e com a participação de mulheres, incluindo menores de idade, para deleitar seus clientes. A notícia se espalhou e as pessoas ricas - especialmente americanos - começaram a pagar Richard Schair para serem convidadas para as festas", ainda de acordo com os autos.

A ação e a consequente investigação contra Richard Schair são um subproduto de uma outra ação que ele mesmo moveu contra outra operadora americana de turismo de pesca no Amazonas. Em 2007, ele processou Philip A. Marsteller por difamação. Marsteller teria comentado com algumas pessoas que Schair fornecia drogas e mulheres a seus clientes.

Na Justiça, Marsteller sustentou seus comentários e, para se defender, buscou testemunhos de menores no Brasil, bem como de empregados da Wet-A-Line Tours, o que disparou investigações de autoridades brasileiras e da Equality Now. A Wet-A-Line Tours fechou em 2009.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 9 de julho de 2011, 16h23

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