Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Trechos copiados

Promotor do MPF-DF admite plágio em concurso

O promotor Paulo José Leite Farias, do Ministério Público Federal do Distrito Federal, afirmou que vai devolver o prêmio de R$ 1,5 mil que recebeu por vencer um concurso de textos, após assumir que copiou trechos de uma dissertação de mestrado. A informação foi divulgada, nesta quinta-feira (17/2), no jornal O Estado de S. Paulo.

Em entrevista ao jornal, o promotor admitiu que a monografia "MPDFT - Evolução do Modelo de Promotor de Justiça Júpiter (garantidor da lei) para Hermes (protetor do interesse público)", apresentada no concurso em comemoração aos 50 anos do MPF-DF no ano passado, contém trechos iguais à dissertação de mestrado de Camila Villard Duran, defendida na Faculdade de Direito da USP em abril de 2008.

Ao ser questionado pela reportagem do Estadão, Farias informou primeiro que havia algumas “incongruências” em seu texto. Depois, escreveu por e-mail que devolverá a quantia recebida no concurso. “Pude constatar identidade de trechos, não só do corpo como de notas de rodapé, o que me chateou bastante”.

O promotor informou, ainda, que já notificou a Revista de Informação Legislativa do Senado, que recebeu o trabalho logo após Farias ser premiado, sobre o “plágio”. “Já notifiquei a revista desse erro e vão republicar o texto com os consertos já realizados na versão correta”.

Outro lado
Segundo o Estadão, Camila só soube que seu trabalho havia sido parcialmente plagiado em dezembro. Ela mora em Paris e cursa na Sorbonne, com bolsa da Capes, parte de seu doutorado que será defendido novamente na USP. “Recebi o texto por e-mail no fim do ano. Uma orientanda achou que eu gostaria de ver que meu nome estava citado no rodapé. Levei um susto, reconheci aquelas frases. Meu trabalho não foi citado, foi copiado”. Camila, que dá aulas na Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que pode provar sua anterioridade em relação ao trabalho do promotor.

A dissertação de Camila foi publicada como livro, Direito e Moeda - O Controle dos Planos de Estabilização Monetária pelo Supremo Tribunal Federal, pela Editora Saraiva. O trabalho acadêmico, orientado pelo professor José Eduardo Faria, é uma análise de decisões judiciais brasileiras relativas a planos econômicos adotados pelo governo. Ela partiu de uma teoria sobre três diferentes tipos de juiz elaborada pelo jurista belga François Ost.

Camila não teve tempo de procurar a USP para denunciar o caso, mas enviou um e-mail à Saraiva. A editora afirma que analisará o material, antes de tomar providências.

De acordo com o jornal, Farias, nas duas publicações, apenas trocou a palavra juiz por promotor, para comentar a evolução da atuação dos membros do MPF-DF. Em 1998, ele, que defendeu mestrado sob orientação do ministro Gilmar Mendes, do STF, é doutor pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-doutor pela Boston University.

Na Alemanha
Na quarta-feira (16/2), o jornal alemão Süddeutsche Zeitung publicou declarações do professor de Direito Andreas Fischer-Lescano, da Universidade de Bremen, que acusou o ministro da Defesa da Alemanha, Karl-Theodor zu Guttenberg, de  plagiar trechos de sua tese de doutorado.

Segundo Lescano, nas passagens "plagiadas", o ministro utiliza citações e fórmulas idênticas a textos anteriormente publicados e trabalhos de outros autores, porém, sem citar fontes ou dar créditos. O caso está sendo investigado pelo professor Diethelm Klippel, ombudsman da Universidade de Bayreuth, onde Guttenberg apresentou a tese de doutorado, em 2006. O ministro declarou que "está disposto a verificar a qualquer momento se as 1.200 menções em notas de rodapé em 475 páginas" de sua tese têm alguma impropriedade.

Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2011, 15h12

Comentários de leitores

3 comentários

Plagiador é defensor da ordem jurídica

Roberto MP (Funcionário público)

Que defensor da ordem jurídica é esse?
Imagine se ele não fosse "Fiscal da (aplicação) da Lei"? É muita desfaçatez! Hum, hum, agora eu vou acabar sendo processado por este comentário.
E se isto acontecer eu vou lembrar de um comentário que ouvi há vários anos. Deixam o rato livre e querem prender a ratoeira.

Plágio não assumido.

Sérgio Wilian Annibal (Procurador do Estado)

“Pude constatar identidade de trechos, não só do corpo como de notas de rodapé, o que me chateou bastante”.
Afinal, plagiou ou não plagiou? Constatou depois de publicado seu texto a identidade de trechos. Desculpa evaziva, sofismática, de quem não quer assumir a responsabilidade. Lamentável, principalmente partindo de quem tem por ofício ser fiscal da lei.

GUTTENBERG E OS COPISTAS DA IDADE MÉDIA

themistocles.br (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

Sobre o episódio brasileiro, nada a comentar. Este comentário refere-se apenas ao noticiado ocorrido na Alemanha.
Em relação a esse episódio ocorrido na Alemanha, não deixa de ser curioso que o acusado de plágio tem o nome Guttenberg, mesmo nome daquele que foi o inventor da impresa e provocou o desemprego dos copistas na Idade Média.
O curioso é que em plena era pós-moderna, na Alemanha do Sèculo XXI, surge um outro Guttenberg - que supostamente nada deve ter a ver com seu homônimo histórico - retornando às práticas copistas que foram muito úteis na Idade Média.

Comentários encerrados em 25/02/2011.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.