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Adeus à toga

Munhoz Soares se aposenta antes dos 70 anos

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Munhoz Soares - conjur.com.brO desembargador Munhoz Soares, corregedor-geral da Justiça paulista participou nesta quinta-feira (3/2) de sua última sessão no Órgão Especial. Ele se aposentará após mais de 50 anos de trabalho no serviço público — quase 45 deles dedicados à magistratura de São Paulo.

Munhoz Soares disse algumas palavras de agradecimento, fez um balanço do ano em que esteve à frente da Corregedoria e ressaltou a colaboração da equipe de juízes assessores. “Foram 50 anos de serviço público. Fui funcionário, passei no concurso para ingresso na magistratura e hoje me afasto para dar oportunidade aos que estão vindo, porque o Tribunal precisa de renovação. Pedi a Deus que chegasse aqui e honrei a minha toga”, disse o desembargador.

Em nome do Tribunal de Justiça, discursou o desembargador José Renato Nalini que falou sobre as realizações do colega ao longo da carreira. “O senhor é um exemplo para a posteridade. Incansável, não apenas cumpriu o dever jurisdicional, mas foi além. Um exemplo é o empenho na criação do serviço psicossocial para atendimento a funcionários e magistrados do Tribunal, modelo no Brasil e na América Latina”, afirmou.

Nalini lamentou a saída do corregedor da Corte, mas disse que era um conforto saber que, “apóstolo convicto na defesa de sua fé, continuaria ativo na tarefa de levar a palavra do Evangelho ao semelhante”.

O presidente do Tribunal de Justiça, em exercício, desembargador Reis Kuntz, despediu-se do colega Munhoz Soares dizendo que ele, como o apóstolo São Paulo, "luta o bom combate".

Emocionado, Munhoz Soares protagonizou uma cena que comoveu também os presentes. Pediu licença para entregar sua toga a um dos filhos que se encontrava na sessão, o juiz Fábio Aguiar Munhoz Soares, da 17ª Vara Criminal Central. O outro, também magistrado é Rogério Aguiar Munhoz Soares, da 2ª Vara de Taquaritinga. A filha Simone, advogada, não optou pela magistratura.

Munhoz Soares nasceu em 6 de fevereiro de 1941 na cidade de Itapetininga, interior de São Paulo. Formou-se em direito pela Universidade Mackenzie em 1966, mesmo ano em que ingressou na magistratura. Trabalhou nas cidades de Jundiaí, Poá, Cajuru e na capital. Foi promovido a juiz do extinto Tribunal de Alçada Criminal em 1983 e a desembargador em 1987. Foi vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo no biênio 2008-2009 e assumiu a Corregedoria Geral da Justiça em janeiro de 2010.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 4 de fevereiro de 2011, 10h59

Comentários de leitores

4 comentários

Como é viver 50 anos repetindo dogmas à exaustão?

Antonio de Assis Nogueira Júnior (Serventuário)

São Paulo, 06 de fevereiro de 2011.
Senhor Diretor:
Estudiosos da teologia e do Judiciário devem fazer a verdadeira correlação entre os dogmas religiosos e os jurídicos. Sem dúvida, há momento para partir! Felizmente, o Eminente magistrado pensou bem: vou sair voluntariamente aos 69 anos de idade completos e 70 incompletos(compulsória é somente a partir dos 70 anos) PARA DAR LUGAR A OUTROS MAGISTRADOS NA CARREIRA.
Como é possível que o maior Tribunal do Mundo ocidental demore vários anos para julgar os apelos procrastinatórios (ou protelatórios) de ilibados, ilustres e cultos Advogados?
Para ser magistrado por cinquenta anos acho que é preciso não pensar na VÍTIMA, ser um pouco análgico.A Legislação é a culpada! (É preciso que outro Poder mude as coisas etc.). Não posso fazer nada! Etc. etc. Veja: Não temos pena de prisão perpétua nem a pena de morte legal e estatizada (Ampla defesa e o devido processo legal). A pena de morte autorizada é a PRIVADA (realizada por policiais e por ex-policiais: cidadãos anônimos raivosos e frustrados).É o Brasil da barbárie! Não sei como é ficar num GABINETE (seja a do trabalho ou a do lar), às vezes alheio à realidade, porque os DOGMAS não permitem um voo de Condor. Os devedores também não pagam e os credores sofrem! Mas que é o sofrimento do outro para os magistrados mergulhados em milhares de processos para julgar e na inefastável prisão dos dogmas jurídicos? Não tenho resposta (ou respostas). Acho que nem Camus também a tem. Enfim, ser magistrado acho que é ser contemplativo tembém como no sacerdócio. É preciso de vocação... para repetir os dogmas sempre e sempre à exaustão. Por ora basta. Respeitosamente,
Antonio de Assis Nogueira Júnior
Servidor Público Federal

Analucia

Edmundo (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Se aposentou, que seja, um dia antes de ser implementada a idade de 70 anos, o fez voluntariamente.
-
A aposentadoria compulsória somente ocorre quando o servidor público permanece no cargo até o implemento da idade de 70 anos.

Analucia

Edmundo (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

Se aposentou, que seja, um dia antes de ser implementada a idade de 70 anos, o fez voluntariamente.
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A aposentadoria compulsória somente ocorre quando o servidor público permanece no cargo até o implemento da idade de 70 anos.

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