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Sócios laterais

Banca se associa a estrelas para conquistar a China

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A advocacia americana passou a semana discutindo as contratações feitas pela banca Kirkland & Ellis, de Chicago, para operar na China. Nona no ranking americano da prestigiada Vault Law Firm Rankings, a Kirkland & Ellis possuia, até então, um modesto escritório sediado em Hong Kong e não dispunha de uma atuação expressiva na região.

Para expandir seus negócios naquele país, a banca se associou a oito ex-sócios de grandes bancas americanas e, pelo menos três deles, “superstars” da advocacia dos Estados Unidos. Os advogados Nicholas Norris e Dominic Tsun do Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom e David Zhang do Latham & Watkins agora operam para a Kirkland na China.

As contratações pegaram a concorrência de surpresa e estão sendo vistas como um passo audacioso com potencial de mudar a dinâmica da atuação das bancas americanas na Ásia. As razões para isso são complexas e difíceis de entender fora do dia-a-dia e dos códigos vigentes no circuito da advocacia americana, mas os observadores do Direito e da Justiça nos EUA dão algumas pistas.

Em um texto entitulado “A Kirkland vai botar pra quebrar na Ásia?”, publicado nesta semana no site The Asian Lawyer, a admissão de novos sócios pela Kirkland é tratada como uma “expansão agressiva” por parte do escritório. O artigo observa ainda que o fato de uma banca que “desempenhava um papel secundário na China” montar um “dream team” para tomar de assalto o mercado “serve para nos lembrar o quão rápido as coisas podem mudar no crescente mercado jurídico asiático”. Contudo Anthony Lin, autor do texto para a The Asian Lawyer questiona: “Contratar um time dos sonhos pode fazer de uma banca de Chicago uma potência na Ásia?”.

Os três novos sócios da Kirkland & Ellis já atuam com familiaridade no mercado chinês e têm experiência de prestar consultoria sobre leis americanas e internacionais na China, enquanto trabalham pela abertura do mercado local para que bancas de fora possam atuar sem restrições, assim como as firmas domésticas.

Nicholas Norris, como sócio da Skadden na China, trabalhou, por exemplo, na intrincada e mal-sucedida tentativa da Coca-Cola de adquirir, por US$ 2,5 bilhões, a fabricante de sucos chinesa Huiyuan Juice Group Ltd.. Os outros dois advogados também são reconhecidos como os melhores profissionais de bancas estrangeiras em atuação na China, em particular, e na Ásia em geral.

O mercado
O que provocou surpresa na advocacia americana é que a Kirkland atua desde 2006 de forma tímida na China e que, nos Estados Unidos, são mais conhecidos por consultoria na área de private equity (a capitalização de empresas até então fora do mercado financeiro), do que no mercado de capitais, o eldorado chinês. Como observa o portal da revista mensal The American Lawyer, isso coloca a responsabilidade de êxito da empreitada da Kirkland na Ásia nas costas das três estrelas recém adimitidas como sócios. O próximo passo é saber se os clientes asiáticos vão segui-los e trocar de banca assim como eles.

Essa é uma das grandes questões do Direito americano no momento. Se os clientes, de fato, acompanham seus advogados já que a disputa, pelas bancas, de profissionais do primeiro time da advocacia dos EUA é praticamente um mercado à parte, explorado inclusive por advogados especializados em recolocacão profissional e recrutamento.

São os chamados “lateral moves” ou “lateral hiring”. Ou seja, o avanço lateral na carreira por advogados que já estão no topo, não crescem mais para cima, não buscam promoções, orientando a estratégia de suas carreiras "lateralmente". Dependendo de seu renome, são assediados pelas bancas, e o que fazem é tão somente administrar esse assédio. É o exemplo da Kirkland & Ellis na Ásia e seus três novos sócios.

O especialista norte-americano em sociedade de bancas Adam Weiss explicou à revista Consultor Jurídico, em julho, que o aspecto decisivo quando uma banca decide expandir no mercado estrangeiro é a quem se associar. Ao comentar contratações feitas pela banca Davis Polk & Wardwell para inaugurar uma sede em São Paulo, Weiss observou que a dinâmica das expansões é subordinada aos “movimentos laterais” de sócios no universo das bancas.

Os sócios disputados, que administram o assédio das firmas, já são chamados, nos EUA, pelo jargão “laterals”. Weiss, que é autor do livro O Advogado Lateral — Oportunidades e Armadilhas para Sócios de Bancas, trabalha agora apenas com a colocação profissional de “laterals” no concorrido circuito de escritórios da costa leste dos Estados Unidos.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 21 de agosto de 2011, 7h16

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