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Mais prática

Advogados dos EUA querem menos teoria nas faculdades

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Na reunião anual da American Bar Association — a Ordem dos Advogados dos EUA —, que este ano está sendo realizada em Toronto, no Canadá, desde o dia 3 de agosto, a seccional de Nova York apresentou uma proposta aparentemente bem aceita: que o ensino nas faculdades de Direito seja menos teórico e mais prático. Segundo a entidade, os estudantes precisam "aprender de forma prática como usar a legislação para ajudar a resolver os problemas dos clientes", dizem os dirigentes, segundo o Law.com.

A seccional argumenta que os estudantes de Direito precisam dos livros, mas também de mais "trabalho clínico", como reunião com clientes, atuação nos tribunais e tudo o mais que um advogado faz em seu trabalho cotidiano. "Vocês nos mandam novos advogados que não sabem fazer nada de útil para os clientes, embora tenham passado no exame da ABA", dizem as firmas de advocacia às faculdades de Direito, como contou o decano da Universidade de Harvard, Larry Kramer, ao The Wall Street Journal.

Algumas faculdades de Direito estão tomando a iniciativa. A Nova York contratou 15 novos professores nos últimos dois anos, todos advogados atuantes, com a missão de ensinar aos estudantes técnicas de negociação, assessoria jurídica, pesquisa de legislação e investigação de fatos. Na Universidade Washington and Lee, o curso de Direito substituiu, no currículo do terceiro ano, todas as palestras e seminários no estilo "socrático" por simulações fundamentadas em casos reais, feitas por advogados atuantes.

Muitas faculdades oferecem "clínicas internas", estágios (internships) e "externiships" (sem tradução que faça sentido em português, é equivalente a um estágio como auxiliar de juiz). Mas o estudante faz isso em troca de créditos acadêmicos mínimos, o que o desestimula, diz o site nontradlaw. Entretanto, os estudantes devem aceitar qualquer coisa que facilite relacionamento com advogados. É muito mais fácil do que enviar currículos e fazer entrevistas para conseguir um emprego, afirma o site.

"Uma das grandes queixas contra as faculdades de Direito é a de que elas não ensinam ninguém a ser um advogado", afirma o nontradlaw. "Os estudantes de Medicina aprendem a praticar com médicos de verdade. Esse não é o nosso caso", diz a advogada BeiBei Que, cuja banca butique ajuda empresas iniciantes de tecnologia a navegar pelas questões jurídicas. "Tive de aprender tudo sozinha, depois que inaugurei a banca: com fazer networking, conquistar clientes, fazer um plano de negócios", ela contou ao The Wall Street Journal. "As faculdades de Direito estão bem atrás de outras instituições voltadas para o mundo real, como as faculdades de administração (business schools)", diz o jornal.

Em 2010, apenas um quarto dos bacharéis em Direito conseguiram um emprego nos grandes escritórios de advocacia do país, relata o jornal. Nesse ano, 54 mil bacharéis passaram no exame de ordem, mas as vagas em todo o sistema era menos do que a metade desse número, segundo consultores da Economic Modeling Specialists Inc.

Em um relatório submetido à ABA, a firma de advocacia Doyle and Younger sugeriu que "as regras de credenciamento [das faculdades de Direito] devem enfatizar o ensino sobre como aplicar a teoria e a doutrina na prática real". É o que faz a faculdade de Benjamin N. Cardozo, segundo seu diretor de Comunicação, John DeNatale. "Em classe, os estudantes discutem aspectos doutrinários dos casos; no campo, aplicam o que aprenderam em situações complexas, representando clientes reais. "Conforme os estudantes desenvolvem suas aptidões de solução de problemas, interagindo com clientes, eles se tornam advogados poderosos", ele declarou ao The Wall Street Journal.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 6 de agosto de 2011, 12h03

Comentários de leitores

9 comentários

Humanização do direito

andreluizg (Advogado Autônomo - Tributária)

Entrei na faculdade e só se falava em humanização do direito... Daí tive aulas de filosofia, sociologia, economia política, sociologia do direito, filosofia do direito, história do direito, direito romano... E só duas cadeiras de direito constitucional e administrativo...
A maior parte disso só serve para "encher linguiça" do curso. Não há necessidade de estudo isolado de tais disciplinas, mas elas devem ser estudadas de forma inerente nas disciplinas jurídicas. Bom, cada universidade tem a sua autonomia...

DIREITO - MAIS PRÁTICA E MENOS TEORIA

huallisson (Professor Universitário)

EUA -Isto é para país de educação decente.Aqui o forte é decorar, decorar, decorar, e fazer um Exame de Ordem, e no dia seguinte não se sabe mais nada.O Exame acabou com o estágio prático nos cursos de direito.Segundo a Ordem, para o bem de sua mercantilização; para o bem da grana no bolso de muitos dirigentes da Ordem; para o bem da reserva de mercado da Ordem;para o bem do povo que recebe um advogado sem prática; para o bem da Justiça que agonia no leito da morte; para o deleite da Ordem.Nos EUA existem um Ministério da Educação que cuida do ensino jurídico. No Brasil existe uma entidade de Classe OAB - que cuida da educação jurídica. Nos EUA a Ordem pensa no bem do povo. No Brasil a Ordem pensa no dinheiro do povo. Eis a diferença.Há 20 anos está assim porque o Supremo quer.Isto é coisa nossa! Não me deixa só! Minha gente, não me deixe só! Ou eu estou errado!?
Pedro Cassimiro - Advogado não inscrito na Ordem - economista - professor - estudioso da filosofia dialética e das leis da noética.

Até que enfim!

Cleiton Silva Germano (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

É preciso ver uma reportagem como essa para mostrar que ADVOCACIA é negócio e não uma arte.
O advogado paga contas como qualquer outra pessoa, portanto, precisa trabalhar o seu negócio, investir, estudar, procurar um foco em clientela, ou seja, precisa administrar seu trabalho.
Infelizmente aqui no Brasil, muitos advogados pensam ser poetas que com a teoria apurada estarão acima de qualquer prática. Outros imaginam que a prática suplanta a teoria. Na verdade o meio termo é o equilíbrio.
Vamos acabar com a poesia dos Advogados e vamos colocar o pé no chão. Advocacia é trabalho não é uma arte , por isso tem que ser visto como negócio. Precisa ser vendido, a clientela precisa ser capta, precisamos estruturar os investimentos, cortar custos, estudar e ainda manter o cliente.
Obviamente , muitos dirão que é um absurdo, porém o sistema Americano se mostra mais eficaz do ponto de vista de negócio do que o nosso, que não permite sequer um panfleto informativo com o nome do escritório.

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