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Veredicto do caso

Casal Nardoni é condenado pela morte de Isabella

Por 

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados, na madrugada deste sábado (27/3), pelo assassinato da menina Isabella, filha de Alexandre. Os jurados entenderam que a menina foi asfixiada e jogada do prédio onde moravam. Eles responderão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e 24 dias multas. Já Anna, a 26 anos, oito meses e 24 dias-multa. O casal não poderá recorrer da decisão em liberdade. A sentença foi lida ao som de rojões, ouvidos ainda dentro da Plenária. O advogado Roberto Podval, encarregado da defesa do casal, afirmou que irá recorrer da decisão.

Na pena de Nardoni pesou o fato de ter sido cometido contra menor de 14 anos, além de ser contra descendente, no caso sua filha de cinco anos à época do crime. A pena da madrasta recebeu quase todos agravantes que a do marido. Ela só ficou livre da agravante de descendência. O resultado acabou de ser lido à 0h40 pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri do fórum de Santana (SP), com a presença de mais de cem pessoas na plateia. Anna chorou ao escutar o saldo de sua pena. Alexandre ficou inerte. Nesta fase final do Júri, eles já usavam algemas. 

“Com efeito, as circunstâncias específicas que envolveram a prática do crime ora em exame demonstram a presença de uma frieza emocional e uma insensibilidade acentuada por parte dos réus, os quais após terem passado um dia relativamente tranqüilo ao lado da vítima, passeando com ela pela cidade e visitando parentes, teriam, ao final do dia, investido de forma covarde contra a mesma, como se não possuíssem qualquer vínculo afetivo ou emocional com ela, o que choca o sentimento e a sensibilidade do homem médio, ainda mais porque o conjunto probatório trazido aos autos deixou bem caracterizado que esse desequilíbrio emocional demonstrado pelos réus constituiu a mola propulsora para a prática do homicídio”, fundamentou Fossen.

Na coletiva de imprensa frente ao fórum, o promotor Francisco Cembranelli explicou que o juiz achou coerente interromper a votação dos jurados ao chegar no quarto voto contra o casal. O objetivo é preservar os jurados. O promotor ainda voltou a reforçar que todas as provas incriminavam o casal. Por isso, não podia ser dispensadas pelo conselho de sentença.

Réplica e tréplica
 Francisco Cembranelli se mostrou seguro em todas as fases de debate e rebateu ponto a ponto as argumentações de Roberto Podval. O advogado garantiu que não havia provas contundentes para condenar o casal. Levantou o princípio do in dúbio pro reo, que em caso de dúvida o réu deve ser beneficiado. A defesa tentou plantar, como estratégia, a semente da dúvida nos jurados. Não conseguiu.

Na primeira fase dos debates, o advogado sustentou falhas na perícia e no inquérito criminal. Um dos pontos mais contestados pela defesa foi o fato de não terem feito exame nas unhas de Anna Jatobá, para provar se foi ela mesma a autora da esganadura de Isabella, e num fio de cabelo encontrado na rede de proteção de onde a garota foi laçada.

Para rechaçar, Cembranelli gritou em alto bom som que a falta de exames nas unhas não era o suprassumo de todo o caso. Para ele, se apegar a esse fato seria desrespeito com os profissionais responsáveis pela elaboração dos laudos. Quanto ao fio de cabelo, o promotor também disse que era irrelevante e que poderia ser da própria Isabella, pela cor e tamanho.

Na fase de réplica, o promotor chamou o casal de mentiroso. Ele mostrou fotos do apartamento, apontou na maquete e fez uma linha cronológica, no telão, para provar que a versão do casal não se sustenta, por haver divergência nos horários e nos fatos apresentados. Nas fotos, a cama da Isabella aparece com duas bonecas atravessadas e uma folha de papel no meio. Alexandre havia dito que a colocou a filha na cama e a cobriu antes de descer para pegar os outros dois filhos. “A dinâmica dos objetos prova que a garota não foi colocada na cama, pois a cama permanecia como foi deixada na noite anterior”, defendeu o promotor.

De acordo com Cembranelli, o advogado Podval não conseguiu descartar a asfixia em Isabella, nem o vômito encontrado na camiseta de Alexandre, assim como as marcas da rede de proteção deixadas em sua camisa. O promotor também foi questionado sobre as provas que apontavam Jatobá como responsável pela esganadura, e o promotor atribuiu ao perfil passional e violento da madrasta da Isabella. "Se os senhores os absolverem terão de acreditar na versão dos réus", alertou o promotor.

Frases de Podval
“O senhor promotor me intimida. Intimida pela experiência em júris, pela organização, pela forma como se dedicou ao caso. Sei que quando ofereceu a denúncia, não o fez de forma leviana, fez porque acredita no que está defendendo. Também  acho que temos que dar uma resposta à sociedade. Por isto quero agradecer à Vossa Excelência, pela competência, pela educação e atenção comigo".

"Quero agradecer os funcionários daqui, a polícia. Agradeço também a OAB por estar aqui. Mesmo eu não sendo uma pessoa agressiva, não vamos ter problemas, e ainda porque eu era contrário a eles, da chapa contrária. Só tenho que agradecer. Agradeço aos amigos da imprensa, mas também faço uma crítica. Acho que isto não precisava ter chegado onde chegou. Acho que talvez seja um momento de reflexão”.

Frases de Cembranelli
"Não estou de olho em promoções como muitos dizem, pois já poderia estar, há tempos, na Procuradoria de Justiça. Então, abandonem esta idéia de que este promotor está em busca de aparecimento na mídia. Nunca precisei disto".

"Não é verdade que a investigação se dirigiu apenas aos réus e não investigou outros caminhos. Investigou todas as denúncias anônimas. A investigação extraiu a hora exata: 23h36:11 pelo GPS, isto é prova cientifica. Isto é fato e fato não se discute". 

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 27 de março de 2010, 0h54

Comentários de leitores

22 comentários

Parabéns ao Juiz Maurício Fossen pela condução do Júri

LAB (Professor)

Parabéns ao Juiz Maurício Fossen pela condução desse difícil Júri.
Luiz Augusto Barrichello Neto (limeira2cr.com)

ao comentarista mais "inteligente"

Edmílson Zacarias (Vendedor)

NOBRE JURISCONSULTO HAMMER EDUARDO, SE POSSÍVEL FOR, ANALISE OS SEGUINTES CASOS: 1º CASO: Dois indivíduos utilizando barras de ferro, matam um casal que se encontrava dormindo em sua própria residência, o primeiro a ser atingido foi Manfred, que morreu quase imediatamente por trauma crânio-encefálico, segundo dados da perícia. Marísia sofreu mais: foi golpeada impiedosamente na cabeça por Christian, sofreu vazamento de massa encefálica, todavia, não morreu na hora. Para apressar a morte da mãe de Suzane, Christian a estrangulou, filha do casal, planejou e presenciou a execução (Obs. Réus confessos, provas inequívocas). 2º CASO: Uma criança de apenas cinco anos de idade, é estrangulada pela madrata e jogada pelo pai do sexto andar do edifício onde moravam (versão da acusação, provas ????, a versão dos acusados não foi editada). No 1º Caso Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos foram condenados a 39 anos de reclusão, Cristian Cravinhos a 38 anos de reclusão. No 2º caso. Alexandre Nardoni condenado a 31 anos de prisão. Anna Carolina Jatobá de 26 anos. se, e somente se, fossem duas vítimas, Nardoni teria pego 62 anos e Anna 52. Pergunto O EGRÉGIO consultor, qual foi o crime mais grave (bárbaro)? Houve justiça?

aula sobre o assunto

hammer eduardo (Consultor)

O nosso craque no assunto Dr.RBS mais uma vez mata e cobra e , deixa pra la........
Realmente somos "metidos" a pais dito mudernu porem a nossa legislação aqui chega a ser uma piada. Por não termos vagas suficientes para guardamos a vagabundagem em geral, inventa-se essa bizarra "progressão de regime" que parece liquidação das Casa Bahia , ganhou 250 anos ? não tem problema pois o maximo permitido é de 30 portanto o "elemento" ja sai de cara no lucro de "apenas" 230 anos - OPA" Grande negocio ! Depois temos o segundo capitulo que permite outra bela enxugada nos parcos 30 que restaram e BINGO ! logo todo mundo de volta na rua , que paiszinho evoluido o nosso , ainda bem que não nos alinhamos com "ditaduras" retrogradas como Finlandia , Suiça, Canada , Inglaterra , Estados Unidos e outras republiquetas do genero. Outro ponto que caberia facilmente no caso dos Nardonni , o criminoso FERA , categoria que poderiamos colocar no mesmo saco a richtofen , o maniaco do parque , os assassinos do João Helio e por ai vai a lista. Ja que vão para a pena maxima , deveriam cumpri-la integralmente e sem essa lorota de "progressão" que termina sendo uma ameaça para a Sociedade pois traz tais vagabundos rapidamente de volta para a Sociedade que gostaria que apodrecessem por la. Enquanto não mudarmos RADICALMENTE esta legislação , continuo a afirmar que ser meliante é um grande negocio. Não esqueçamos tambem que ficam todos esses anos literalmente "coçando" aquelas partes , recebendo visitas intimas para perpetuar sua degeneração , celular liberado e por ai vai. Resumo da Opera , no Brasil o otario é quem anda na linha e paga tributos que sustentam esse verdadeiro "circo" travestido de legalidade, Ate quando Senhores????

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