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Júri e espetáculo

Clamor público marca Júri do casal Nardoni

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Rua lotada, segurança reforçada, réus tensos e população clamando por Justiça com faixas e camisetas. Foi nesse clima que começou o Júri popular dos protagonistas Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, no Fórum de Santana, Zona Norte de São Paulo. Os dois respondem por homicídio triplamente qualificado pela morte da menina Isabela, filha de Alexandre, além de fraude processual. O crime aconteceu em março de 2008.

Jurados, jornalistas, estudantes de Direito e familiares esperavam ansiosos o início do julgamento, que começou com mais de duas horas de atraso. O pai e a irmã de Alexandre Nardoni, Antônio Nardoni e Cristiane Nardoni, falaram com a imprensa e demonstraram esperança no resultado. O pai continua defendendo a inocência do filho e compara o caso ao da Escola Base, em que donos de uma escola foram acusados indevidamente de abuso sexual de crianças. O avô de Isabela ainda defendeu um Júri televisionado. Segundo ele, toda sociedade deveria ter acesso. Os advogados do casal não deram declarações à imprensa.

O promotor Francisco Cembranelli já disse e repetiu o tempo todo que quer Justiça. O promotor, em entrevistas anteriores ao Júri, fez questão de reforçar que já atuou em mais de mil júris e teve sucesso em 95% dos casos. Durante o sorteio dos jurados, o promotor recusou a participação de uma jurada. A defesa também recusou uma jurada. O motivo não foi explicado. O corpo do Júri é formado por quatro mulheres e três homens. Das 40 pessoas sorteadas, 28 compareceram e sete foram escolhidas para compor o Júri.

Outro ponto incerto do julgamento também foi esclarecido logo pela manhã. O pedreiro que estava desaparecido se apresentou ao Fórum. Ele deu entrevista para a Folha de S.Paulo dizendo que a construção na qual trabalhava, próxima ao edifício onde aconteceu o crime, foi arrombada. A declaração pode reforçar a tese da defesa de que uma terceira pessoa entrou no apartamento e matou Isabela.

O julgamento do casal Nardoni envolve 23 funcionários de cartório do júri, 12 agentes de fiscalização, dois médicos, uma enfermeira, três estenotipistas (responsáveis por transcrever na máquina de escrever a fala das pessoas), 16 oficiais de Justiça, três funcionários da administração, quatro funcionários da copa e cinco assessores de imprensa do Tribunal de Justiça. Ainda não é possível saber como essa estrutura reflete em despesas, mas depois de encerrado o júri a contabilidade será feita. A previsão é que o Júri dure de três a cinco dias.

Do lado de fora
A movimentação frente ao Fórum já era grande desde as 4h30 da manhã quando estudantes de Direito de diversos pontos do estado chegaram para tentar um lugar no Plenário. As 10 primeiras pessoas que chegassem poderiam ter o direito de assistir ao júri. Por volta de 8h20, chegou o comboio com Alexandre e Anna Carolina Jatobá. Na frente do Fórum, encontraram um jovem amarrado a uma cruz, pedindo Justiça e moradores do bairro da mãe de Isabela, com camisetas e cartazes com a mesma finalidade.

Segundo o ex-juiz Luiz Flávio Gomes, que irá acompanhar o julgamento, nenhum procedimento desperta tanta curiosidade das pessoas como o Júri popular. Prova disso, é que a procura para fazer parte dos jurados cresceu 400% depois do caso Isabela, lembra ele, que a todo o momento postou mensagens em seu Twitter sobre o Júri.

Luiz Flávio Gomes disse que esse julgamento marcará época, pois nunca nos últimos 50 anos, o 2º Tribunal do Júri teve julgamento parecido.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 22 de março de 2010, 17h28

Comentários de leitores

7 comentários

ISABELLA - ATRIZ DEPOIS DE MORTA - 1

rodolpho (Advogado Autônomo)

Todos morrem, poucos vivem.
Isabella, 6 anos, quase nem viveu e morreu muito antes de iniciar a vida, ela era só uma promessa que não se cumpriu.
Isabella morreu tragicamente e esse advérbio não diz coisa nenhuma, pois toda morte é trágica, não importa se é morte de criança, de adulto ou de velho e não importa também se foi morte por doença, por velhice, em desastre de avião ou de automóvel, em assassinatos, em guerras, em bombardeios no Iraque. Toda morte é trágica, e dolorosa, e inconsolável, mas é morte e é inevitável.
Isabella Nardoni, 6 anos de idade, morreu no último mês de março recém acabado dia 29 deste ano de 2008 e morreu porque caiu, foi jogada, arremessada do 6° andar do prédio de apartamentos, onde morava ou estava com o pai e ou com o pai e a madrasta e ou ... ainda não se sabe, e, quem sabe ou saberá, só Isabella sabia, ou talvez nem mesmo ela que poderia estar até dormindo e não viu o acontecimento.
Isabella, menina, 6 anos, não estava cansada, ainda não estava cansada, mas morreu, e os que morrem devem e têm o direito de descansar em paz, e para sempre. Mas Isabella ainda não foi dormir, ainda não foi descansar e está acordada, desperta, com miríades de luzes, holofotes, microfones, câmeras
de televisão, repórteres, jornalistas, todos, todos, entrevistando e questionando o cadáver minúsculo e inerte. “Quem te matou Isabella? Diga quem foi, diga que foi seu pai e sua madrasta, senão perde a graça, o interesse, o impacto da notícia. Diga, diga, diga, não fique nesse silêncio mortal.”
Seria bom maquiar o pequeno cadáver. Isabella, a morta de 6 anos, agora é atriz e a mídia imagética precisa de imagens. Se ela falasse seria muito bom para o rádio que não tem imagens, que pena, ela não fala mais.

ISABELLA - ATRIZ DEPOIS DE MORTA - 2

rodolpho (Advogado Autônomo)

Vamos, vamos, vamos à Pré-Escola, onde ela estudou e vamos entrevistar a professora dela, as mães dos coleguinhas dela, os coleguinhas dela, vamos, vamos. E a professora, dentro da classe, mandou que as criancinhas fizessem um retrato de Isabella, retrato com lápis de cor. E a professora quase explodiu de alegria de ser vista por milhões diante das telas sedentas dos televisores. Deus Abençoe a pequena Isabella que transformou a obscura professorinha de pré-escola em atriz instantânea. E Deus Abençoe a pequena Isabella que fez o milagre de transformar as mães dos coleguinhas em personagens dessa emocionante novela.
A novela de Isabella é seriada, com novos capítulos diários e contém histórias paralelas, periféricas, interligadas. Viva a menina morta que deu emprego e fama para tanta gente!
Há o capítulo, ou capítulos, do pai e da madrasta presos, porque ainda não há ninguém para ser preso e a novela exige culpados, ainda que fabricados e sem prisão não tem emoção. Foram presos a pedido do delegado que explicou que não tinha explicação nenhuma, mas que achou que era preciso prender, pois ele é delegado, e delegado que não prende não é delegado. O promotor também apareceu diante das câmeras e falou, falou, falou, um tempo enorme para dizer coisa nenhuma que explicasse a prisão, sem prova nenhuma de culpa. E ninguém se lembrou de perguntar a esse promotor por que o promotor Igor Ferreira da Silva, matou a própria esposa grávida, foi condenado a 16 anos de prisão e não foi preso. Por quê??!! E o Meritíssimo Juiz que mandou prender o casal sem prova alguma da culpa deles? Esse Juiz também falou, falou, falou, mas não explicou absolutamente nada. Prendeu por quê?!

ISABELLA - ATRIZ DEPOIS DE MORTA - 3

rodolpho (Advogado Autônomo)

E ninguém se lembrou de perguntar a esse Juiz por que a Juíza da Bahia, OLGA REGINA SANTIAGO GUIMARÃES, jamais foi para a cadeia. Essa Meritíssima Juíza Olga Regina, foi acusada pela polícia federal de receber propina do traficante colombiano Gustavo Duran Batista. Essa Juíza tirou o traficante da cadeia e absolveu o mesmo da acusação de tráfico e o traficante fez quatro depósitos com polpudas quantias na conta da Juíza. Ela nunca foi presa, nunca foi afastada do cargo e??!! foi promovida, da cidadezinha em que atuava para a capital da Bahia, Salvador. Ninguém perguntou ao Juiz que, sem prova de espécie alguma, mandou prender o pai e a madrasta de Isabella: “Por que eles foram presos e a Juíza Olga Guimarães foi premiada e promovida???!!!”
Mas a Igreja não podia ficar de fora desse show macabro. Houve a Missa de Sétimo Dia. Alguém já parou para pensar o que é que significa a palavra “MISSA”?! Mas houve a Missa de Sétimo Dia, com mais de mil pessoas, atraídas pelo rumor do espetáculo, pelas viaturas dos repórteres, jornalistas, rádio, televisão, jornal, tudo estava presente, milhões de fotografias, filmagens.

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