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16 março 2010
Sistema digital
Clube desiste de testar voto eletrônico impresso
Não é dessa vez que o Brasil terá sua primeira eleição com voto eletrônico impresso conferível pelo eleitor. Ao contrário do que estava previsto e foi informado pela revista Consultor Jurídico, a diretoria do Clube Harmonia voltou atrás na sua decisão de testar o sistema que será obrigatório nas eleições de 2014 e retornou a opção do voto eletrônico. Na segunda-feira (15/3), os 2.600 sócios escolheram 81 conselheiros para a diretoria do tradicional clube de tênis apenas com o voto eletrônico conhecido já nas eleições.
De acordo com o engenheiro Almicar Brunazo Filho, que assessorou a eleição, a mudança aconteceu na sexta-feira (12/3). “Desistiram na última hora. Alegaram que não queriam dar ao eleitor a possibilidade de repúdio ao voto impresso, o que pode acontecer já que, nesse sistema, o voto é conferível pelo eleitor antes de ser computado”, contou. E emendou: “Era uma ótima oportunidade de treinar o voto eletrônico impresso”.
Antes de desistir, a diretoria do clube contratou a empresa LSITEC, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, para fazer a análise do código fonte do programa – medida usada para garantir a segurança do software. No entanto, a agência da USP conseguiu analisar apenas 80% dos códigos. “Foram contratados oito dias apenas para analisar se estava tudo em ordem. Não deu tempo”, disse o engenheiro.
Brunazo Filho afirmou que a escolha do voto eletrônico impresso no Harmonia foi decida em fevereiro após uma reunião entre as duas chapas concorrentes, a Harmonia e a Transparência. As empresas Microbase e Ernest Young chegaram a ser contratadas. A primeira para cuidar do pleito e a segunda da auditoria. “Desse jeito, a auditoria não é confiável”, opinou.
O engenheiro apontou alguns erros pontuais no processo de votação. “O eleitor podia votar oito vezes e também anular o voto. Mas, devido a má configuração, alguns reclamaram que, ao anular um voto, todos constavam nulos”. O resultado das eleições foram 63 vagas para a chapa Harmonia e 18 para a Transparência.
Geiza Martins é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 16 de março de 2010
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