Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Justiça e arte

TJ paulista expõe obras do barroco brasileiro

Por 

Estudantes, advogados, promotores, procuradores, juristas e a comunidade que for ao Palácio da Justiça, no centro velho da capital, não podem deixar de passar pelo Salão dos Passos Perdidos, no segundo andar da corte paulista para dar uma olhada nas 21 obras do artista mineiro Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Elas fazem parte da exposição “O Berço do Barroco Brasileiro no Tribunal de Justiça e seu Apogeu com Antonio Francisco Lisboa – O Aleijadinho”. Além das obras do artista mineiro, o público verá trabalhos inéditos de Frei Agostinho da Piedade, datados de 1640.

A coleção de arte sacra em terracota (barro cozido) pertence ao colecionador brasileiro Ary Casagrande Filho e nunca foi exposta antes no país. As esculturas remontam à chegada dos beneditinos europeus no Brasil, quando o português Frei Agostinho da Piedade fundou a primeira escola de imaginário sacro-barrista, baseada nos princípios do barroco renascentista europeu. No entanto, no lugar do mármore de carrara importado, os artistas brasileiros esculpiam usando o barro paulista, gerando uma arte sacra originalmente brasileira.

De acordo com o curador da exposição, Marcelo Coimbra, esta é mais uma oportunidade para o público paulista ter acesso fácil às artes e conhecer um pouco mais do barroco brasileiro. Ele também explica que há semelhanças nas esculturas de Aleijadinho e Frei Agostinho. “Os traços dos rostos têm muito em comum. Eles retratam de forma semelhante a miscigenação do povo brasileiro”, diz o curador.

O advogado ou estagiário que entre uma sustentação oral numa das câmaras de julgamento, ou de passagem por um dos cartórios para acompanhar o andamento de processos, passar pela exposição não pode deixar de conferir a imagem de Nossa Senhora de Montesserrate, que pela primeira vez estará sendo exposta.

A peça única, de 84 cm de altura e 34 quilos, foi confeccionada em 1636, por Frei Agostinho da Piedade. A obra pertence ao mosteiro São Bento da capital paulista e só foi redescoberta, em 1940, no sótão de uma Igreja em São Bernardo do Campo. Para recebê-la, o tribunal montou um esquema especial de segurança. Câmaras de TV estão espalhadas pelas colunas de mármore do hall do Salão dos Passos Perdidos.

Outra obra que vai fascinar os visitantes é a imagem de Nossa Senhora da Conceição, que no sincretismo religioso brasileiro é associada ao orixá africano Iemanjá (mãe cujos filhos são peixes). Ela foi esculpida em barro branco cozido. Outro destaque são duas imagens de Santo Antonio confeccionada no final do século XVIII em madeira policromada. As obras que nunca foram expostas são atribuídas a Frei Agostinho de Jesus e Aleijadinho, respectivamente.

Santo Antonio que tem fama de casamenteiro pode ser visto em imagem normal e, seguindo a tradição do interior do país, onde da imagem do santo para aquelas que têm pressa em arranjar um namorado é retirado o Menino Jesus do colo do religioso. Jesus só é devolvido quando conseguir a fiel conseguir o namorado. Outra tradição é virar o Santo de cabeça para baixo.

O barroco
O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas artes plásticas e depois se manifestou na literatura, no teatro e na música. O berço do barroco é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países europeus como, por exemplo, a Holanda, a Bélgica, a França e a Espanha. O barroco permaneceu vivo no mundo das artes até o século XVIII. Na América Latina, o barroco entrou no século XVII, trazido por artistas que vinham da Europa e permaneceu até o final do século XVIII.

O barroco brasileiro foi diretamente influenciado pelo barroco português, porém, com o tempo, foi assumindo características próprias. A grande produção artística barroca no Brasil ocorreu nas cidades do ourífera de Minas Gerais, no chamado século do ouro (século XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam um intensa vida cultura e artística.

O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio Francisco de Lisboa também conhecido como Aleijadinho. Sua obra, de forte caráter religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos artistas barrocos do Brasil. Podemos citar algumas obras de Aleijadinho: Os Doze Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG).

Outros artistas importantes do barroco brasileiro foram o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde e o escultor carioca Mestre Valentim. No estado da Bahia, o barroco destacou-se na decoração das igrejas em Salvador como, por exemplo, de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco.

A Exposição
No Tribunal paulista a exposição ficará aberta até o próximo dia 30, das 13h às 18h. A entrada é gratuita. A mostra foi aberta pelo desembargador Alexandre Moreira Germano, coordenador do Museu do Tribunal, que falou da honra que significa para a instituição receber obras atribuídas ao grande artista mineiro e a Frei Agostinho da Piedade. Germano destacou ainda o orgulho em receber a escultura de Nossa Senhora de Montesserrate, pertencente ao Mosteiro de São Bento.

O ex-jogador e reconhecido como o maior ídolo do Vasco, Roberto Dinamite, disse à revista Consultor Jurídico que estava encantado com a exposição. Dinamite que foi eleito vereador pela cidade do Rio de Janeiro e que por quatro vezes ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa daquele estado disse que a exposição retrata a alma histórica do país.

O ex-craque visitou a presidência do Tribunal e aproveitou para dar uma olhada na exposição nesta segunda-feira (17/5). Dinamite é considerado o maior goleador da história do Vasco. É também o jogador com maior número de gols na história do campeonato brasileiro (190) e do campeonato carioca (279).

Na solenidade de abertura, o desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti,  presidente da Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis), destacou a abertura do Palácio da Justiça, costumeiramente fechado a atividades culturais e onde são discutidos apenas litígios e valores do Direito, receba uma lufada de arte e passe a abrigar eventos como a exposição de artistas do barroco brasileiro.

O presidente Viana Santos falou da harmonia entre a arquitetura do prédio quase secular do Tribunal de Justiça e a exposição do barroco brasileiro. Após lembrar a importância para o Brasil de Aleijadinho e outros artistas barrocos, Viana Santos agradeceu à presença dos monges do mosteiro de São Bento que entoaram cantos gregorianos e permitiram que pela primeira vez fosse exposta a imagem de Nossa Senhora de Montesserrate fora das dependências do Mosteiro.

O curador Marcelo Coimbra ressaltou a importância do barroco mineiro, que teve o seu apogeu nas mãos do genial Aleijadinho, que, segundo o curador, conseguiu mostrar a todos o poder que tem o povo brasileiro em suplantar as mais variadas dificuldades que a vida nos oferece.

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 19 de maio de 2010, 8h12

Comentários de leitores

2 comentários

Assino embaixo

Flávio (Funcionário público)

Parabens Dr. Aidar, pelo belo comentário.

VAI MELHORAR !

Raul Haidar (Advogado Autônomo)

Abrir portas para exposição sobre o barroco brasileiro é ótimo. Revela a sensibilidade artística do nosso Judiciário que nos presenteia com momentos de elevada cultura. O TJ está indo muito bem. Assim que o Executivo paulista deixar de sacanear a Justiça, entregando ao Judiciário o que lhe pertence, outros problemas serão resolvidos. A Lei Complementar que trata das carreiras dos servidores da Justiça ficou durante toda a gestão do Serra engavetada na Assembléia. Os gestores do TJ durante esse período não conseguiram, não puderam ou não quiseram fazer a coisa andar. Agora com o governador Alberto Goldman creio que a situação se resolva. Se isso andar E BEM RÁPIDO, deverá ter fim a GREVE na Justiça, que já vem causando prejuizos sérios aos cofres públicos. Há empresas que querem resolver processos dos quais vão resultar recolhimentos de tributos,mas não conseguem. Portanto, se o TJ conseguir pressionar o Executivo e resolver o problema da greve (mas sem ameaças, pessoal, isso não adianta...)talvez consiga não só abrir as portas da exposição de artes, mas também abrir as portas da Justiça a quem dela necessita. E o que é pior: a quem pagou custas adiantadas por um serviço que não recebe! Como sei que isso é possível, tenho certeza que VAI MELHORAR !

Comentários encerrados em 27/05/2010.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.