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Acusador coadjuvante

Demarco não atua mais na acusação de Daniel Dantas

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O empresário Luís Roberto Demarco foi afastado da função de assistente do Ministério Público nas ações movidas contra o banqueiro Daniel Dantas. A informação foi dada aos advogados do banqueiro nesta sexta-feira (14/5). A decisão foi tomada depois que mais um ex-dirigente da Telecom Italia confirmou que as atividades de Demarco contra seu ex-sócio eram remuneradas.

Ex-executivo do grupo Opportunity, Demarco dedicou-se a enfrentar o banqueiro depois que a sociedade foi desfeita, sob a alegação de ter sofrido graves prejuízos financeiros e pessoais com o fim da parceria. Em sua campanha contra Dantas ele aliou-se aos inimigos de seu inimigo recebendo por isso. Os depoimentos de Milão o apontam como intermediário nas negociações com políticos e autoridades brasileiras.

Um desses parceiros de ocasião foi a Telecom Italia, sócia do Opportunity na composição acionária da Brasil Telecom. Os dois grupos se envolveram numa feroz disputa pelo controle da então terceira maior operadora de telefonia do país, ao lado de fundos de pensão de estatais brasileiras e do Citigroup, dos Estados Unidos. Na aliança com a Telecom Italia, Demarco acabou envolvendo-se na trama internacional de espionagem empresarial montada pela telefônica italiana para dominar o mercado de telecomunicações em países onde atua, entre os quais, o Brasil. Segundo processo que corre na Justiça de Milão, a TI despejou 120 milhões de euros nesse tipo de atividades ilegais.

Segundo o ex-executivo da Telecom Italia, Fábio Ghioni, cerca de 10% desse dinheiro teve como destino o Brasil e como finalidade o pagamento de serviços prestados por autoridades, policiais e jornalistas. Em depoimento prestado à juíza Mariolina Panasiti, de Milão, em 26 de março último, Ghioni afirmou que Demarco “era financiado pela Telecom Italia, que financiava todas suas campanhas contra Daniel Dantas, sejam as da mídia, sejam as legais, todas pagas pela Telecom Italia”. No depoimento, Ghioni informa também que Demarco mantinha contato com os fundos de pensão das estatais brasileiras, que eram adversários de Daniel Dantas.

Reportagem publicada nesta quinta-feira pela ConJur relata revelações feitas por Fábio Ghioni em seu depoimento. Conhecido como “Sombra Divina”, Ghioni chefiou o grupo de hackers da Telecom Italia, que ficou conhecido como Tiger Team. É acusado de ter manipulado dados furtados da Kroll Associates, a maior empresa de investigações privadas do mundo, para “vitaminar” informações contra o empresário Daniel Dantas, do Banco Opportunity. Dantas é acusado de contratar a Kroll para espionar as atividades de dirigentes da Telecom Italia, que disputava com o Opportunity o controle da Brasil Telecom, empresa em que os dois grupos empresariais eram sócios. O terceiro concorrente eram os fundos de pensão.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 14 de maio de 2010, 20h40

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