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Operação padrão

Reestruturação da Polícia Civil de SP está parada

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O termo “Operação Padrão” surgiu no Brasil como forma de protesto; uma tentativa de corrigir algo que estaria fora da normalidade: seja no atendimento, na prestação de serviço ou nas condições necessárias para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade. Na prática, operação padrão consiste em seguir rigorosamente todas as normas de determinada atividade estabelecidas pelo empregador. É aí que está a contradição: se um conjunto de profissionais trabalha corretamente, executando de forma minuciosa suas atividades e, mesmo assim, há lentidão nos serviços e prejuízos à sociedade, significa então que o “padrão” estabelecido pelo empregador precisa ser revisto.

A Operação Padrão dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, deflagrada no último dia 23 de março, exemplifica a necessidade urgente do empregador — no caso o Governo do Estado, reestruturar as condições de trabalho dos Delegados para oferecer à população um serviço qualificado. Ela reflete as dificuldades que Policiais Civis têm enfrentado em suas rotinas de trabalho, no atendimento ao público, com a falta de funcionários e de recursos materiais, obrigando o Delegado de Polícia a assumir funções que não lhe compete para dar rapidez ao atendimento da população.

O projeto de Reestruturação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, que reivindica entre outras coisas melhorias para a classe, tanto salarial como estrutural, está nas mãos do Governo desde o dia 26 de setembro de 2009 sem nenhum avanço. Enquanto isso, a mobilização, que já tem a adesão de 80% dos Delegados do Estado, cresce a cada dia, caminhando para uma paralisação geral.

Do outro lado está a população, que sofre com os atrasos no atendimento. Uma situação que também está nas mãos do Governo, como já esteve em 2008, quando ocorreu a greve mais longa da história da Polícia Civil do Estado de São Paulo (foram 59 dias). Na época, o projeto não foi aprovado e as promessas do Governo para os anos de 2009 e 2010 não foram cumpridas.

Desde então, o descaso continua, assim como o desconhecimento do Governo sobre o que de fato representa uma Operação Padrão. Em recente entrevista a um programa de rádio, o governador Alberto Goldman asseverou que a Operação Padrão “é tudo o que ele quer”, já que significa “servir bem a população”. Resta saber da população se do jeito que está, com ou sem operação padrão, o atendimento oferecido pelo Governo está dentro do padrão merecido pela sociedade.

 é presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 1 de maio de 2010, 6h00

Comentários de leitores

1 comentário

Reivindicações devem ser muito explícitas e divulgadas

omartini (Outros - Civil)

Qual atendimento estaria dentro de padrão merecido pela sociedade? O padrão almejado já existe em algum estado brasileiro? E melhorias salariais – sempre legítimas – têm correlação com o que é pago em outros estados?
Sem ampla divulgação – mérito do artigo atual – e debate com a sociedade, não se consegue apoio, principalmente para funcionários públicos, que atualmente – errônea ou acertadamente – são julgados como privilegiados. Principalmente por milhares de bacharéis despreparados para enfrentar concursos públicos...
Acresce que em ano eleitoral – como aconteceu com a APEOESP – pautas reivindicatórias facilmente são confundidas pela população com engajamento político-partidário.
Salvo engano, isso já sucedeu também em 2008, quando à greve foi atribuída à atuação de conhecido pelego sindicalista, estranho à classe.
Portanto, greve de funcionários públicos em ano eleitoral é tiro nos próprios pés e geralmente atende à ambição política do partido do empregador de ocasião.

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